Avaliação: VW Variant 1.4 flex mantém padrão de dirigibilidade

A perua da Volks perdeu requinte no câmbio e na suspensão traseira, mas continua sendo um ótimo carro familiar e seu motor TSI ficou mais potente

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Um ano e meio depois de chegar ao mercado, o Golf Variant 1.4 TSI é um exemplo da nova realidade do mercado brasileiro. Agora com motor flex, a perua da Volkswagen continua sendo uma das raras opções para quem busca um carro familiar com bom desempenho, amplo porta-malas e centro de gravidade baixo. O motor ganhou 10 cavalos e agora desenvolve 150 cv de potência. Mas houve um recuo no requinte técnico da Variant.

O excelente câmbio automatizado DSG de sete marchas com dupla embreagem foi substituído pelo automático Tiptronic de seis. E a suspensão traseira, que era multi-link, agora é do tipo eixo de torção. Segundo a Volkswagen, essa configuração deixa o carro mais robusto para enfrentar os péssimos pisos brasileiros. Na prática, o carro ficou menos empolgante e menos estável para quem gosta de conduzir rápido.

As modificações técnicas impressionam menos do que a diferença de preço desde que foi lançada no Brasil. Afinal, os carros de quase todas as marcas subiram. A perua Variant é vendida em duas versões: Comfortline (R$ 104.216) e Highline (R$ 115.889). Para se ter uma idéia, antes custava R$ 87.490 e R$ 94.990, respectivamente. Quanto aos concorrentes, o Volvo V60 partia de R$ 165.000 e agora sai por R$ 155.900. O Audi A4 Avant passou de R$ 139.000 para R$ 187.990. Ambos têm versões acima de R$ 200.000. E o Mercedes Classe C Touring custa R$ 185.900. Portanto, mesmo cara, a Variant continua competitiva.

A versão que avaliamos foi a Highline completíssima. Com cor metálica e o pacote Premium (R$ 29.677), seu preço subiu para R$ 146.998. Os opcionais incluem teto solar panorâmico, rodas aro 17 modelo Madrid, Map Care, sistema Kessy de abertura das portas (não precisa colocar a chave na fechadura), faróis bixenônio com LEDs, sistema FLA (assistência de farol alto/baixo), Adaptive Cruise Control (freia ou acelera o carro sozinho de acordo com o tráfego), detector de fadiga, Park Assist com câmera traseira, Discover Pro Media com tela de 8”, banco do motorista com ajustes elétricos, sistema Pro Active para proteção dos passageiros (tensiona os cintos e fecha os vidros), Front Assist (reduz velocidade para minimizar efeitos de impactos) e frenagem urbana de emergência.

Mas é possível gastar menos. Há dois pacotes mais baratos, de R$ 6.363 (Elegance) e de R$ 13.943 (Exclusive). As rodas Madrid (R$ 1.432) e o teto solar panorâmico (R$ 6.200) podem ser comprados à parte. O piloto automático adaptativo (R$ 3.990) só pode ser instalado se o consumidor levar pelo menos o pacote Exclsuive. De série, a perua oferece ar-condicionado dual zone, bancos de couro, iluminação ambiente, sensor de chuva, shift paddles, espelhos rebatíveis e piloto automático.

Mecanicamente, o carro é idêntico ao Golf. A diferença está no balanço traseiro (parte que fica entre o eixo e o para-choque), que tem 1.076 mm (307 mm a mais que o do hatch). Quanto ao motor flex, fez muito bem ao Golf Variant. Graças a um ajuste muito preciso, o motor é silencioso e suave, tem boas arrancadas, permite ultrapassagens seguras e é razoavelmente econômico. Com turbo e injeção direta, esse bloco 1.4 TSI da VW é um dos melhores do mercado.

A posição de dirigir é perfeita para quem gosta de ficar mais baixo, com o volante na altura do peito, como em carros esportivos. A utilização dos equipamentos é bastante intuitiva. Um único detalhe desagradou: a entrada USB fica escondida num buraco do console, em posição de difícil acesso. É preciso ter dedos longos e finos para espetar o cabo e utilizar o Android Auto, outro item interessante deste belo Volkswagen.

Apesar de todas as suas qualidades e de estar bem posicionada perante seus concorrentes, a perua Variant ainda sofre nas vendas. No ano passado, com pouco mais de meia temporada nas concessionárias, a Volkswagen conseguiu uma venda média de 115 carros/mês. Este ano, a média caiu para 85 carros/mês, principalmente em função dos últimos meses, que registrou apenas 38 carros/mês. Não deixa de ser uma injustiça, quando se vê que alguns modelos piores do que o Golf Variant vendem mais pelo simples fato de serem crossover ou “SUV”.

 

FICHA TÉCNICA
Volkswagen Golf Variant 1.4 TSI Flex Highline
Preço básico: R$ 115.889
Carro avaliado: 146.998
Motor: 4 cilindros em linha 1.4, 16V, turbo, injeção direta, start-stop
Cilindrada: 1395 cm3
Combustível: flex
Potência: 150 cv a 4.500 rpm  (g/e)
Torque: 25,5 kgfm de 1.500 rpm a 4.000 rpm (g/e)
Câmbio: automático, seis marchas, sequencial
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,562 m (c), 1,799 m (l), 1,468 m (a)
Entre-eixos: 2,630 m
Pneus: 205/55 R16 (225/45 R17 no carro avaliado)
Porta-malas: 605 litros
Tanque: 50 litros
Peso: 1.357 kg
0-100 km/h: 9s5 (e)
Velocidade máxima: 205 km/h (e)
Consumo cidade: 10,9 km/l (g) e 7,5 km/l (e)
Consumo estrada: 13,9 km/l (g) 9,5 km/l (e)
Emissão de CO2: 111 g/km
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: A (Grande)

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