Gato por lebre: como não comprar um falso carro novo

O seu novo carro pode, na realidade, ser uma coletânea de plataforma (suspensão, direção e freios, motor e câmbio antigos), que a indústria não gastou sequer um tostão pra desenvolver

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A japonesa Mitsuoka é especialista em transformar carros novos em antigos. Mas algumas montadoras são bem menos claras nessa fusão de peças (Foto: Divulgação)

Hoje, quando um carro novo é apresentado ao mercado, pressupõe-se que ele seja a última palavra em atualidade. Certo? Não, totalmente errado. A indústria automobilística não está aqui só para fazer e vender ao consumidor coisas modernas e tecnologicamente avançadas. Como qualquer empresa, o seu negócio é ganhar dinheiro.

Aí você vê a propaganda de um carro com desenho bonito, arrojado e cores vibrantes e pensa: ´Esse deve ser um modelo bem mais atual que o meu velho carro que está na garagem`. Mas você pode estar vendo naquelas propagandas um carro muito semelhante ao seu.

Muitas vezes, por uma questão de custos, este novo carro pode, na realidade, ser uma coletânea de plataforma (suspensão, direção e freios, motor e câmbio), que a indústria não gastou sequer um tostão pra desenvolver. Tudo isso vestido apenas por um carroceria diferente, algumas vezes até de um modelo já descontinuado. E é bom lembrar que o uso de uma plataforma velha reduz as chances deste ‘novo’ carro ter bons resultados nos crash-tests. Por isso, fique esperto.

Agora, como saber se o carro moderninho que estou comprando não é o meu velho carro travestido com uma nova carroceria? Você deverá observar alguns itens que servirão de indício de que você realmente está trocando seu carro velho por um carro moderno e atual.

Um carro totalmente novo e moderno deverá ter suspensão dianteira e traseira inéditas. Outro exemplo é o sistema de direção. Nos projetos mais atuais, a assistência elétrica substituiu o velho sistema hidráulico. A razão para isso é que, normalmente, é muito caro e complicado adaptar uma caixa de direção elétrica em um carro que utilizava o obsoleto sistema hidráulico.

Um novo motor normalmente tem um novo nome e uma nova sigla. E até a sua descrição técnica difere dos motores anteriores produzidos pela mesma marca. Os novos motores são concebidos para gastar menos combustível, ter um desempenho mais marcante e oferecer uma performance mais suave em todos os regimes de rotações.

A injeção direta de combustível e um turbo para superalimentar o propulsor, juntamente com variador de fase no comando das válvulas, são indícios de um propulsor muito moderno e tecnologicamente avançado. Claro que, se ainda for flex, tiver quatro válvulas por cilindro e um duplo comando de válvulas no cabeçote, teremos um motor avançadíssimo.

Na transmissão, a oferta de trocas automáticas é sempre bem vinda. Quanto mais marchas, melhor. Essa característica permitirá ao motor trabalhar sempre próximo ao regime de rotações, onde consumo e desempenho estarão sempre próximos ao ideal. Os câmbios CVT para os automáticos e de dupla embreagem para os automatizados, são o que há de mais moderno quando o assunto é transmissão. Claro que um câmbio manual de 6 velocidades é muito bem vindo, dependendo do segmento do automóvel.

Se mesmo com essas dicas for difícil diferenciar o novo do antigo, pesquise muito antes de comprar. Informe-se com os especialistas da imprensa e veja a opinião de cada um deles sobre o produto que pretenda comprar. Dessa forma, o risco de errar ou ser engando pela publicidade é bastante reduzido. E boa sorte na sua escolha!

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