Avaliação: McLaren 570S é o esportivo nosso de cada dia

O incrível McLaren 570S, é um cupê para o dia-a-dia com linhas extremas e um handling maravilhoso. Um hino à leveza que transforma curvas em oportunidades. Na mira, nem é preciso dizer, está o mítico Porsche 911

Sim, outro rival para o 911. Eles não têm faltado nos últimos anos: Audi R8, Mercedes-AMG GT, Nissan GT-R, Aston Martin V8 Vantage, Jaguar F-Type… Mas parece que alguns não entendem bem como combater o 911, não captam sua essência. Esse McLaren 570S a princípio parece repetir o erro: é difícil imaginá-lo no papel de cupê para o cotidiano. Uma questão de estilo: linhas e proporções causam o efeito “uau!” que marca os supercarros da marca, distantes da “normalidade” que sempre foi um dos segredos do 911 Turbo.

A princípio, de fato é difícil imaginar um cotidiano com portas “tesoura”. Mas basta usá-las por um tempo para ver que a hesitação é mais psicológica que prática. Complicado é chegar ao volante, pois a soleira atrapalha o acesso. Lá, porém, a posição de direção, pedais e assento é perfeita. E o interior é cheio de “mclarenismos”: cluster configurável, console longo e estreito, estilo minimalista, de certo modo pragmático. Essa filosofia “sem frescuras” é um modo de lembrar que parte essencial do apelo dos McLaren está no que… não há. O que não é funcional some. Cada grama eliminado é uma conquista.

De fato a leveza é essencial: o 570S pesa só 1.388 kg graças ao chassi de fibra de carbono com quadros auxiliares de alumínio. E isso ajuda nas mudanças de direção fulminantes, privadas de qualquer inércia. Você pensa e o carro faz. Uma característica que se vê em outros esportivos de motor central – mas no 570S é demonstrada com naturalidade. E se o 570S é um carro extremamente rápido, também é capaz de andar devagar. E até pode ser confortável. Basta mudar o seletor no console.

Ao escolher o modo T (Track), porém, o 570S esquece a aptidão para o cotidiano e se torna uma máquina só para conhecedores. As turbinas ficam devendo prontidão, nuance de quase todo 8 cilindros sobrealimentado (nada mais será tão mágico quanto o V10 do Audi R8). Mas a progressão desse V8 é extraordinária, e ele gira até 8.000 rpm, à espera das trocas de marcha fulminantes. Motor e câmbio formam uma dupla excepcional, e a potência é despejada com eficiência no asfalto: a McLaren considera o tradicional diferencial autoblocante muito áspero, prefere a eletrônica. Uma solução incomum, mas que dá frutos – ao menos na estrada.

O que mais empolga no 570S é o diálogo perfeito entre dianteira e traseira. As rodas da frente podem se espalhar à vontade, e aí o piloto usa as traseiras para “travar” ou “deslizar”, como quiser (ou precisar). É como se fosse uma segunda direção. E falando na primeira, é tão comunicativa que dá pra contar grãos de areia no asfalto. Para deixar tudo mais saboroso e viciante, há a visibilidade clássica dos McLaren: não se vê quase nada para trás, tornando as rés emocionantes. O que importa é olhar para a frente.


Ficha técnica:

McLaren 570S

Preço básico: R$ 800.000
Carro avaliado: R$ 800.000
Motor: 8 cilindros em V 3.8, 32V, duplo comando variável, variação de abertura de válvulas (VVT), biturbo, injeção direta
Cilindrada: 3799 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 570 cv a 7.500 rpm
Torque: 61,2 kgfm de 5.000 a 6.500 rpm
Câmbio: automatizado, sete marchas, dupla embreagem
Direção: eletro-hidráulica
Suspensões: duplo triângulo(d/t), amortecedores adaptativos
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: traseira, bloqueio eletrônico do diferencial
Dimensões: 4,53 m (c), 1,82 m (l), 1,20 m (a)
Entre-eixos: 2,670 m
Pneus: 225/35R19 (d) e 285/35R20 (t)
Porta-malas: 131 litros
Peso: 1.313 kg (seco) – 1.561 kg (teste)
0-100 km/h: 3s1 (teste)
Velocidade máxima: 328 km/h
Emissão de CO2: 249 g/km (Europa)
Consumo: não divulgado
Nota do Inmetro: não participa

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