Subaru WRX STI: entendedores entenderão

Excêntrico e bizarro para alguns, referência em esportividade para outros, o Subaru WRX STI tem foco na mecânica e na experiência ao volante

106

“Velozes e furiosos?” Perdi a conta de quantas vezes ouvi essa pergunta ao volante desse Subaru WRX STI – ou, para os íntimos, apenas STI. Não há indiferença a ele. As reações são admiração/desejo (dos que entendem de carro) ou ridicularização/espanto (dos que não conhecem). Meu filho Mathias, do alto de seus 3 anos, gostou do forte azul da carroceria (embora sua cor favorita seja o vermelho) e logo perguntou: “Papai, o que é isso ali atrás?” Expliquei que era um aerofólio, ele quis saber para que servia. Disse que era um carro de corrida e que aquilo o fazia “grudar” no chão. Não sei se entendeu, mas se deu por contente.

Já minha esposa não ficou tão contente. Afinal, íamos passar dias a bordo de um carro nada discreto e que tem suspensões muito duras. No fim, o mais feliz da família era eu. Não sou fã das rodas douradas e do enorme aerofólio – que ainda me pregava sustos quando o percebia no retrovisor como outro veículo –, mas sei reconhecer um bom carro, adoro guiar. E o STI é um esportivo das antigas, puro, bruto e sem frescuras, que parece feito só para isso: ser guiado – não do jeito comum, mas com envolvimento, paixão e esforço do motorista. E tem, sim, que ter as clássicas rodas douradas.

No trânsito, a embreagem pesada e o volante e suspensões duras incomodaram bastante, e o sistema de som, apesar de ter bluetooth, USB, etc., parece saído dos anos 1980 – como a maior parte do painel. Além disso, em um carro de quase R$ 200.000, a ausência de itens como GPS e faróis automáticos é imperdoável… até você cair em uma estrada cheia de curvas (sem a família, claro), esquecer disso e não querer voltar para casa tão cedo.

O sistema de tração integral é genial – com distribuição do torque entre eixos ajustável (em seis níveis, sendo o padrão 49:51) por meio do diferencial central eletrônico controlado por um botão no console central. A pequena tela central no meio do painel mostra a pressão do turbo – e acionando o modo Sport#, ela sobe imediatamente, junto com o assobio da turbina. Torque e potência vão ao topo (305 cv/41,7 kgfm) e o STI dispara, colado ao asfalto como poucos. É uma experiência indescritível, alucinante e exaustiva. Viciante. Sob protestos da minha família, eu colocaria um na garagem agora mesmo.

—-
Ficha técnica:

Subaru WRX STI

Preço básico: R$196.900
Carro avaliado: R$ 196.900
Motor: 4 cilindros boxer (horizontalmente opostos) 2.5, 16V, duplo comando continuamente variável, turbo com intercooler
Cilindrada: 2457 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 305 cv a 6.000 rpm
Torque: 41,7 kgfm a 4.000 rpm
Câmbio: automático sequencial, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e duplo braço oscilante (t)
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: integral, diferenciais com deslizamento limitado (central ajustável)
Dimensões: 4,595 m (c), 1,795 m (l), 1,475 m (a)
Entre-eixos: 2,650 m
Pneus: 245/40 R18
Porta-malas: 340 litros
Tanque: 60 litros
Peso: 1.516 kg
0-100 km/h: 5s2
Velocidade máxima: 255 km/h
Consumo: não divulgado
Emissão de Co2: sem dados
Nota do Inmetro: não participa
Classificação na categoria: não participa

—–

Contraponto

Por Rafael Poci Déa

Este foi o meu segundo contato com a quarta geração do Subaru WRX STI. A primeira vez, em seu lançamento no Brasil, na pista da Fazenda Capuava, no interior de São Paulo. Diferentemente do meu colega Flavio Silveira, acho fantástico tanto o enorme aerofólio fincado na tampa do porta-malas quanto as rodas douradas. Por diversas vezes, lembrei do Impreza “555” do finado piloto finlandês Colin McRae no WRC (Campeonato Mundial de Rali).

Apesar de seu 310 cv de potência, o Subaru WRX STI é um carro muito fácil de guiar, graças à tração integral, que o deixa grudado no chão. Faço elogios também ao câmbio manual, que tem engates para lá de precisos. Eu o usaria tranquilamente no meu dia a dia. Aliás, também não me incomodei com as suspensões firmes, nem a embreagem, nem o volante pesado e tampouco com o sistema de áudio “antiquado”. O estilo da cabine me agradou, por focar na funcionalidade ao invés de “mimos” ou luzinhas coloridas no interior. Eu compraria sem dúvidas um Subaru WRX STI. Até faria a loucura de vender meu compacto italiano para ajudar no pagamento.

COMPRE SE…
Você gosta de dirigir esportivamente e quando está ao volante quer sentir a mecânica atuando e as rodas trabalhando.
 Você quer um esportivo que acelere muito mas não custe tão caro quanto os das grifes Mercedes-AMG, BMW M ou Audi RS.

NÃO COMPRE SE…
Você vai usá-lo como carro principal no cotidiano, levando a família, e tem que rodar por ruas e estradas esburacadas.
 Você é uma pessoa discreta e não gosta de atrair olhares. Com esse WRX STI e seu aerofólio, você vai chamar muita atenção.

AVALIAÇÃO
Motor
Câmbio
Performance
Consumo
Segurança
Equipamentos
Multimídia
Conforto
Porta-malas
Prazer ao dirigir
COMPARTILHAR
Notícia anteriorNovo carro da Fiat se chamará Mobi
blog comments powered by Disqus