A hora da virada da Volkswagen

No ano passado o Grupo Volkswagen roubou da Toyota a liderança global na venda de automóveis. Apesar disso, seu desempenho no mercado brasileiro foi um verdadeiro fiasco. É verdade que as vendas por aqui caíram como um todo, e não foi pouco (20%). Entretanto, mesmo olhando apenas para a participação de mercado – por qual parte das vendas cada uma das marcas foi responsável, independentemente do total –, a situação da Volkswagen do Brasil é bastante delicada.

Embora as “quatro grandes” (Chevrolet, Fiat, Volks e Ford) venham há tempos todas elas perdendo market-share para as “novatas” (Hyundai, Toyota, Renault, Nissan…), a queda da Volkswagen foi pior. Sua participação passou de 23% em 2007 para 10,5% em 2016, como se vê no gráfico abaixo. Simplesmente caiu pela metade! Assim, a marca acabou perdendo não apenas a liderança de vendas por modelo – com o Onix roubando o lugar do Gol após 27 anos, em 2015 –, mas também a vice-liderança nas vendas totais, posição em que havia se consolidado há mais de uma década (no ano passado perdeu para GM e Fiat).

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A que se deve essa queda toda? Claro que a chegada ao Brasil de novos e bons concorrentes teve impacto. Mas talvez possam ter pesado mais a demora em atualizar significativamente o (ex) best-seller Gol, a dificuldade para emplacar o bom Jetta contra os consagrados Corolla e Civic e, principalmente, à ausência de produtos mais expressivos e/ou mais competitivos em dois dos segmentos mais fundamentais de nosso mercado: crossovers/SUVs compactos e crossovers/SUVs médios.

Para estancar essa sangria e recuperar ao menos parte da participação de mercado perdida, a marca alemã finalmente parece ter um plano de negócios mais robusto. A renovação da linha Volkswagen vai do modelo de entrada – o subcompacto Up, que muda em um ou dois meses, no máximo –, a apimentadas novidades no Gol, passando pela volta do Polo (em geração inédita globalmente) e seu irmão, o sedã Virtus, além de uma esperada versão crossover/SUV e, ainda, uma picape para desafiar a Fiat Toro. Isso sem falar nas novas gerações de Tiguan e Golf (vai demorar) e em um outro crossover, também derivado do Golf. Vamos lá?

A volta do Polo
Enfim, o SUV. E são dois! (além do novo Tiguan)
A nova geração do Tiguan
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