Depois de 16 anos, um Marea Weekend Turbo retorna à Fiat

Foram 700 quilômetros a bordo de um exemplar da station wagon produzida em 2001, que viajou muito bem e em ritmo acelerado

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Parece que foi ontem que a Fiat Marea Weekend Turbo 2001 desta reportagem saiu ontem da linha de montagem de Betim (MG), de tão perfeito é o seu estado de conservação. E agora, depois de 16 anos, a perua voltou para a fábrica. Com direito até a uma volta na pista de testes da montadora…

Essa raridade sobre rodas foi garimpada pelo responsável técnico da Auto90, uma oficina de São Paulo (SP) especializada em encontrar carros marcantes de nossa indústria, principalmente aqueles produzidos entre os anos 1980 até o início da década de 2000. Quando encontram carros íntegros, nossos amigos da Auto90 recuperam a sua originalidade, deixando-os exatamente iguais ao dia que saíram novos da concessionaria.

Para quem não se lembra, a Marea Weekend Turbo foi lançada no século passado, mas precisamente em 1999. Foi desenvolvida e produzida unicamente pela Fiat do Brasil. Aqui, os especialistas em marketing, depois de estudos de nosso mercado, perceberam um nicho onde o Marea e sua versão station equipados com motor turbo caberiam como uma luva para consumidores exigentes no desempenho e no acabamento sofisticado de um carro desse porte. Equipado com um turbocompressor, esse motor de 2 litros, com uma configuração singular de 5 cilindros, chegava fácil aos 182 cv com um torque máximo de brilhantes 27 kgfm a 2750rpm. Uma verdadeira usina de força. Era tocar o pé no acelerador e o motorista sentia nas costas o vigor da força desses cinco cilindros. Fantástico para a época.

Assim, nossa engenharia criou uma versão do turbo do Marea que deu o que falar na época. O carro acelerava de 0 a 100 km/h em pouco mais de 8 segundos e atingia a velocidade máxima ao redor dos 220 km/h. Números difíceis de serem batidos até os dias de hoje em carros de seus segmento. E para quem pensa que o seu consumo médio era astronômico, um grande engano: em um misto cidade/estrada, a média girava ao redor dos 9,5km/l de gasolina. Se considerarmos o desempenho, uma marca bem positiva.

O exemplar que levamos de volta a Betim foi vendida por uma concessionária Fiat de uma cidade do interior gaúcho e ficou com seu cuidadoso primeiro proprietário durante os 16 anos. Todas as revisões recomendadas pela Fiat foram feitas na concessionária utilizando peças originais e os lubrificantes recomendados pelo fabricante. O carro foi adquirido neste ano pela Auto90 e estava com cerca de 140 mil quilômetros rodados. Era uma versão completa, com direito até mesmo a bancos forrados em couro cinza, teto solar elétrico, ar-condicionado com controle automático de temperatura, quatro airbags, lavador de faróis, rodas de liga leve aro 15, painel de instrumentos de fundo branco e outros mimos para exigentes proprietários. Tudo funcionando e em perfeito estado.

Ao longo de sua historia, o Marea criou fama de carro problemático, principalmente no que diz respeito à durabilidade de seus motores. Mas com esse carro da reportagem, ficou claro que a culpa não era dos carros e sim de seus proprietários que não faziam seguir á risca a manutenção recomendada pela Fiat.

Principalmente no item que diz respeito ao motor, pudemos constatar que a muitos proprietários optam, por questões de custo, por utilizar óleo lubrificante de origem mineral ao invés do lubrificante sintético recomendado pela Fiat. O resultado prático era que em um período muito mais curto a vida útil do motor se findava e o motor começava a apresentar ruídos internos que exigia uma retífica prematura. E esse problema não se limitava apenas ao motor turbo, mas a todos os motores cinco cilindros. Claro que, pela maior exigência aos componentes mecânicos do turbo, o problema da lubrificação ineficiente provocada pelo óleo inadequado aparecia ainda mais rápido.

Na estrada

Juntamente com o engenheiro responsável da Auto90, saímos de São Paulo rumo a Betim. Foram quase 700 quilômetros em que a Marea Weekend viajou muito bem e em ritmo acelerado. Os saudáveis 140 mil quilômetros do carro da reportagem provaram que, lubrificado adequadamente, o motor adotado pela Fiat tem uma vida útil bem longa. Apesar da quilometragem alta, o motor desenvolvia bem o seu torque e sua potência, sem ruídos e indicando que naquele ritmo e o lubrificante correto poderia chegar facilmente sem problemas a marca dos 200 mil quilômetros.

Chegando a fábrica da Fiat, o carro foi admirado por técnicos e engenheiros que trabalharam na época no desenvolvimento do carro para o mercado brasileiro. Tivemos a oportunidade de andar com veículo na pequena pista de testes que a Fiat tem no final de sua linha de montagem, onde todos os carros novos saídos da linha de montagem são avaliados por experientes pilotos de testes, que dão o aval final e liberam o carro para serem distribuídos as concessionárias.

O engenheiro Robson Cotta, responsável pela engenharia experimental dos produtos Fiat/Jeep, dirigiu o carro pela pista de testes pelo qual essa mesma Marea Weekend Turbo passou há 16 anos quando saiu da linha de montagem e fez o seu primeiro teste. O experiente engenheiro elogiou o perfeito estado de conservação da nossa Marea Weekend e comentou. “Foi um dos melhores carros que a Fiat produziu até hoje.” O engenheiro Cotta nos contou que trabalhou arduamente no desenvolvimento da linha Marea Turbo e que os resultados finais foram ótimos.

Se você, leitor, quer mais detalhes e fotos dessa aventura que foi levar o carro 16 anos depois para a Fiat novamente, pesquise pela página da Auto90 no Facebook.

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