Avaliação: A mudança de hábito da Nissan Frontier

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Mudanças sempre são bem-vindas. E, no caso da Nissan Frontier, elas eram necessárias. Sem uma repaginada total há tempos, agora ela deixou de ser fabricada em São José dos Pinhais (PR) e passou a ser importada, primeiro do México e futuramente da Argentina. Mais robusta e confortável, a Frontier adotou um novo chassi “Duplo C” quatro vezes mais forte e 44 kg mais leve, comparado ao da antecessora, possibilitando melhores rigidez torsional e dirigibilidade – seja no asfalto ou no fora-de-estrada. O peso da carroceria reduziu em 94 kg, enquanto outros componentes representaram 38 kg a menos. Com essa dieta, agora a Frontier LE pesa 1.985 kg, contra 2.066 kg da antiga SL AT.

O motor também é novo. O 2.3 16V biturbo entrega a mesma potência e torque do antigo 2.5 16V, ambos movidos a diesel. Esse propulsor tem acionamento por corrente (maior durabilidade) e bomba de óleo variável com controle eletrônico de pressão (melhora a lubrificação e a temperatura). As arrancadas são vigorosas e o torque máximo aparece em menor faixa de giro, comparado ao 2.5. A transmissão automática de sete marchas substituiu a anterior de cinco. Essa caixa também é empregada em outros carros da Nissan, como o SUV Armada, o esportivo 370Z e a irmã maior Patrol. Uma boa solução de engenharia foi a suspensão traseira com eixo rígido e multi-link. Ela coopera no conforto e na boa dinâmica, mesmo com a caçamba vazia.

As unidades importadas para o Brasil possuem diferenças nas molas e nos amortecedores. A capacidade de carga é de 1.050 kg – praticamente a mesma do modelo anterior, dotado de feixe de molas. E a picape não faz feio no fora-de-estrada: a tração 4×4 pode ser acionada em movimento a até 100 km/h. A nova Frontier possui ângulo de entrada de 31,6°, de saída de 27,2° excelentes 292 mm de altura livre do solo. Para ajudar a vida do motorista e aumentar a comodidade, a configuração LE oferece auxílio de partida em rampa, controle automático de descida e bloqueio mecânico do diferencial – o eixo cardã é dividido em seções para diminuir os custos de manutenção.

Uma tecnologia interessante empregada é o chamado sistema de regeneração ativa. Em uso severo e em baixa velocidade, com o tempo há o risco de surgirem fuligens no filtro de partículas do diesel (DPF). Para evitar uma visita forçada à concessionária, um botão do lado esquerdo do painel faz essa regeneração automaticamente. Eis uma Frontier melhorada tanto do ponto de vista mecânico quanto do ergonômico. Aliás, merece destaque o acabamento da cabine, com comandos bem posicionados, bons materiais e uma completa central multimídia.

O encosto do banco traseiro possui um novo ângulo de inclinação, beneficiando quem viaja atrás – porém, não traz o isofix, para fixação de cadeirinhas infantis, tampouco assistentes de condução. A Frontier oferece apenas os airbags dianteiros (a Ford Ranger traz sete). Outra crítica vai para a direção assistida hidraulicamente, pois ela é um pouco pesada ao esterço em baixas velocidades. Mas merece elogios o raio de giro bem acertado (12,4 m), que antes era um ponto negativo. A Nissan fez direitinho a lição de casa com a Frontier. E ela ainda tem um preço bem competitivo.


Ficha técnica:

Nissan Frontier LE

Preço básico: R$ 166.700
Carro avaliado: R$ 166.700
Motor: 4 cilindros em linha 2.3, 16V, injeção direta, biturbo, intercooler
Cilindrada: 2298 cm3
Combustível: diesel
Potência: 190 cv a 3.750 rpm
Torque: 45,9 kgfm a 2.500 rpm
Câmbio: automático sequencial, sete marchas
Direção: hidráulica
Suspensões: McPherson (d) e eixo rígido com multilink (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: 4×2, 4×4 e 4×4 com reduzida
Dimensões: 5,250 m (c), 1,850 m (l), 1,855 m (a)
Entre-eixos: 3,150 m
Pneus: 255/70 R16
Caçamba: 805 litros
Tanque: 80 litros
Peso: 1.985 kg
0-100 km/h: 12s5
Velocidade máxima: 180 km/h
Emissão de CO2: 208 g/km (estimado)
Consumo cidade: 8,9 km/l
Consumo estrada: 10,5 km/l
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: E (Picape)

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