Avaliação: Honda WR-V mostra todas as virtudes de um Fit crossover

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A Honda ataca novamente. Depois de abalar o mercado de SUVs e crossovers com o o lançamento do HR-V, que se tornou líder da categoria, a marca japonesa agora sai na frente ao lançar o menor crossover do Brasil. Trata-se do WR-V, um carro que tem todas as características para se tornar um sucesso de vendas. É bonito, é compacto e baseia-se no Fit, um dos carros de maior credibilidade no País. Além disso, o WR-V não é um simples “Fit aventureiro”, mas um legítimo crossover (a Honda vai chamá-lo de SUV), pois recebeu profundas modificações mecânicas. Mas, calma. O WR-V também está longe de ser um “mini HR-V”, como alguns consumidores mais afoitos podem pensar. O Honda WR-V tem sua própria personalidade. (Confira aqui as versões e preços do crossover)

É um legítimo crossover, que reúne muitas características de um monovolume (o Fit) com algumas de SUV (suspensão reforçada, altura mínima elevada e posição de dirigir alta). O carro foi apresentado oficialmente em Foz do Iguaçu hoje (13 de março)  e começará a ser vendido na última semana do mês. Entretanto, tivemos a oportunidade de dirigi-lo em primeira mão em estradas de asfalto, ruas de paralelepípedos e caminhos de areia do litoral paulista, perto da elegante Riviera de São Lourenço. Quem conhece o Honda Fit vai gostar do WR-V. Devido aos reforços feitos na suspensão e na direção, à elevação da carroceria e aos pneus mais largos e mais altos, o carro ficou melhor de guiar em pisos ruins e ganhou em conforto.

Visualmente, o WR-V teve o capô elevado e perdeu o aspecto de monovolume do Fit. A traseira tem lanternas envolventes e largas, no mesmo estilo das que equipam o Civic e o CR-V. Toda a parte inferior do carro é revestida de plástico preto, inclusive as caixas de rodas. E o teto tem um rack. O desenho das rodas também é exclusivo. Por dentro, ele é igual ao Fit EXL, mas os bancos e os painéis das portas têm um tecido exclusivo, cheio de tramas (na cor laranja quando a carroceria for vermelha). O sistema multimídia tem tela de 7” sensível ao toque e navegador por GPS. Para transformar o Fit no WR-V, os engenheiros da Honda (no Brasil e no Japão) foram fundo no bisturi.

A cirurgia começou no próprio chassi. O entre-eixos cresceu 2,5 cm. As bitolas (distância entre as rodas) foram aumentadas em 4 cm na dianteira e na traseira. A altura mínima do carro passou de 145 para 179 mm (em relação aos eixos). Já o vão livre entre a carroceria e o solo é de 207 mm (mesmo valor do HR-V). Para compensar a maior altura, o cáster também foi ajustado. Mesmo assim, a Honda queria o WR-V “no chão”, ou seja, bastante estável não apenas nas retas (graças ao ângulo de cáster), mas também nas curvas. Por isso, seus engenheiros encomendaram para a Pirelli um pneu de medida nova no Brasil (195/60 R16). Assim, o WR-V ganhou pneus mais largos e de perfil mais alto. Para além do fato de serem do tipo “verde”, com menos resistência no atrito, os Pirelli P1 contam com duas lonas e dobram menos nas curvas. Em breve, o WR-V ganhará também uma opção de pneus Bridgestone.

Para completar a receita de um rodar mais macio e adequado a cidades com buracos e valetas nas ruas, a Honda introduziu buchas mais robustas, molas de SUV e amortecedores de maior diâmetro na suspensão dianteira. Na traseira, o eixo de torção foi enrijecido. Rodando, a direção do WR-V ficou tão leve que num primeiro momento assusta. Mas basta fazer algumas manobras para perceber que ela responde prontamente. O novo sistema de direção foi herdado do HR-V. Além disso, a coluna tem três pontos com buchas para filtrar melhor as irregularidades do piso. Conforto e praticidade são os itens que realmente podem fazer a diferença no Honda WR-V. Como ele não tem o porte nem o motor 1.8 do HR-V, não espere dele grande desempenho. Ele fica muito aquém de seu irmão maior
nesse quesito.

O motor de 116 cv (compatível com o do Nissan Kicks) não garante ao WR-V acelerações brilhantes, mas o bom câmbio CVT, ligeiramente reajustado devido ao peso e aos pneus maiores, garante uma ótima nota de consumo. E as solicitações do acelerador são prontamente respondidas. Mas a versatilidade do Fit, com bancos configuráveis de várias maneiras (inclusive para se transformar numa cama), está presente em cada detalhe. A posição, o tamanho e a quantidade de porta-objetos é notável. Mais ainda o espaço traseiro. Pessoas de 1,80 m podem raspar ligeiramente a lateral da cabeça na curva do teto, mas como o banco traseiro é inclinado, basta escorregar o corpo um tantinho à frente para eliminar esse problema, pois o espaço para as pernas é enorme para os passageiros.

Quanto ao porta-malas, os 363 litros eram suficientes para o Fit, mas tornaram-se um ponto fraco agora que o carro pretende ser chamado de SUV (de qualquer forma, é maior que o do Renegade, e equibalente ao do EcoSport. A Honda vai produzir o WR-V na fábrica de Sumaré (SP), que já faz HR-V, Civic e City. O plano é exportar o WR-V para a América Latina. Os preços e as versões serão apresentados também hoje (link aqui muito em breve). A Honda vai posicioná-lo entre o Fit (que já passou das 500.000 unidades vendidas no Brasil) e o HR-V. A ideia é fazer com que o WR-V seja o carro de entrada do segmento de crossovers, o que significa um ataque direto ao Ford EcoSport 1.6.

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Ficha técnica:

Honda WR-V 1.5 CVT

Preço básico: R$ 79.400
Carro avaliado: R$ 83.400
Motor: 4 cilindros em linha 1.5, 16V, comando variável i-VTEC (desativação de válvulas)
Cilindrada: 1496 cm3
Combustível: flex
Potência: 115 cv a 6.000 rpm (g) e 116 cv a 6.000 rpm (e)
Torque: 15,2 kgfm a 4.800 rpm (g) e 15,3 kgfm a 4.800 rpm (e)
Câmbio: CVT (continuamente variável)
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,000 m (c), 1,734 m (l), 1,574 m (a)
Entre-eixos: 2,555 m
Pneus: 195/60 R16
Porta-malas: 363 litros (1.045 litros com os bancos rebatidos)
Tanque: 46 litros
Peso: 1.130 kg
0-100 km/h: 11s5 (medição MOTOR SHOW)
Velocidade máxima: não divulgada
Consumo cidade: 11,7 km/l (g) e 8,1 km/l (e)
Consumo estrada: 12,4 km/l (g) e 8,8 km/l (e)
Emissão de CO2: 111 g/km
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: A (Utilitário Esportivo Compacto)

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