Avaliamos o Mercedes-Benz Classe C Coupé

Se o atual Classe C Coupé foi criticado por parecer apenas uma versão Sedan com duas portas a menos, sua nova geração, que acaba de ser lançada, conseguiu encontrar uma identidade própria. Inspirado no arrebatador Classe S Coupé, esse Mercedes-Benz agora têm muito mais argumentos – a começar pela beleza de suas linhas – para brigar com BMW Série 4 e Audi A5.
A exemplo do sedã, sua linhas são curvas, “inspiradas na natureza”, contrastando com as superfícies retas e vincadas dos rivais.

A traseira, que antes era igual à do Sedan, agora é exclusiva, com lanternas horizontais como nos outros novos cupês da marca. O principal mérito dessa nova geração é mostrar que se o Coupé implica perdas em conforto e versatilidade, também traz ganhos – com destaque para o design esportivo e a dinâmica aprimorada. O interior evoluiu no acabamento e ergonomia, além de ter ganhado uma central multimídia bem mais conectada, com um touchpad que se soma ao controle giratório e comandos melhor localizados.

Nos detalhes, é clara a inspiração no Classe S. Luxo e capricho estão sempre presentes, mas variam conforme a versão, do couro sintético à Alcantara, do black piano e metal à fibra de carbono. De qualquer modo, nesse quesito esse Mercedes-Benz está sempre um nível acima dos rivais. Outro destaque são os bancos dianteiros esportivos inteiriços. O aumento no entre-eixos, porém, não mudou a situação no banco traseiro, onde o que incomoda não é o espaço limitado, mas a visibilidade prejudicada pelas janelas altas.

Na farta lista de equipamentos, destaque para sistemas semi-autônomos como o piloto automático adaptativo e o lane assist – mas por enquanto eles não funcionam no Brasil, por usarem uma frequência não homologada. Aceleramos na Andaluzia (Espanha) configurações com motores 4, 6 e 8 cilindros, como as que chegam ao Brasil em breve. O C 300 Coupé era o 4 cilindros mais próximo do C 250 Coupé, o primeiro a chegar, em março/abril, como opção de entrada (cerca de R$ 200.000).

No lugar do C 180 Coupé 1.6 de 156 cv, fraco para o design provocador, teremos o C 250 2.0 turbo de 211 cv e 35,7 kgfm, que vai de 0-100 km/h em 6s8 (o C 300 tem o mesmo motor, mas recalibrado para 245 cv e 35,7 kgfm). A transmissão é a conhecida automática de sete marchas, não tão rápida quanto uma dupla embreagem, mas ainda excelente. A 120 km/h o conta-giros fica ao redor das 2.000 rpm e a função de “banguela” automática, no modo Eco, economiza gasolina desacoplando motor e câmbio quando se alivia o pé direito.

Há ainda os modos Sport, Sport+, Comfort e Individual. Eles alteram as respostas do motor, do câmbio, da direção e até do controle de estabilidade, ajustando o cupê às condições da estrada e ao gosto do motorista (o Sport+ valoriza a tração traseira, permitindo algumas “traseiradas” controladas nas curvas). As novas suspensões (four-link na frente e five-link atrás) baixaram o centro de gravidade em relação ao sedã e melhoraram a tocada do cupê – que ainda cativa pela direção elétrica com relação variável, de ótimo peso e respostas diretas.

Não é um carro que chega a transbordar esportividade, mas faz tudo com perfeição impressionante e, mesmo após horas ao volante, oferece conforto suficiente para garantir um motorista ainda descansado e disposto a seguir viagem. O test-drive do C 300 se encerrou no desafiador circuito de Ascari, onde fomos conferir como anda o monstruoso Mercedes-AMG C 63 S Coupé (que chega ao Brasil no segundo semestre por algo em torno de R$ 550.000). O motor é o mesmo V8 4.0 biturbo do esportivo AMG GT S,
mas calibrado para 510 cv e 71,3 kgfm (disponíveis já a 1,750 rpm!) e a tração continua traseira – mas a força é levada às rodas por uma transmissão multidisco (MCT) com embreagem banhada a óleo no lugar do conversor de torque, e transmitida ao asfalto por pneus 255/35 na frente e 285/30 atrás (0-100 km/h em 3s9, máxima de 290 km/h).

