Avaliação: Chery QQ agrada quem busca um carro urbano

O Chery QQ agora tem um bom motor flex e anda bem na cidade. Ele tem três versões na faixa de R$ 25 mil a R$ 31 mil. Veja se ele pode ser o carro urbano que você procura

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Antes de falarmos sobre o carro mais barato do Brasil, precisamos falar do seu perfil, enquanto consumidor de automóveis. Se você acha que qualquer carro deve servir para levá-lo para outras cidades, carregando bagagem, esposa ou marido, filhos, sogra, cachorro e papagaio, nem leia esta avaliação. Mas, se você procura por um carro de vocação essencialmente urbana, então vale a pena saber mais sobre o Chery QQ, cuja principal novidade é o motor flex na linha 2018. O Chery QQ foi concebido na China e é fabricado em Jacareí (SP). Ele tem três versões: Smile (R$ 25.990), Look (R$ 29.990) e Act (R$ 31.490), que avaliamos.

As diferenças entre a versão topo de linha e a intermediária são bem pequenas – você abre mão apenas das luzes diurnas, sensor de estacionamento traseiro, vidros elétricos traseiros e espelhos elétricos. Já o QQ de entrada não tem ar-condicionado, direção hidráulica, limpador/aquecimento traseiro, chave com comando remoto e rodas de liga leve. Portanto, não pense que o QQ “completinho” virá por esse precinho. De qualquer forma, mesmo o QQ Act é mais barato do que outros carros desse porte. O Fiat Mobi parte de R$ 34.210 (com ar), o Volkswagen Up começa em R$ 37.990 (sem ar) e o Kia Picanto larga de R$ 40.990.

Mas o QQ vale o quanto custa? Parece que sim. Seu motor 3 cilindros 1.0 tem potência máxima de 75 cv (a 6.000 rpm) e torque máximo de 10,1 kg (a 4.500 rpm). São números suficientes para o peso do carro (940 kg), mas exigem que o motor grite bastante para atingi-los. Além do sistema flex, o motor agora tem comando de válvulas variável. Assim, ele conquistou nota A de consumo na classificação geral do Inmetro. Outros pontos positivos do Chery QQ são o espaço interno e a ergonomia. Dentro dele, não há uma sensação de claustrofobia – pelo contrário, é possível andar (na frente) com razoável conforto. Sua posição de dirigir é muito boa e os bancos são mais confortáveis do que os do Mobi (que afundam demais e cansam no trânsito).

A direção hidráulica é bem leve, porém lenta nas respostas. O ar-condicionado funciona bem e o rádio é facílimo de usar. Quanto ao controle dos vidros elétricos, está muito mal posicionado, atrás do freio de mão. É tão difícil de acessar que é preciso procurá-lo com os olhos. Dá saudade da velha e boa manivela. Rodando na cidade, o QQ é surpreendentemente macio (dentro de seus limites, claro), e mostra a agilidade correta para um carro de seu porte. Outro item bem resolvido pelos engenheiros da Chery do Brasil é a questão das vibrações comuns dos motores tricilíndricos, pois não as sentimos.

O câmbio manual de cinco velocidades tem as relações bem adequadas para o uso na cidade. Essa transmissão é fabricada pela chinesa Acteco e lembra os câmbios Fiat do começo dos anos 1990. Os engates são fáceis, mas as mudanças são secas, um tanto ruidosas – é preciso ser bem delicado nas trocas de marcha. Quem não tem muita familiaridade com câmbios manuais vai estranhar. Mas dá para se acostumar. Um carro barato cobra seu preço em alguns aspectos. No caso do Chery QQ, o quadro de instrumentos é um grande pênalti. É feio, desproporcional e principalmente ruim de ler. As marcações de conta-giros e as de consumo de combustível parecem ser uma coisa só, numa faixa contínua, e ainda se confundem com os elementos estéticos que ficam abaixo dessa faixa.

Se na cidade o QQ Flex anda bem, na estrada ele se sente fora da casinha. A partir de 100 km/h o carro começa a ficar perigoso. Qualquer freada faz com que ele balance bastante. E a suspensão traseira por eixo rígido (a mais simples que existe) não ajuda nada nas curvas. Melhor ficar com ele só na cidade, até porque o porta-malas é minúsculo e de difícil acesso (só abre o vidro traseiro). Mesmo fabricado no Brasil, o Chery QQ teve só 907 unidades vendidas no primeiro semestre. Tem potencial para crescer, mas na China o QQ já deixou de ser um sucesso. Lançado em 2003, teve seu auge em 2009, quando vendeu mais de 168 mil unidades. Depois veio caindo até chegar a 17 mil, em 2016. Este ano, nos primeiros cinco meses, o QQ vendeu 6.632 unidades no mercado chinês.


Ficha técnica:

Chery QQ 1.0 Act

Preço básico (AT): R$ 25.990
Carro avaliado: R$ 31.490
Motor: 3 cilindros 1.0, 12V, comando de válvulas variável
Cilindrada: 998 cm3
Combustível: flex
Potência: 74 cv a 6.000 rpm (g) e 75 cv a 6.000 rpm (e)
Torque: 9,7 kgfm a 4.500 rpm (g) e 10,1 kgfm a 4.500 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: hidráulica
Suspensões: MacPherson (d) e eixo rígido (t)
Freios: disco (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 3,564 m (c), 1,620 m (l), 1,527 m (a)
Entre-eixos: 2,340 m
Pneus: 175/65 R14
Porta-malas: 160 litros
Tanque: 35 litros
Peso: 940 kg
0-100 km/h: 14s3 (e)*
Velocidade máxima: 165 km/h (e)
Consumo cidade: 12,9 km/l (g) e 8,9 km/l (e)
Consumo estrada: 14,4 km/l (g) e 9,9 km/l (e)
Emissão de CO2: 98 g/km
Nota do Inmetro: A
Classificação na categoria: A (Micro-Compacto)

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