Avaliação: Porsche 911 Carrera agora é turbo

Versão “acessível” do clássico esportivo, Porsche 911 Carrera passa a ser vendido nessa versão renovada – e pela primeira vez na história apenas com motores turbo

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Há muitos anos, quando a Mercedes-Benz lançou o Classe A (o primeiro) no Brasil fez uma campanha que dizia “você de Mercedes”. O objetivo era dizer que a marca havia ficado acessível, mas a polêmica se instaurou: a propaganda depreciava a marca? Desmerecia seu (potencial) novo cliente? Não importa, mas voltamos ao slogan: que tal “você de 911”? Dizemos isso porque o mais famoso Porsche chega ao País, enfim, com a linha completa – incluindo sua versão mais acessível, a Carrera.

“Acessível”, no caso, é bem relativo, pois esse 911 Carrera parte de R$ 509.000. Mas a versão mais barata até então vendida, a Carrera S, custa R$ 651.000 (tem motor mais potente, rodas aro 20, pacote Sport Chrono, som Bose, entrada/partida sem chave e limpador traseiro). Da mesma forma, “básico” também é relativo: claro que ele já tem tudo que um sedã topo de linha oferece, além do gerenciamento ativo das suspensões, que permite escolher a rigidez dos amortecedores entre modos Normal e Sport.

Na autódromo Velo Città, aceleramos várias versões para ver as diferenças e saber do que se abre mão na de entrada. Para começar, claro que na pista dá para notar bem que “falta” potência em relação ao Carrera S. O motor é o mesmo 3.0 biturbo, grande novidade da linha 2016 do 911 – pela primeira com todas as versões turbinadas. Mas o Carrera tem 370 cv e 45,9 kgfm, e o Carrera S, 420 cv e 51 kgfm. No cotidiano, isso não muda nada: a vantagem do S no 0-100 km/h, por exemplo, é só de 0s5.

Em ambos os casos, a Porsche lutou para combater o turbo lag. Adotou duas pequenas turbinas, uma para cada bancada de cilindros, em vez de uma só. E ainda mantém as turbinas girando ao se aliviar o acelerador, para garantir resposta imediata quando se voltar à carga. Depois de muitas voltas no autódromo, podemos dizer que o turbo lag raramente aparece. Outra diferença entre os Carrera está nos opcionais – principalmente os mais legais, como o eixo traseiro esterçante.

Somando R$ 13.050 ao Carrera S, esse sistema ajuda em curvas: até 50 km/h, as rodas traseiras viram para o lado oposto das dianteiras; acima de 80 km/h, para o mesmo lado. Na pista, o carro parece fazer mágica em curvas – virando mais e com maior facilidade que o esperado. Pena não estar disponível no Carrera. De novo, é mais pelo prazer de ter a novidade ou para quem faz track days. Não para o dia a dia. Outro item do qual se tem de abrir mão é o controle de estabilidade com modo Sport e o divertido Sport Response – parte do pacote Sport Chrono.

Além de permitir traseiradas antes de a eletrônica interferir e deixar selecionar o acerto do carro por um seletor volante (Normal, Sport, Sport Plus etc.), um botão funciona como o “nitro” dos games, dando fôlego extra ao 911 por 20 segundos. O 911 básico também não tem como opcionais o torque vectoring nem PDCC, que minimiza a rolagem a carroceria. E a tração integral, disponível no Carrera 4 (R$ 543.000)? Acredite, você não precisa dela. Para falar a verdade, ela até mata parte da diversão (as “traseiradas” já citadas). A tração integral servia mais antes, quando a dinâmica de motor e tração traseiros não combinava com curvas rápidas.

Agora o 911 está tão equilibrado e evoluído dinamicamente que se comporta bem mesmo quando “empurrado” pelo eixo posterior. Por mais que não tenha parte das novas maravilhas tecnológicas da linha, esse 911 Carrera tem muitas qualidades. No mundo real, a maioria dessas tecnologias citadas nem faz falta. Mesmo na pista: fizemos um percurso com slalon, curvas fechadas e tempo marcado com esse Carrera básico e ele se mostrou extremamente fácil de domar, garantindo controle absoluto. Pode comprar tranquilo, que ele não vai decepcionar. É o mais barato 911, sim, mas ainda um 911. E isso não é pouco.

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Ficha técnica:

Porsche 911 Carrera Coupé

Preço básico: R$ 509.000
Carro avaliado:
R$ 509.000
Motor:
6 cilindros contrapostos (boxer) 3.0, 24V, válvulas com variação de abertura e tempo (VarioCam), biturbo, injeção direta, start-stop
Cilindrada: 2981 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 370 cv a 6.500 rpm
Torque: 45,9 kgfm de 1.700 a 5.000 rpm
Câmbio: automatizado (PDK), sete marchas, dupla embreagem
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (d) e multi-link (t)
Freios: discos perfurados e ventilados (d/t)
Tração: traseira
Dimensões: 4,499 m (c), 1,808 m (l), 1,303 m (a)
Entre-eixos: 2,450 m
Pneus: 235/40 ZR 19 (d) e 295/35 ZR 19 (t)
Porta-malas: 145 litros (d) e 260 litros (t)
Tanque: 64 litros
Peso: 1.450 kg
0-100 km/h: 4s4
Velocidade máxima: 293 km/h
Consumo: não divulgado
Emissão de CO2: sem dados
Nota do Inmetro: não participa

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