Avaliação: um passeio de Audi Q2 pelas ruas de Havana

Entre velhos rabos de peixe americanos, Ladas como bastiões da era soviética, alguns raros carros europeus e muitos novos chineses, a frota circulante de Havana é um caldeirão único. Mesmo no meio de tal confusão, porém, o pequeno Audi Q2, em sua primeira e precoce avaliação global (ele será lançado em outubro), não passa despercebido. Aos olhos do povo cubano e também aos nossos, suas formas se destacam por não seguir os conceitos que unem toda a produção da marca nas últimas décadas. Nos cortes mais secos que interrompem a continuidade lateral, na traseira truncada e na grade poligonal enfim modificada é que encontramos a personalidade da próxima geração de crossovers/SUVs da Audi.

O Q2 não é tão alto quanto os maiores irmãos Q, tanto que, para se sentar ao volante, não é preciso escalar. A posição de dirigir é elevada, sim, mas não muito: um pouco mais alta que no Mercedes GLA, mas muito mais baixa que no Q3. E uma olhada para o painel reserva surpresas menores; no final, o elemento mais marcante é o elemento horizontal que o corta por inteiro, prenunciando muitas possibilidades de personalização (com cores diferentes ou outros materiais). As estradas nos arredores de Havana, a capital cubana, certamente não são o terreno ideal para ter uma ideia das qualidades dinâmicas do crossover (para registro, mesmo na lendária Autopista Central aplica-se o limite de 100 km/h).

Por outro lado, são pistas de testes perfeitas para avaliar as suspensões e o conforto a bordo, tendo em conta as condições do piso. Nesse ponto, o Q2 mostra grande capacidade de ignorar irregularidades menores, que não são copiadas, enquanto nos buracos maiores as suspensões (eixo de torção na traseira) são decididamente secas, principalmente com as rodas aro 18 do modelo avaliado.

O motor 1.4 turbo de 150 cv, por sua vez, gira redondo e macio, bem acompanhado pela tradicional transmissão de dupla embreagem (S tronic) mais suave do que no passado, principalmente nas trocas em baixa velocidade. Outro ponto interessante é que sob carga plena esse propulsor desativa dois de seus 4 cilindros sem o motorista nem ao menos perceber – a não ser que veja o aviso no painel.

Melhor do que o esperado, finalmente, é a visibilidade, principalmente de três quartos de traseira, onde fica o tradicional ponto-cego, apesar do limitado tamanho da janela traseira (que, além de pequena, ainda parece menor do que é, com a sombra do aerofólio e o generoso tamanho da coluna C). O Q2 é especialmente interessante para o mercado brasileiro, pois, como adiantamos aqui, ele está sendo profundamente estudado para a fabricação em São José dos Pinhais (Paraná), junto com o A3 Sedan e o Q3.

Sob medida para o Brasil, o projeto tem fortes defensores dentro da própria Audi do Brasil, e só não virou realidade ainda por causa da atual crise no setor automotivo nacional. Ele deve ser retomado e concretizado ao primeiro sinal de retomada de crescimento do mercado, ainda em 2017 ou no começo de 2018. Ficaria posicionado logo abaixo do Q3, na faixa de R$ 100.000/R$ 110.000 – e, com porte bem próximo ao do Jeep Renegade, teria potencial para vender muito bem.

—–

Roupagem aventureira

7_ms399_audi4

Mesmo sabendo para o Q2 terá uso principalmente urbano, o pequeno crossover oferecerá uma ampla gama de acessórios estéticos de incrementar a aparência. Você poderá acentuar os aspectos esportivos ou destacar suas qualidade para em estrada de terra, apesar de o carro ser relativamente baixo. Nessa configuração, a Audi deve apostar no contraste entre a cor da carroceria e das caixas de roda.

—–

Ficha técnica:

Audi Q2 1.4 TFSI

Preço estimado: R$ 99.900
Carro avaliado (estimado): R$ 109.900
Motor: 4 cilindros em linha 1.4, 16V, duplo comando variável, válvulas com variação de abertura Valvelift, turbo, injeção direta, desativação de cilindros, start-stop
Cilindrada: 1395 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 150 cv a 5.500 rpm (g/e)
Torque: 25,5 kgfm a 1.500
Câmbio: automatizado, sete marchas, dupla embreagem
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,191 m (c), 1,794 m (l), 1,508 m (a)
Entre-eixos: 2,601 m
Pneus: 205/60 R16 a 235/40 R19
Porta-malas: 405 litros (1.050 om banco rebatido)
Tanque: 50 litros
Peso: 1.355 kg
0-100 km/h: 8s5
Vel. máxima: 212 km/h
Consumo cidade: 15,9 km/l*
Consumo estrada: 21,7 km/l*
Emissão de CO2: 119 g/km*
Consumo nota: A*
Nota do Inmetro: não participa (não lançado no Brasil)
*Dados da Europa

blog comments powered by Disqus