Comparativo: Nissan Versa vs. Toyota Etios

Para quem não pode (ou não quer) pagar por Civic e Corolla, esses “quase médios” da Nissan e da Toyota são a porta de entrada para o mundo dos sedãs japoneses

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Roberto Assunção

Eles talvez só não sejam os campeões do custo-benefício quando se fala em sedãs porque existem Chevrolet Cobalt e Renault Logan. Mas esse é um especial de carros japoneses, e para quem busca um sedã nipônico – mas não pode ou não quer pagar R$ 80/90 mil em Civic, Corolla & cia –, Toyota Etios Sedan e Nissan Versa são as alternativas mais acessíveis. E se você não pegou a febre dos crossovers, mais caros e em muitos aspectos piores, aqui estão ótimas opções para a família.

O Etios é sempre mais barato que o rival, partindo de R$ 55.690 com câmbio automático (versão X), contra R$ 60.990 do Kicks SV. As fotos são do Etios XLS (64.390), que briga com o Versa SL (R$ 67.340). Mas a Nissan nos mandou o Versa Unique (R$ 69.990 com pintura metálica), rival do Etios Platinum (R$ 68.590 metálico). De qualquer modo, são poucas as diferenças, como você vê na tabela ao lado. Nas versões equivalentes, as listas de equipamentos são similares, cada uma com suas vantagens. Além dos itens de segurança obrigatórios, ambos têm isofix. Nenhum tem fechamento global dos vidros (e vale destacar um irritante problema do Etios: ao ativar/desativar o alarme, ele buzina alto demais; na garagem, à noite, é suficiente para acordar as crianças).

Esses aqui não são sedãs médios, mas não são tão compactos. O Versa tem 4,49 m, comprimento de um Civic 2011, e porta-malas de 462 litros, igual ao do Corolla atual. Já o Etios, embora menor por fora, é dono do segundo maior bagageiro do mercado de sedãs (e entre os maiores do mercado todo), com capacidade para 562 litros (um a menos que no Cobalt). O Nissan, por outro lado, tem espaço de sobra para os joelhos de quem viaja no banco traseiro, permitindo levar até jogadores de basquete com conforto – mas só dois, pois a largura é tímida e as laterais dos encostos “empurram” os passageiros para o meio (o Toyota é melhor para o terceiro ocupante e tem espaço traseiro bom para adultos medianos).

O acabamento tem deslizes em ambos, com algumas peças mal encaixadas, mas não são falhas graves. No Etios, os materiais são um pouco mais sofisticados, o painel central tem tela de TFT altamente configurável, que dá um ar moderno, e o computador de bordo, além de mais funções – gráficos de consumo e cálculo do gasto com combustível em reais, por exemplo – é comandado por teclas no volante, de modo bem mais fácil e intuitivo (o Nissan tem controle por um botão no cluster, péssimo de usar quando se está dirigindo).

Já as centrais multimídias decepcionam. A do Versa até tem alguns serviços conectados à internet e interface mais amigável, mas ainda mostra falhas – e, como a do Toyota, é incompatível com Apple CarPlay e Android Auto. O Etios perde pontos também por seus quatro alto-falantes na dianteira (portas e painel), em vez de ter dois na frente e dois atrás, na tampa traseira (uma adaptação é possível na concessionária). A qualidade de sonora é boa só pra quem vai na frente.

Se até aqui nenhum levou vantagem considerável, é na experiência ao volante que o Etios se destaca. Antes mesmo de colocar os carros em movimento, já agrada mais, com bancos mais largos e confortáveis, melhor posição de guiar e volante com ajuste mais amplo (embora só de altura, como no Versa). O fato de não ter ajuste de altura do cinto de segurança não incomodou, e a visibilidade também é melhor nele, pois o Versa tem retrovisores pequenos demais. Em movimento, a vantagem do Toyota aumenta, graças à mecânica mais “redonda”. O moderno motor 1.5 16V de até 107 cv em teoria contrasta com a ultrapassada transmissão automática de só quatro marchas, mas o acerto surpreendente dos dois garante ótima dirigibilidade e conforto ao rodar acima do esperado.

O desempenho não é de tirar o fôlego, claro, mas foram raras as situações em que sentimos falta de força por culpa das relações longas – e quase inexistentes as “esgoeladas” típicas de carros automáticos de quatro marchas; mesmo nas esticadas, não há tranco na passagem de marcha. Ele não tem trocas sequenciais, mas há opções de travar Low (reduzida), segunda ou terceira. No mais, direção elétrica, freios e acelerador parecem ter respostas mais precisas e progressivas. O Etios é um carro fácil, que você dirige e gosta, mesmo que não consiga explicar bem o porquê.

Já o Versa leva vantagem no desempenho. Não por mérito do motor maior, um 1.6 16V de 111 cv com quase o mesmo torque do Etios, mas pelo câmbio mais moderno, do tipo CVT (relações infinitas). A vantagem aparece no 0-100 km/h e em algumas retomadas, quando esse tipo de caixa “acha” mais rápido a relação ideal do que uma automática (ainda mais de quatro marchas). As respostas, porém, vêm daquele jeito: o giro sobe, o motor grita e a coisa só muda de figura quando se alivia o pé direito. Dá certo tédio, e não há simulação de marchas para atenuá-lo como no primo Kicks.

Tampouco há modo Sport, mas o botão overdrive off tem efeito similar (e há também modo Low). Do lado negativo, a direção é menos precisa e os freios, menos suaves. No conforto ao rodar, mais uma vitória do Etios. O Versa tem suspensões mais macias, é verdade, mas elas pecam por transmitir à cabine excessivo ruído de rodagem – principalmente em pequenos impactos e buracos. Já o Etios tem um rodar um pouco mais firme, que deixa o motorista mais seguro ao encarar uma serra, e sacrificando pouco o conforto. Além disso, suas suspensões transmitem mais robustez na buraqueira do cotidiano e trabalham bem silenciosamente.

Surpreendentemente, o mais econômico é o Etios, com seu câmbio tradicional: a lógica diria que o Versa, com o CVT, levaria vantagem. Não é o que acontece, segundo os dados do Inmetro (veja fichas), quase exatamente repetidos durante nossa avaliação. A diferença se explica não apenas pelo motor menor e mais moderno do Toyota, mas pelo excelente acerto do câmbio e pelo fato de ser mais leve. Não falamos em design – e por motivos óbvios. Nenhum dos dois é exatamente bonito, justamente porque aposta e prioridades aqui estão no custo-benefício.

São carros espaçosos e bem equipados, com consumo contido. Se entregam pouca emoção ao volante, por outro lado conquistam no uso cotidiano. No fim, enquanto o Versa acena com um desempenho mais forte e um porte mais generoso, que se traduz em enorme espaço no banco traseiro, o Etios responde com um porta-malas enorme, uma mecânica mais precisa e agradável e um rodar mais fácil. Para completar, é mais barato. Consideramos a melhor escolha.

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