O show dos executivos: Toyota quer provocar “uau”, Honda resgata os sonhos e Nissan não tem limites

O que pensam os presidentes da Toyota (Akio Toyoda), da Honda (Takahiro Hachigo) e da Nissan (Carlos Ghosn) sobre o novo mundo automotivo

 

Toyoda San, executivo número 1 da maior montadora japonesa, entrou no palco do estande da Toyota provocando: “O que você dizer uau?” Sob o lema “what wows you”, a Toyota anunciou sua nova arquitetura global TNGA, apontou 2020 como o início de uma nova era na mobilidade motorizada e prometeu que os carros da marca serão mais prazerosos e provocantes daqui para frente. Akio Toyoda disse que não foi por um motivo econômico que as pessoas encostaram os cavalos e passaram a se locomover de automóvel, há mais de 100 anos: “As pessoas trocaram os cavalos pelos carros, há 100 anos, porque era mais agradável conduzir carros”. Ele disse que a nova missão da marca é “tornar as cidades mais divertidas e provocar uau nas pessoas quando conhecerem nossos carros”.

De sua parte, o novo presidente da Honda, Hachigo San, começou falando da história da marca com as motos, à frente de uma pequena CUB de duas rodas, tendo ao lado o superesportivo híbrido NSX e o sedã FCV Clarity, que usa hidrogênio como combustível e emite… água! Mais tarde, conversando exclusivamente com jornalistas brasileiros, Takahiro Hachigo disse que pretende estender para os carros com direção autônoma e zero emissão de poluentes sua paixão pela velocidade. Ele foi várias vezes ao Brasil, nos anos 1980 e 1990, para ver Ayrton Senna correr na Fórmula 1. Perguntei se eles se conheciam. “Eu o conhecia, mas ele não conhecia a mim”, respondeu, bem-humorado. A Honda está entre as marcas que resumem o espírito do Salão de Tóquio 2015:  carros ecológicos e em alguns casos até autônomos, mas que proporcionam paixão no design, sensações ao volante e conforto a bordo.

Já o brasileiro Carlos Ghosn, presidente da aliança Renault Nissan, apresentou com empolgação os novos projetos da marca japonesa, especialmente o sedã IDS, que será capaz de “ver”, “pensar” e “reagir” de forma autônoma, mas fazendo tudo isso com o mesmo estilo que seria feito por seu motorista quando ele dirige no modo manual. Mais tarde, provocado por jornalistas numa concorrida entrevista coletiva no centro de conferência do Tokyo Big Sight, Ghosn disse que não é papel da indústria automobilística decidir de que forma o carro deve ser conduzido: “Você faz a vida a bordo do jeito que quiser. Se você quer dirigir, você dirige. Se está cansado e não quer mais dirigir, o carro faz isso por você. Agora é você quem decide”. E completou: “Estamos tão excitados com a direção autônoma por causa das possibilidades que ela abre para os clientes”.

De todas as apresentações, a mais interessante foi a da Toyota. Depois de dar suas boas-vindas, Toyoda San chamou ao palco o astro de beisebol Ichiro Suzuki, que joga no Miami Marlins, dos Estados Unidos. Por conta de seu sobrenome que remete a um concorrente, o atleta foi apresentado apenas como Ichiro. “Todo ano mudo a minha forma de bater na bola, pois nós temos que superar os desafios e fazer melhor do que nos anos anteriores”, disse Ichiro. “A arquitetura TNGA significa que a Toyota mudou a forma de bater na bola. O mundo mudou e a Toyota mudou também.” Depois ainda disse: “Eu adoro carros. Não dirijo muito bem, mas adoro”. Foi a senha para que Toyoda San pudesse falar aos jovens que não têm a mesma paixão de guiar um automóvel, mas que buscam novos elementos a bordo: “Em 2020 queremos impressionar — uau — as pessoas que vierem a Tóquio para os Jogos Olímpicos”.

Carlos Ghosn também falou sobre o mercado brasileiro — e foi duro. “Eu falei sobre a Rússia, onde ninguém está ganhando dinheiro e muitos estão perdendo, e o Brasil não está muito longe”, comentou. “Infelizmente, até que a situação política não fique clara, a economia brasileira não vai se recuperar. A questão é quando o Brasil vai parar com a discussão interna sobre o que é melhor para o país.” Hachigo San também mostrou bom conhecimento do mercado brasileiro, pois, como engenheiro, participou do desenvolvimento de vários carros da Honda. Já esteve diversas vezes no Brasil, mas lamenta ter sido só em São Paulo. Ele disse que gosta de beber caipirinhas e que seu sonho é conhecer Manaus, onde a Honda tem uma fábrica de motos. “No curto prazo o Brasil tem problemas severos, mas no longo prazo tem muito potencial. Eu gostaria de lançar novos produtos de duas e quatro rodas, mas temos que deliberar cuidadosamente como vamos crescer nesse mercado”, afirmou.

Veja as novidades da Toyota, Honda e Nissan na cobertura do Salão de Tóquio aqui no site da Motor Show.

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