Avaliação: Hyundai Creta 2.0 tem a fórmula do sucesso

Em um primeiro e breve contato, testamos o Hyundai Creta na versão Prestige 2.0, topo de linha. Bem equipada e boa de guiar, é uma boa opção na faixa de R$ 100.000

Ele chega sob muita expectativa e com enorme potencial de sucesso. Depois de aparecer em diversos países, seja como ix25, seja como Creta, o crossover-SUV compacto da Hyundai finalmente foi lançado no Brasil. Produto global, ele aqui chega como Creta, e com adaptações estéticas e mecânicas ao mercado local, como a grade maior, os cromados extras e os motores flex. Todos os detalhes sobre o lançamento, motorizações, versões, preços e equipamentos você confere clicando aqui.

Agora, vamos à avaliação da primeira versão com a qual tivemos contato – a Prestige, topo de linha. Com motor 2.0 e câmbio automático de seis velocidades, tem preço sugerido de R$ 99.490. Ela é a única da linha com ar-condicionado automático e digital, airbags laterais e de cortina, volante de couro, chave presencial, acendimento automático dos faróis e central multimídia com tela colorida, Android Auto/Apple CarPlay e GPS. O curioso é que muitos desses itens estão disponíveis nos rivais em versões mais baratas, mas no caso do Creta já “somem” na versão Pulse, a única outra com motor 2.0, vendida por R$ 92.490.

Além desses itens citados, a Prestige, que deve ser a mais vendida nos primeiros meses, tem interior de couro marrom, retrovisor rebatível eletricamente e banco do motorista com sistema de ventilação por furinhos no couro – novidade no segmento e bastante útil em um país quente como o Brasil. Mas vale notar que, por outro lado, fica devendo retrovisor eletrocrômico e borboletas para trocas de marcha no volante.

Olhando de fora, o design do Creta chama a atenção por motivos distintos dos habituais. Diferentemente de outros Hyundai, cujo design curvilíneo e rebuscado (até exagerado, podemos dizer) agradou à maioria das pessoas, o Creta tem linhas mais conservadoras e discretas. Já o interior mistura elementos do Elantra com outros do HB20, dando a sensação de bastante familiaridade para quem já tem ou teve outros carros da marca. O acabamento é bem feito, sem rebarbas e peças mal encaixadas, mas a parte superior das portas, assim como a cobertura do painel, são de plástico duro texturizado. Podiam ser macios ao toque.

O espaço interno está dentro da média do segmento, assim como o porta-malas com capacidade para 431 litros de bagagem, quase idêntico aos do HR-V e do Nissan Kicks. No banco traseiro, viajam com conforto dois adultos e uma criança: contam com bom espaço para cabeça e para os joelhos, mas não têm visibilidade tão boa do mundo externo, pois o assento é baixo (por causa do caimento do teto) e a linha de cintura, alta. São aqueles pequenos sacrifícios em nome do design.

Em um rápido test-drive na ilha de Florianópolis, encaramos asfalto liso, paralelepípedos, ruas residenciais e estradas. Não deu para fazer médias de consumo do 2.0 (até 166 cv), mas de qualquer modo, como mostram os números oficiais do PBEV (ficha técnica abaixo), mais uma vez, são números na média do segmento, apenas um pouquinho piores que os do Honda HR-V – que tem motor 1.8 mais fraco, de até 140 cv.

Embora, como os rivais, o Creta tenha o mais simples eixo de torção traseiro, as suspensões são dignas de elogios. Nas curvas rápidas em asfalto bom, os pneus 215/60 R17 mostraram boa aderência e a carroceria inclinou pouco. Mesmo assim, nos paralelepípedos e nas vias esburacadas, as suspensões se mostraram bastante silenciosas e confortáveis. Parece que depois de apanhar um tanto com o HB20, a Hyundai enfim conseguiu fazer um acerto bem adequado às nossas condições de uso.

Bem acertada também é a direção elétrica. Embora não seja tão boa assim em transmitir ao motorista o que se passa com as rodas, é bastante leve e suave em baixas velocidades e ganha peso quando se vai mais rápido. E aquela pitada de sensibilidade que falta à direção sobra no pedal do acelerador. É preciso se adaptar a ele para evitar aceleradas bruscas ou reduzidas indesejadas. Mas esse é um “problema” que aparece mais nessa versão 2.0, que tem respostas bastante vigorosas.

Com bloco de alumínio, duplo comando variável e coletor de admissão variável, o motor emprestado do Elantra tem boa elasticidade garante boas retomadas, além de uma aceleração de 0-100 km/h em menos de 10 segundos. Ele trabalha normalmente em silêncio, com o conta-giros marcando pouco mais de 2.500 rpm a 120 km/h, mas quando é mais exigido, grita bem – o isolamento acústico da cabine podia ser melhor (de novo, um problema também do HR-V). O mais comum, porém, é que no uso cotidiano o 2.0 trabalhe mais em baixas rotações, pois a transmissão prioriza o consumo, subindo de marcha sempre que pode. Mas, como disse, a qualquer pisada mais forte no acelerador o Creta reduz até duas marchas, garantindo ótimas respostas,porém barulhentas. A solução é pisar leve ou ativar o modo sequencial e fazer as trocas manuais (só na alavanca), pois ele acertadamente não faz kick-down (redução ao se pisar fundo) no modo sequencial.

O contato foi rápido, mas suficiente para ver que o Creta tem enormes chances de conseguir um lugar no pódio. Se faltam alguns equipamentos nas versões mais simples, nessa topo de linha a lista é bem atraente, ainda mais quando olhamos para as outras opções do mercado. Porque uma grande vantagem desse Creta 2.0 está na mecânica, que garante desempenho mais que suficiente combinado a um consumo relativamente contido. Juntando a boa fama da marca coreana aos preços competitivos e à garantia de cinco anos, ele tem os atributos necessários para fazer sua parte (e expectativa é que as duas versões 2.0 representem juntas 60% das vendas) na tarefa de colocar a marca coreana entre as líderes de vendas também nesse segmento. Ele pegou a fórmula do sucesso do Honda HR-V e a evoluiu. Será mais um hit do mercado

FICHA TÉCNICA

HYUNDAI CRETA 2.0
Preço básico: R$ 92.490
Carro avaliado: R$ 99.490

Hyundai Creta Prestige 2.0 AT
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, duplo comando continuamente variável, coletor de admissão variável
Cilindrada: 1999 cm3
Combustível: flex
Potência: 156 cv a 6.200 rpm (g) e 166 cv a 6.200 rpm (e)
Torque: 19,1 kgfm a 4.700 rpm (g) e 20,5 kgfm a 4.700 rpm (e)
Câmbio: automático sequencial, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,270 m (c), 1,780 m (l), 1,635 m (a)
Entre-eixos: 2,590 m
Pneus: 215/60 R17
Porta-malas: 431 litros
Tanque: 55 litros
Peso: 1.399 kg
0-100 km/h: 9s7 (e)
Velocidade máxima: 188 km/h (e)
Consumo cidade: 10 km/l (g) e 6,9 km/l (e)
Consumo estrada: 11,4 km/l (g) e 8,2 km/l (e)
Emissão de CO2: 126 g/km*
Com etanol: zero
Nota do Inmetro: C*
Classificação na categoria: A (utilitário esportivo compacto)

*estimados

 

blog comments powered by Disqus