Avaliação: VW Gol 1.0 Trendline

O Volkswagen Gol G5 passa por sua segunda reestilização, ganha motor 3 cilindros 1.0 e aposta num interior marcante e conectado para ganhar fôlego até a chegada da nova geração, em 2018

22942

O Gol vem perdendo vendas num ritmo alucinante. Em dois anos, foram 172.311 unidades a menos. Ele despencou da posição de carro mais vendido do Brasil durante 27 temporadas seguidas, com 225.057 emplacamentos/ano para uma modesta sexta posição no ranking, com 82.746. O início de 2016 foi melancólico: com apenas 3.942 carros vendidos, o Gol ficou num obscuro 11º lugar em janeiro, atrás de uma penca de carros menos famosos. Em parte, a culpa foi do mercado, que caiu 30,7% de 2013 para 2015; a maior culpa, entretanto, foi do próprio Gol, que recuou 32,4%.

Para dar uma sobrevida ao carro de maior sucesso da história da indústria brasileira, a Volkswagen resolveu fazer mais um facelift no Gol, postergando para 2018 a chegada da uma nova geração, que será feita em cima da plataforma MQB, a mesma do Golf. Por questões de marketing, a Volkswagen mais uma vez chamará o Gol G5 (que, na verdade, é a quarta geração do modelo) de “Novo Gol”, assim como fez na troca de faróis e lanternas de 2012.

Dessa vez, o Gol G5 ganhou alterações mais importantes: a frente e a traseira mudaram bastante e o interior é totalmente novo – na verdade, o ponto alto desse Gol. Mas as novidades não param por aí. O ex-campeão ganhou finalmente um motor 3 cilindros nas versões 1.0, que ficaram mais potente e mais econômicas com o mesmo bloco 12V usado pelo VW Up aspirado. Para que você decida se ainda vale a pena comprar um Gol e não seja “iludido” pela beleza e conectividade das versões mais caras, decidimos dar maior destaque à versão 1.0 básica, aquela cujo preço aparece nas peças publicitárias.

Afinal, dos 82,7 mil Gol vendidos no ano passado, mais de 80% usavam o antigo motor 1.0 8V. Segundo a Volkswagen, as versões Trendline 1.0/1.6 (R$ 34.890/40.190) e Comfortline 1.0/1.6 (R$ 42.690/47.490) concentram de 70 a 80% do mix de vendas do carro, ficando o restante para a Highline 1.6 (R$ 51.990). O preço do Gol 1.0 “pé-de-boi” (Trendline) subiu R$ 2.530 e o do mais vendido (Comfortline) caiu R$ 1.300. Ao trocar o motor 4 cilindros pelo 3 cilindros, o Gol 1.0 enfim ganhou nota A de consumo na classificação geral do Inmetro (antes era B).

Ele ficou mais ecológico (as emissões de gases caíram de 106 g/km para 97 g/km) e melhorou seu consumo. Na cidade, ele fazia 11,6/7,7 km/l (gasolina/etanol); agora faz 12,9/8,8 km/l. Na estrada, a melhora no consumo aumentou seu alcance para 798 quilômetros. Ele fazia 13,9/9,6 km/l e agora alcança 14,5/10,3 km/l. A potência também subiu, de 72/76 cv para 75/82 cv. Com isso, o Golzinho ganhou 1,1 segundo na aceleração e cumpre a prova de 0-100 km/h em 12,3 segundos. O carro passou a contar com pneus “verdes”, que oferecem menor resistência na rolagem.

Houve também um pequeno ajuste na suspensão dianteira, por causa da redistribuição de peso provocada pelo motor 3 cilindros, mas o Gol 1.0 manteve as características dinâmicas e sua robustez. O novo motor também permitiu que as relações de marchas fossem alongadas, especialmente a primeira, a segunda e a terceira. Visualmente, a dianteira ganhou novos faróis ligados à grade superior e uma “boca” maior na grade inferior, lembrando o Golf GTI. Na traseira, o designer Luiz Antônio Veiga buscou inspiração no primeiro Gol, que tinha as lanternas quadradas.

