Avaliação: Hyundai Elantra e a sua difícil vida no Brasil

O Hyundai Elantra mudou, mas será que ele conseguiu seduzir nosso exigente repórter perante um concorrente turbinado?

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Sempre achei o Hyundai Elantra bonito. E a linha 2017 trouxe um facelift pelo preço inicial de R$ 84.990. Mas, apesar de ser mais em conta do que certos rivais, eu não o compraria. Ao invés dele, optaria pelo Volkswagen Jetta Trendline 1.4 TSI automático (R$ 86.431). Afinal, por uma pequena diferença de preço levo para casa um sedã turbinado, que entrega torque abundante, melhores respostas desde cedo e comportamento mais esportivo – atributos muito mais afinados com meu gosto pessoal. O 2.0 do Hyundai é superior em potência (167 cv, contra 150 cv do Volks), mas eu esperava um temperinho a mais… Se tivesse uma versão com motor 1.6 turbo de 203 cv, como nos EUA, a conversa seria outra.

Mas, ao invés de ficar decepcionado com o desempenho do motor, foquei minhas atenções no funcionamento do câmbio automático de seis marchas e no seletor de modos de condução, com os programas Eco, Normal e Sport. Com qualquer um deles selecionado, senti bem a diferença e, no modo Sport, o sedã da Hyundai até me arrancou um sorriso amarelo. Gostei muito das suspensões, pelo bom compromisso entre conforto e dureza, transmitindo confiança e boa dinâmica, como pude comprovar ao abusar um pouco nas curvas. Já no uso urbano, palmas para o conjunto por absorver bem as irregularidades do asfalto.

Alguns podem me chamar de “tiozinho” pela minha preferência de guiar com o banco alto (já levei algumas broncas de meus colegas de redação por essa predileção). Por isso, não curti a baixa posição de dirigir do Elantra. Tudo é uma questão de gosto! Por dentro, a cabine é bem acabada e os materiais são de qualidade. Além disso, merecem elogios também os confortáveis bancos e o design muito bem resolvido do painel, com linhas retas. Entretanto, o espaço interno está na média dos rivais.

Quem viaja atrás encontra bom espaço para as pernas, devido ao entre-eixos de 2,700 m – o mesmo do Chevrolet Cruze. Aliás, nesse quesito o Elantra é superior comparado ao Jetta (2,510 m), contudo, o seu porta-malas é inferior ao do Volks (510 litros). Ah, e nos dias em que fui “proprietário” de um Elantra não gostei nem um pouco da interface da central multimídia. Reconheço, entretanto, que o Elantra está inserido em um segmento muito competitivo e cheio de carros bons e ótimos. Como já disse, esse Hyundai não é ruim, mas ele não despertou ou criou em mim uma vontade de tê-lo estacionado em minha garagem.

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Ficha técnica:

Hyundai Elantra Top

Preço básico: R$ 84.990
Carro avaliado: R$ 114.990
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, duplo comando continuamente variável
Cilindrada: 1.999 cm3
Combustível: flex
Potência: 157 cv a 6.200 rpm (g) e 167 cv a 6.200 rpm (e)
Torque: 19,1 kgfm a 4.700 rpm (g) e 20,5 kgfm a 4.700 rpm (e)
Câmbio: automático sequencial, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,570 (c), 1,800m (l), 1,465 m (a)
Entre-eixos: 2,700 m
Pneus: 205/60 R16
Porta-malas: 407 litros
Tanque: 56 litros
Peso: 1.260 kg
0-100 km/h: 10s5*
Velocidade máxima: não divulgada
Consumo: não divulgado
Emissão de CO2: 117 g/km*
Nota do Inmetro: B*
Classificação na categoria: D*
*estimado


Contraponto

Por Evandro Enoshita

Diferente do meu colega Rafael, não acredito que o fato de o Elantra ser equipado com um motor 2.0 aspirado seja um fator decisivo para não levar o sedã médio coreano para minha casa. Aliás, acho que muita gente concorda com a minha opinião (basta ver as vendas do Toyota Corolla). O encanto do Elantra está justamente em ser uma alternativa aos modelos mais tradicionais do segmento, e que pode até não arrancar sorrisos genuínos, mas está (bem) longe de decepcionar.

Assim como o Rafael, sou fã de uma posição de dirigir mais alta. Mas mesmo assim a posição de dirigir baixinha do Elantra não me incomodou. O comportamento dinâmico e as respostas do motor me agradaram, bem como o funcionamento da transmissão automática. Uma ressalva apenas para o comportamento da caixa no modo Sport, quando o câmbio “se perde” um pouco nas trocas. Se eu compraria o sedã da Hyundai? Bom, eu tenho um histórico de fugir das opções mais tradicionais do mercado, e tenho um Peugeot 207. Então não me pergunte duas vezes!

COMPRE SE…
 Você gosta de um visual arrojado e ainda recém-atualizado.
No quesito design, o Elantra é, sim, imbatível.
 Você deseja um sedã bom de curva. O acerto de suspensões permite contornar curvas rapidamente, transmitindo segurança.

NÃO COMPRE SE…
 Você quer um sedã “rápido no gatilho”. É mais potente que alguns rivais turbinados, mas não entrega as mesmas respostas.
 Tiver família grande e precisa de um porta-malas volumoso para carregar toda a tralha no carro. Perde até para alguns hatches.

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