Avaliação: 1.200 km de Honda WR-V

13937

Dez da manhã. Saímos em três Honda WR-V de Foz do Iguaçu (PR), e teríamos 1.038 km até São Paulo. A versão é a topo de linha EXL, de R$ 83.400, razoavelmente alinhada com os rivais (leia a seguir). Por pouco menos que o irmão HR-V em sua versão automática mais básica, o WR-V é mais equipado, porém menos potente e um pouco menor. E muitos dizem que se trata apenas de um Fit enfeitado. Mas, para o consumidor comum, o que importa é o resultado. E se o antigo Fit Twist era de fato um Fit cheio de adereços, o Honda WR-V vai além: tem grade e faróis novos, capô mais alto, traseira modificada, chassi retrabalhado. Ganhou identidade e, aos olhos da maioria, é um carro distinto. Pelo menos por fora, já que na cabine e ao volante, as mudanças em relação ao Fit são mais sutis. O que é bom, pois o monovolume é um ótimo carro.

De cara, senti falta de mimos como ar-condicionado automático e bancos de couro. Acomodei águas, balas e salgadinhos nos inúmeros porta-copos e objetos – herança do Fit, nesse ponto melhor que o HR-V (há até um porta-copos em frente à saída de ar para manter a bebida fresca). Ajeitei banco e volante, ambos com ajustes amplos, e tentei conectar o telefone, mas não havia Android Auto (nem Apple CarPlay). A central agradou pelos recursos e pela tela visível sob sol forte, mas peca na interface.

Em pista dupla de asfalto bom, o WR-V mostrou suavidade, desde que contivesse o pé na metade do curso do acelerador. Assim, ganhava velocidade sem ultrapassar 3.500 rpm e a 110 km/h rodava na faixa de 2.000 a 2.500 rpm, silencioso. No trecho seguinte, porém, pista única com muitos caminhões, foram necessárias muitas ultrapassagens. O WR-V respondia bem, mas quando a transmissão CVT deixava o motor acima de 4.000 rpm, seu ruído invadia a cabine.

Cerca de 400 km depois, pouco cansado graças ao ótimo suporte do banco, chego a Maringá (PR). O anel viário foi bom para testar as suspensões reforçadas: com muitas crateras, calombos e lombadas, é um desafio mais real que estradinhas de terra. O WR-V mostrou o bom trabalho da engenharia, com bem mais robustez e conforto ao rodar que no Fit, e sem batidas secas. Fez valer seu lado “SUV”. Mais adiante, na serra de Cornélio Procópio (PR), voltou a se mostrar SUV, porém pelo lado negativo.

Nas curvas rápidas, por culpa da altura elevada – e apesar do amplo retrabalho nas suspensões –, a carroceria deitava demais. Não chegava a assustar de verdade, mas um controle de estabilidade garantiria mais tranquilidade. Outro lado negativo apareceu no consumo, por culpa da aerodinâmica. Na estrada, fez 8,9 km/l com etanol e 12,5 km/l com gasolina, números piores que os do Fit. Mesmo assim, na categoria só perde para o Nissan Kicks.

Dez da noite, chegamos a São Paulo. O WR-V fora aprovado na estrada, embora não seja o cenário ideal para ele – como ficou claro depois de rodar uns dias (e outros 200 km) na buraqueira da cidade grande, disputando vagas e carregando filhos e tralhas. Então ele mostrou seu maior valor. O consumo foi apenas razoável, 10 km/l de gasolina, mas o crossover conquistou pelo conforto ao enfrentar pisos ruins e valetas e pela praticidade, graças à dirigibilidade acertada e às dimensões externas mais compactas – e com espaço interno surpreendente. No fim, o WR-V convenceu pelo que de fato é: um Fit com cara de aventura e muito mais robustez. Porque nem todos precisam de um HR-V.

CONFIRA OS CONCORRENTES DO HONDA WR-V


Ficha técnica:

Honda WR-V EXL

Preço básico: R$ 79.400
Carro avaliado: R$ 83.400
Motor: 4 cilindros em linha 1.5, 16V, comando simples, variável i-VTEC (desativação de válvulas)
Cilindrada: 1497 cm3
Combustível: flex
Potência: 115 cv a 6.000 rpm (g) e 116 cv a 6.000 rpm (e)
Torque: 15,2 kgfm a 4.800 rpm (g) e 15,3 kgfm a 4.800 rpm (e)
Câmbio: automático CVT (continuamente variável), modos Sport e Low (“reduzida”)
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,000 m (c), 1,734 m (l), 1,599 m (a)
Entre-eixos: 2,555 m
Pneus: 195/60 R16
Porta-malas: 363 litros (bancos rebatidos, até a tampa: 1.045 litros)
Tanque: 45 litros
Peso: 1.130 kg
0-100 km/h: 12s0 (g) e 11s5 (e) – medição MOTOR SHOW)
Velocidade máxima: 175 km/h (estimada)
Emissão de CO2: 111 g/km
Consumo cidade: 11,7 km/l (g) e 8,1 km/l (e)
Consumo estrada: 12,4 km/l (g) e 8,8 km/l (e)
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: A (Utilitário Esportivo Compacto)

blog comments powered by Disqus