Avaliação: Mercedes C 300 Cabriolet foi feito para os jovens de espírito

O mercado brasileiro tem atualmente apenas seis modelos cabriolet: Audi A3, Audi A5, BMW Série 4, Chevrolet Camaro, Fiat 500 (três versões), Mercedes Classe E (duas versões) e Smart Fortwo. A diferença dos cabriolet para os roadsters (cinco modelos no Brasil) é que eles têm também o banco de trás e posição mais elevada de dirigir, pois normalmente são derivados de cupês tradicionais. Para a Mercedes-Benz, entretanto, só os alemães interessam – e eles formam um mercado de 470 carros/ano, com a liderança do BMW 428i Cabrio, que é R$ 27.000 mais barato que o Mercedes E 250 Turbo Cabrio.

Por isso, a marca da estrela resolveu partir para o ataque e vai importar, a partir de novembro, o novíssimo Classe C Cabriolet. O primeiro conversível da Classe C foi apresentado na Itália. Num test drive de dois dias, com direito a várias entradas na vizinha Eslovênia, pudemos dirigir o C 300 Cabriolet, que tem motor 2.0 de 245 cv, e o Mercedes-AMG C 63 S Cabriolet, que usa um V8 de 510 cv (veja na página 25). A missão do Classe C Cabriolet é objetiva: trazer clientes jovens de espírito e que estejam dispostos a entrar na marca diretamente num carro esportivo e exclusivo. No Brasil, a missão é um pouco maior: derrubar a liderança do Série 4 Cabrio.

A Mercedes deve trazer apenas duas versões este ano: 200 e 300. A primeira (também 2.0, mas de 184 cv), para brigar em preço com o BMW 428i e o Audi A5; a segunda (das fotos), para quem busca um pouco mais de potência. O Mercedes C 300 Cabriolet tem um design sexy, com linhas herdadas do Classe S (2013). O capô é longo e as laterais são altas. A frente utiliza a grade estilo diamante. A capota de lona com placa de vidro abre em 20 segundos com o carro em movimento até 50 km/h.

As lanternas traseiras são alongadas para a lateral e a esportividade é ressaltada nos vários cromados. Apesar do sol que domina a região de Trieste, uma chuva inesperada nos obrigou a rodar boa parte do tempo com a capota fechada. Para quem vai na frente, a distância da cabeça até o teto aumentou 4 cm em relação ao Classe C sedã; atrás, o acréscimo na altura foi de 12 cm. Apesar dessa comparação, o C Cabriolet é totalmente derivado do C Coupé. Sob garoa, o sistema aircap (boné de ar) evita que os passageiros se molhem, pois uma aba se abre sobre o parabrisa e uma tela sobe atrás do banco traseiro, para evitar a turbulência na cabine.

O carro também dispõe do airscarf (cachecol de ar), um sistema que joga vento quente para cima, por trás dos bancos dianteiros, para permitir seu uso no inverno. Como segurança, conta com sete airbags e santantônio, que fica embutido e surge só em caso de imimente capotamento. Dinamicamente, o 300 C Cabriolet é perfeito. O sistema Dynamic Select permite cinco modos de condução: Eco, Comfort, Sport, Sport Plus e Individual. Ele muda os parâmetros do motor, do câmbio (automático sequencial 9G-Tronic), da suspensão e da direção, tornando o veículo mais mole ou mais arisco.

A posição de dirigir mantém o padrão elevado dos carros alemães. Já o sistema comand online agrega muito valor ao C 300 Cabriolet, pois funciona por meio de um touchpad facílimo de usar. A conectividade é acima da média. Para o Brasil, o sistema de áudio deve ser o convencional no C 200 e o da grife Burmester no C 300. Ao contrário dos roadsters, que têm posição de dirigir muita baixa e apenas dois lugares, os cabriolets são conversíveis que entregam a esportividade de forma menos bruta e visam a família. Por isso, a Mercedes optou por não exagerar na potência dos carros escolhidos, pois a gama é incrivelmente ampla.

O gerente de marketing e produto, Evandro Bastos, acredita que o C 180 poderia desagradar pela potência (156 cv) e que o C 250 (210 cv) ficaria muito próximo do C 200. Da mesma forma, o C 400 (V6 de 333 cv) não se justifica para quem busca clientes que farão a primeira compra na marca. Assim, o C 200 e o C 300 parecem boas escolhas para a estreia desse novo conversível no Brasil. Vale dizer ainda que o C 200 tem uma versão com tração integral 4Matic, mas o escolhido será mesmo o de tração traseira. Pelo que vimos nas estradinhas da Itália e da Eslovênia, será suficiente para incomodar os rivais da Audi e da BMW.

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Ficha técnica:

Mercedes-Benz C 300 Cabriolet

Preço básico (estimado): R$ 280.000
Carro avaliado (estimado): R$ 310.000
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, turbo
Cilindrada: 1991 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 245 cv a 5.500 rpm
Torque: 37,8 kgfm de 1.300 a 4.000 rpm
Câmbios: automático sequencial, nove marchas
Direção: elétrica
Suspensões: four link (d) five-link (t)
Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t)
Tração: traseira
Dimensões: 4,686 m (c), 1,810 m (l), 1,409 m (a)
Entre-eixos: 2,840 m
Pneus: 225/50 R17
Porta-malas: 360 litros (285 com a capota recolhida)
Tanque: 66 litros
Peso: 1.690 kg
0-100 km/h: 6s4
Velocidade máxima: 250 km/h
Emissão de CO2: 151* g/km
Consumo combinado cidade/estrada: 14,1 km/l (na Europa)
Nota do Inmetro: não participa

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