Jaguar XF entra na era do alumínio

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No ano passado, o Jaguar XF teve expressivos 28% das vendas em sua categoria, mesmo enfrentando Mercedes Classe E, Audi A6 e BMW Série 5 – todos mais tradicionais e renovados mais recentemente. Boa parte do sucesso se deve ao design criado por Ian Callum em 2007. O XF foi um dos primeiros sedãs com ares de coupé, com linhas que o distanciaram radicalmente do careta antecessor S-Type. Por isso, a segunda geração chega com mudanças pontuais no design.

Faróis redesenhados (full LED), lanternas espichadas e grade maior são as mais notáveis. E mesmo assim, o sedã parece ter mudado menos do que no facelift da primeira geração. Não se engane pelas aparências, porém, pois a plataforma desse XF é toda nova. Com 75% de alumínio, aumentou o entre-eixos do modelo em 5,1 cm e reduziu seu peso em 190 kg. As vantagens se sente tanto na cabine quanto ao volante: o espaço cresceu e dirigibilidade, desempenho e consumo melhoraram bastante apesar das tímidas mudanças mecânicas.

Motor e câmbio seguem inalterados, mas são novos a bem calibrada direção elétrica (era hidráulica) e as suspensões. Na estrada e em um autódromo, avaliamos a versão que deve ser mais vendida, a R-Sport 2.0 de 240 cv. Com preço sugerido de R$ 288.600, tem a mecânica do XF Prestige (R$ 264.700), mas com amortecedores mais firmes, pedaleiras esportivas, bancos bicolores e visual incrementado, similar ao da versão S (3.0 V6 de 380 cv, R$ 381.100).

Na estrada, o desempenho surpreende. Rodando a 120 km/h, a rápida transmissão de oito marchas mantém o motor a 2.000 rpm e o XF faz 13 km/l (oficialmente, foi de 6,9 km/l e 9,7 km/l (cidade/estrada) para 8,7 e 12,2 km/l). O que mais impressiona, porém, é o silêncio absoluto ao rodar – que combina com o acabamento primoroso e as suspensões com absorção invejável de imperfeições do piso.

Se o trânsito aumenta, o piloto automático adaptativo (ACC) mantém distância constante do carro à frente e a nova central multimídia InControl, mais conectada e compatível com vários apps, garante distração. Caso ela seja excessiva, o assistente de faixa (LKA) interfere no volante e puxa o carro de volta à pista. Já em uma situação de colisão iminente, os freios são pré-ativados e o sedã emite um alerta. Pena que esses itens são opcionais, assim como o monitor de ponto cego (todos de série no XF-S).

Outras novidades são o Jaguar Drive Control, que ajusta acelerador, direção e câmbio de acordo com o gosto do motorista (no XF-S altera também a rigidez dos amortecedores) e a vetorização de torque, que ajuda a contornar curvas atuando sutilmente nos freios (antes que o ESP interfira). São funções sempre úteis, claro, mas que se fazem sentir muito melhor no autódromo – um ambiente mais apropriado para os 380 cv da versão S, que fazem a tração traseira “aparecer” mais e destacam as (excelentes) qualidades dinâmicas do XF. Nesse ambiente, o 2.0 R-Sport não empolgou tanto. Na vida real, porém, já é mais do que suficiente.

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Ficha técnica:

Jaguar XF 2.0 GTDi R-Sport

Preço básico: R$ 264.700
Carro avaliado: R$ 288.600
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, duplo comando variável, turbo, injeção direta
Cilindrada: 1999 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 240 cv a 5.800 rpm
Torque: 34,7 kgfm a 1.750 rpm
Câmbio: automático sequencial, oito marchas
Direção: elétrica
Suspensões: duplo triângulo (d) e integral link (t)
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: traseira
Dimensões: 4,954 m (c), 1,987 m (l), 1,457 m (a)
Entre-eixos: 2,960 m
Pneus: 245/45 R18
Porta-malas: 505 litros (885 c/banco rebatido)
Tanque: 74 litros
Peso: 1.590 kg
0-100 km/h: 7s0
Velocidade máxima: 248 km/h
Consumo cidade: 8,7 km/l
Consumo estrada: 12,2 km/l
Nota do Inmetro: C*
Emissão de CO2: 140 g/km
Classificação na categoria: B (extra-grande)*

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