Avaliação: Audi Q3 Flex chega à maturidade

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Não é por pouco motivo que o Audi Q3 se tornou o SUV/crossover premium mais vendido do Brasil no ano passado. Com 4.412 unidades emplacadas, ele superou de longe os rivais BMX X1 (3.443 vendas), Land Rover Discovery Sport (3.440) e Mercedes-Benz GLA (3.309). Seu sucesso é decorrência natural de um carro bem pensado e bem construído. O Q3 é o menor SUV da linha Audi e foi lançado em 2012 no Salão de Detroit. Seu porte compacto, sua grande dirigibilidade, sua discreta e esportiva elegância, bem como a eficiência do motor turbinado com injeção direta de combustível, são as razões de sua boa aceitação no mercado. Agora a Audi adicionou mais um quesito ao Q3: o sistema flex no motor 1.4 TFSI.

O Q3 1.4 Flex chegou ao mercado em três versões: Attraction (R$ 143.190), Ambiente (R$ 154.190) e Ambition (170.190). Ele é o segundo carro bicombustível da marca – o primeiro foi o Audi A3 Sedan. Tivemos a oportunidade de avaliar o Q3 Ambition em cerca de 1.300 km, em estradas e cidades de São Paulo e do Paraná. E nessa viagem o Q3 1.4 pode mostrar toda a versatilidade de seu motor flex. A potência máxima (150 cv) surge entre 4.000 e 6.000 giros, mas não é preciso chegar a tanto para desfrutar de todo dinamismo desse Audi compacto. O torque de 25,5 kgfm está disponível entre 1.500 e 3.500 giros (com gasolina ou com etanol) e torna o carro muito ágil.

Para receber o etanol, o motor TFSI recebeu tratamento diferenciado nas peças que mantêm contato com o combustível (tanque, galerias e bombas de alimentação, entre outras). Mais que isso: um sensor do motor reconhece a mistura ar/etanol antes da queima (uma exigência do sistema com turbina) e cria uma referência precisa para o módulo de injeção. O melhor de tudo é que, rodando, essas modificações no motor são imperceptíveis para o motorista – o Q3 flex é tão bom como o antigo Q3 a gasolina.

Ao contrário do que ocorreu com o Volkswagen Golf, o Audi Q3 não perdeu seus melhores atributos técnicos ao se nacionalizar. A suspensão traseira continua sendo independente (multilink) e a transmissão é a excelente S tronic automatizada de seis velocidades com dupla embreagem. Portanto, seja nas ruas cheias de saliências de São Paulo, nas boas pistas da Rodovia Castello Branco ou na ultrapassada BR-369 (pista simples no norte do Paraná), o Audi Q3 teve um comportamento dinâmico exemplar.

É um carro que não cansa o motorista nem a pessoa que vai ao lado. Os múltiplos ajustes elétricos do banco e do volante permitem uma posição de dirigir totalmente ao gosto do motorista. Quer dirigir mais elevado? Tudo bem. Quer dirigir afundado atrás do volante? Tudo bem também. Tanto no piloto automático quanto pisando no acelerador, o Q3 é um carro que está sempre à mão de seu condutor. E numa viagem longa nada como poder utilizar as diferentes opções do câmbio S tronic. Seja usando as borboletas do volante ou a alavanca sequencial, as trocas de marchas são muito prazerosas.

Claro que o preço do prazer é cobrado pelo consumo. Fizemos metade do caminho com gasolina e a outra metade com etanol. Com gasolina, o Q3 foi de São Paulo a Londrina sem abastecer e ainda sobrou combustível para mais 78 km, segundo o computador de bordo. Com etanol, foi necessário reabastecer quando faltavam uns 80 km para chegar. Mas tudo isso andando praticamente o tempo todo na velocidade máxima permitida. Um motorista moderado faria o trajeto sem abastecer. Visualmente, o Audi Q3 Flex não trouxe mudanças. A versão de entrada Attraction usa rodas de liga leve aro 17, enquanto as outras duas (Ambiente e Ambition) são equipadas com lindas rodas aro 18.


Ficha técnica:

Audi Q3 1.4 TSFI Flex

Preço básico: R$ 143.190
Carro avaliado: R$ 170.190
Motor: 4 cilindros em linha 1.4, 16V, duplo comando variável, turbo, injeção direta, start-stop
Cilindrada: 1395 cm3
Combustível: flex
Potência: 150 cv de 5.000 a 6.000 rpm (g/e)
Torque: 25,5 kgfm de 1.500 a 4.000 rpm (g/e)
Câmbio: automatizado, seis marchas sequenciais, dupla embreagem
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e multi-link (t)
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,388 m (c), 1,831 m (l), 1,590 m (a)
Entre-eixos: 2,603 m
Pneus: 235/55 R17
Porta-malas: 460 litros
Tanque: 64 litros
Peso: 1.319 kg
0-100 km/h: 8s9 (g/e)
Velocidade máxima: 204 km/h (g/e)
Emissão de CO2: 123 g/km
Consumo cidade: 10,2 km/l (g) e 6,9 km/l (e)
Consumo estrada: 11,9 km/l (g) e 8,1 km/l (g)
Nota do Inmetro: C
Classificação na categoria: B (Utilitário Esportivo Compacto)

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