Mercedes Vito: para os negócios (e para a família também?)

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Imagine só: motor 2.0 turbo, câmbio de seis marchas e tração traseira. Injeção direta, 184 cv e 30,6 kgfm de torque a 1.250 rpm. Estrela na grade, rodas de liga-leve aro 17 e freios a disco nas quatro rodas. Controle de estabilidade, detector de cansaço, volante multifuncional e retrovisores aquecidos. Computador de bordo, couro e auxílio em rampas. Duas toneladas e três fileiras de bancos (? ). Oito lugares, assistente de vento lateral e porta-malas de 990 litros (??). Trata-se de um esportivo, um carro de luxo ou um SUV? Um pouco de cada? Não, apenas uma van comecial de passageiros. Ou não.

Claro que a proposta dessa nova Mercedes-Benz Vito Tourer 119 é comercial, tipo uma Kombi (só que maior). Mas dá, sim, para tê-la como um carro de família (ok, de uma família um pouco excêntrica). Pelo preço de um Citroën Grand C4 Picasso e menos que SUVs de sete lugares, viajam aqui oito pessoas com mais conforto e muito mais bagagem (pois alguns, com sete passageiros, mal levam mochilas). Transportado meu filho de três anos (que insistia em chamar o Vito de mini-ônibus) e seus amiguinhos no fim de semana, ele se saiu bem.

Os bancos são fáceis de dobrar e não sujam (e do piso é fácil tirar lama e sorvete). Há isofix para prender quatro cadeirinhas com mais segurança. Nos outros bancos, as mães das crianças, bem acomodadas, elogiaram o ar-condicionado nas três fileiras – e com saídas no teto que as crianças adoraram (nem contei que com o carro desligado a ventilação continua funcionando, para tirar o ar-quente). A grande porta lateral corrediça se mostrou superprática (abre em qualquer vaga) e entrada e saída da ampla cabine de teto alto são fáceis (cuidado com o degrau!).

Como a Hyundai fez com o Veloster, porém, a Mercedes-Benz parece ter esquecido de que dá para estacionar dos dois lados da rua (no exterior há a opção). Ao volante, não há espanto. O Vito não exige CNH especial e não é difícil de guiar. Não é alto demais e cabe nas vagas do dia-a-dia. Os 5,14 metros de comprimento são menos do que têm uma Chevrolet S10, e seu raio de giro é menor (deu até para passar no drive-thru). Mas um sensor de estacionamento traseiro seria bem vindo: os bancos atrapalham a visão, e teve horas em que tive de contar com a ajuda dos pedestres (ou passageiros).

Sobre esportividade, bem, fora algumas características técnicas, ela não existe. Mas até que a van anda bem: vai de 0-100 km/h em 11 segundos, menos do que alguns crossovers compactos por aí. Na estrada, transmite confiança. Em sexta marcha, a 110 km/h e com o conta-giros na faixa das 2.000 rpm, segue silenciosa e gastando pouco para seu tamanho (10 km/l). Tem força para ultrapassagens, não “passarinha” e não deita nas curvas (ao custo de suspensões que deviam ser um pouco mais macias). A alavanca de câmbio alta fica à mão e os engates são bons. Mas é um veículo para andar na boa, conversando com o pessoal…

Interessado? Essa versão Luxo 7+1 sai por R$ 139.900. Já o Vito Tourer 119 Comfort 8+1, de R$ 129.900, é menos equipado e confortável (apesar do nome). Leva uma pessoa a mais – na frente, onde a Luxo tem espaço para sacolas. Há ainda o Vito 111 CDI (de carga, R$ 104.990). Tem motor 1.6 diesel de 114 cv/27,5 kgfm e leva 1.225 kg ou 6 m3! Sem dúvida esses Vito são bons substitutos para a Kombi. Bem mais caros, porém infinitamente superiores.

Ficha técnica:

Mercedes-Benz Vito Tourer 119 Luxo

Preço básico: R$ 129.990
Carro avaliado: R$ 139.990
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, comando variável, turbo, injeção direta
Cilindrada: 1991 cm3
Combustível: flex
Potência: 184 cv a 5.500 rpm (g/e)
Torque: 30,6 kgfm de 1.250 a 4.000 rpm (g/e)
Câmbio: manual, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e braços arrastados (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: traseira
Dimensões: 5,140 m (c), 1,928 m (l), 1,910 m (a)
Entre-eixos: 3,200
Pneus: 195/65 R16 (opcional 17”)
Porta-malas: 990 litros
Tanque: 70 litros
Peso: 2.175 kg
0-100 km/h: 11s2 (medição Motor Show)
Velocidade máxima: 160 km/h (g/e)
Consumo cidade: 7,0 km/l
Consumo estrada: 10,0 km/l
Nota do Inmetro: D (estimada)
Emissão de CO2: 155 g/km
Classificação na categoria: C* (Comercial) *estimada

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