A suspensão traseira retrabalhada em relação às demais versões tem “pitadas” do Black Series da geração anterior: “A forma segue a função”, explica Christian Enderle, diretor de desenvolvimento de powertrain. Além de ter rodas aro 19 e pneus maiores, o eixo traseiro exclusivo deixou esse AMG mais largo que as demais versões, a dianteira tem tomadas de ar maiores e a traseira tem difusores de ar e escapes quádruplos (com válvulas controladas eletronicamente para garantir sonoridade similar à do antigo 6.2 V8 aspirado). Nesse C 63 S Coupé, o modo Eco é substituído pelo Race, que deixa a traseira escorregar ainda mais nas curvas, retardando a ação do ESP.

A direção é mais sensível e direta, o volante revestido de Alcantara tem base chata e o diferencial traseiro conta com controle eletrônico, assim como os amortecedores (com ajuste em três níveis de rigidez; no macio, esse AMG é perfeitamente utilizável no cotidiano, como comprovamos mais tarde, a caminho do hotel). Nas oito voltas no circuito de Ascari, o C 63 S mostrou que é capaz de fazer qualquer um sem sentir um verdadeiro piloto – mas é preciso respeitar sua força e dosar bem o acelerador nas saídas de curva para não sair rodando (ou ser impedido disso pelo ESP cortando sua potência). “Ele tem mais genes da AMG que os predecessores”, diz Enderle. De fato.

Já o C 400 Coupé, com seu V6 de 333 cv, serviu para dar uma ideia sobre o desempenho do C 43 AMG Coupé – que chega em julho com o mesmo motor (mas com 367 cv e 53,1 kgfm) e estimados R$ 370.000. Pena que o C 43 AMG não estava disponível para teste, pois será uma opção intermediária interessante, preenchendo o “vazio” entre o C 250 e o C 63 AMG e brigando com Audi S3 e os BMW 335i M Sport (enquanto o C 63 AMG enfrenta Audi RS5 e BMW M3). Deve acelerar de 0-100 km/h em cerca de 5 segundos e terá eixos, suspensões, direção e modos de condução emprestados do C 63 AMG – mas sem ser tão caro (ou intimidador, dependendo do motorista). “É o melhor dos dois mundos”, diz Alexander Weber, engenheiro da AMG.

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Fichas técnicas:

Mercedes-Benz C 250 Coupé

Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, duplo comando variável, turbo, injeção direta
Cilindrada: 1991 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 211 cv a 5.500 rpm
Torque: 35,7 kgfm de 1.200 a 4.000 rpm
Câmbio: automático sequencial, sete marchas
Direção: elétrica
Suspensões: four-link (d) e multi-link (t)
Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t)
Tração: traseira
Dimensões: 4,686 m (c), 1,810 m (l), 1,405 m (a)
Entre-eixos: 2,840 m
Pneus: 225/50 R17
Porta-malas: 400 litros
Tanque: 50 litros Peso: 1.540 kg
0-100 km/h: 6s8
Velocidade máxima: 250 km/h (limitada)
Consumo: 17,8 km/l (média cidade/estrada, segundos as normas europeias)
Nota do Inmetro: não participa
Classificação na categoria: não participa (OBS: embora tenhamos avaliado o C 300 Coupé, colocamos aqui os dados do C 250 Coupé, que será vendido no Brasil)

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Mercedes-AMG C 63 S Coupé

Motor: 8 cilindros em V 4.0, 32V, duplo comando variável, biturbo, injeção direta
Cilindrada: 3982 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 510 cv de 5.500 a 6.250 rpm
Torque: 71,3 kgfm de 1.750 a 4.500 rpm
Câmbio: automatizado multidisco, sete marchas Direção: elétrica Suspensões: four-link (d) e multi-link (t), amortecedores ajustáveis
Freios: discos ventilados de carbono-cerâmica (d) e discos ventilados (t)
Tração: traseira, bloqueio eletrônico do diferencial
Dimensões: 4,750 m (c), 1,877 m (l), 1,402 m (a)
Entre-eixos: 2,840 m
Pneus: 255/35 R19 (dianteiros) – 285/30 R19 (traseiros)
Porta-malas: 355 litros
Tanque: 66 litros
Peso: 1.800 kg
0-100 km/h: 3s9
Velocidade máxima: 290 km/h (limitada, com AMG Driver’s Package)
Consumo: 11,4 km/l (média cidade/estrada, na Europa)
Nota do Inmetro: não participa
Classificação na categoria: não participa

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