Elas têm superfície tridimensional, formando um jogo de luzes e sombras. Em relação ao Gol anterior, o vidro agora é plano e o para-choque tem a área da placa mais aberta. Se as novas frentes e a traseira deixaram o Gol mais bonito por fora, no interior as mudanças foram radicais. O painel totalmente redesenhado melhorou consideravelmente o bem-estar a bordo. Ele agora é mais baixo e horizontal, com dois níveis, e foi criado para priorizar o motorista.

O novo design do painel aparece com mais evidência nas versões Comfortline (parte superior clara e inferior escura) e Highline (superior escura contrastando com bancos claros e apliques imitando alumínio). O painel da Trendline é basicamente preto, mas ainda assim é agradável, principalmente porque o volante tem o mesmo desenho das outras versões. O tecido dos bancos também melhorou nas três configurações. A Volks continua sendo conservadora na versão básica (veja tabela abaixo).

10_ms394_gol16

O Gol Trendline não tem ar-condicionado nem um simples rádio de série, o que é incoerente para um automóvel que se apresenta como nova referência em conectividade e com a proposta anunciada pelo presidente David Powels de dar menos ênfase para a venda a frotistas (talvez os únicos que ainda comprem carro sem climatização). Para ter um dos quatro sistemas oferecidos, é preciso gastar R$ 835 com o opcional Media (rádio AM/FM, bluetooth, entradas auxiliar/USB, SD card e computador de bordo) ou R$ 1.755 com o Composition Touch (acrescenta tela colorida de 5” sensível ao toque com espelhamento de smartphones Android).

Ambos incluem o interessante suporte para celular criado para o novo Gol (à parte, ele custa R$ 290). O ar-condicionado também é opcional (R$ 2.800). Como a versão Special deixou de existir para dar lugar à Trendline, o Gol 1.0 básico agora vem com direção hidráulica e travas/vidros elétricos. Já o Gol 1.6 manteve o motor 8V. Sua emissão CO2 agora é de 111 g/km (era 113) e o consumo urbano melhorou, mas o rodoviário piorou. Na cidade, ele ganhou 0,3 km/l com etanol e gasolina, passando a fazer 7,6/11,0 km/l. Na estrada, a perda foi de 0,2 km/l com etanol e de 0,6 km/l com gasolina (9,2/13,1 km/l). O motor 1.6 MSI 16V ficará guardado para a nova geração do Gol, em 2018.

—–

Versões Highline e Comfortline

A versão topo de linha do Gol (Highline) está disponível apenas com motor 1.6 e vem com rodas de liga leve aro 15 tipo Marga (pneus 195/55). Por fora, ele tem uma faixa cromada que atravessa a parte inferior dos faróis e da grade. Por dentro, traz volante multifuncional e sistema multimídia Composition Touch, com tela colorida de 5” e espelhamento de smartphones.

Seus equipamentos de série são os mesmos do Voyage Highline (veja aqui). Já a versão intermediária do Gol (Comfortline) pode ser comprada com motor 1.0 ou 1.6. Ela tem rodas de aço com calotas (pneus 195/55 R15) e o sistema Media Plus (tela preta com CD player). Ar-condicionado, faróis de neblina e chave canivete são de série. As rodas de liga leve aro 15 fazem parte de um pacote que custa R$ 3.350. Para ambos, as rodas de liga leve aro 16 (pneus 195/50) estão num pacote de R$ 3.650.

—–

Ficha técnica:

Volkswagen Gol 1.0 MPI Trendline

Motor: 3 cilindros em linha 1.0, 12V
Cilindrada: 999 cm3
Combustível: flex
Potência: 75 cv a 6.250 rpm (g) e 82 cv a 6.250 rpm (e)
Torque: 9,7 kgfm de 3.000 a 3.800 rpm (g) e 10,4 kgfm de 3.000 a 3.800 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: hidráulica
Suspensões: McPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: discos ventilados (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 3,897 m (c), 1,656m (l), 1,467 m (a)
Entre-eixos: 2,466 m
Pneus: 175/70 R14
Porta-malas: 285 litros)
Tanque: 55 litros
Peso: 998 kg
0-100 km/h: 12s6 (g) e 12s3 (e)
Velocidade máxima: 168 km/h (g) e 170 km/h (e)
Consumo cidade: 12,9 km/l (g) e 8,8 km/l (e)
Consumo estrada: 14,5 km/l (g) e 10,3 km/l (e)
Nota do Inmetro: A
Classificação na categoria: A (Compacto)

blog comments powered by Disqus