Peugeot 208: mais razão e menos sensibilidade

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Aqui na redação já virou motivo de brincadeiras minha ligação com os hatches da Peugeot. Também pudera: fui dono de um 206 e sou proprietário de um 207 com quase 120.000 km rodados. Por esse motivo, acabei sendo o eleito para avaliar um 208 1.5 Allure (R$ 53.290) que pintou aqui na revista. O desafio era o seguinte: se eu fosse trocar de carro hoje, ele estaria em minha lista de compras? E não valia ser por motivos passionais.

Vamos lá. Se o 207 nacional nada mais era que um 206 reestilizado e com suspensão recalibrada, e que mantinha diversos dos vícios do antecessor (como o pouco espaço e a ergonomia ruim), o 208 representou um enorme avanço para a empresa, que voltou a ter um produto em sintonia com a Europa. E nesse ponto a marca caprichou. Na cabine, os passageiros encontram o necessário para se sentirem confortáveis: dos materiais usados à agradável posição de dirigir, com um quadro de instrumentos que é visualizado por cima do pequeno volante, mesmo para quem não tem estatura alta, como eu. Para completar, o teto de vidro dá um ar de sofisticação ao conjunto.

Nessa linha 2016, o pacote ficou ainda melhor, com a adição de airbags laterais, ar digital bizone, sensor de estacionamento e central multimídia com novo grafismo. Itens inimagináveis no velho 207, como o meu. Em movimento, o 208 também é bem superior aos antecessores. Ao contrário deles, é equilibrado, com suspensão firme sem ser desconfortável, e tem um conjunto ágil e bem acertado. Fiz uma viagem de 200 km com o modelo e, antes que eu pudesse comentar, Juliana, minha noiva, elogiou o carrinho. “Me senti menos cansada do que no 207”, ela afirmou. Tipo: nenhum problema se o nosso próximo carro também for um hatch pequeno da Peugeot.

É claro que alguns pontos poderiam melhorar. Evolução do 1.4 do 207, o 1.5 flex de 89/93 cv é apenas razoável, tanto em desempenho quanto em consumo. Abastecido com etanol, marca 9,6 km/l na estrada, segundo o Inmetro, e acelera de 0-100 em 10,9 segundos. A mesma nota merece o câmbio manual de cinco marchas, que, apesar dos engates justos, tem alavanca de curso muito longo. Pesando os prós e os contras, o modelo tem bons argumentos para atrair o possível comprador. E é claro que eu o compraria. Mas não por ser um fã da marca. Juro.

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Contraponto

Por Flavio R. Silveira

Como bem apontou o Evandro, a Peugeot cometeu um grave erro com o 207 nacional – que se refletiu nas vendas. Para compensar, esse 208 é quase idêntico ao europeu – só falta o isofix. E sendo um pai de família e dono de cadeirinha com esse sistema, eu ficaria bastante inseguro em ter um carro incompatível. Pena, porque o 208 é bastante divertido de guiar, principalmente na cidade (mesmo com esse motor mais fraco), e gosto da posição de dirigir diferente, do painel alto e do volante pequeno. O hatch ainda atrai pelo teto de vidro (que adoro) e outros itens raros no segmento, como os airbags laterais e o ar-condicionado automático de duas zonas – além da excelente central multimídia. Discordo do Evandro, porém, em relação aos materiais da cabine: eles são agradáveis de olhar, mas é preciso cuidado, pois arranham com facilidade. Nesse novo posicionamento mais “premium” da marca francesa, o revestimento poderia ser de material emborrachado. Se fosse comprá-lo, porém, não gastaria R$ 53.290 nesse Allure 1.5 – pagaria um pouco mais no Griffe, com motor 1.6 de 122 cv.

COMPRE SE…
Você faz questão de uma lista de equipamentos generosa e gosta de carros inovadores (no caso, na posição de dirigir)
Seu uso é principalmente urbano e você não pretende subir a serra carregado – nesse caso, é melhor optar pelo motor 1.6.

NÃO COMPRE SE…
Você faz questão de segurança máxima para seus filhos ▼ tem cadeirinha tipo isofix – sistema não oferecido nesse 208.
Um porta-malas grande é importante para você: o do 208 está na média do segmento, mas é pequeno para o uso familiar.

Considere também esses concorrentes

Ficha técnica:

Peugeot 208 1.5 Allure

Preço oficial: R$ 53.290
Motor:
4 cilindros em linha, 8V
Cilindrada: 1449 cm3
Combustível: flex
Potência: 89 cv a 5.500 rpm (g) e 93 cv a 5.500 rpm (e)
Torque: 13,5 kgfm a 3.000 rpm (g) e 14,2 kgfm a 3.000 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Tração: dianteira
Direção: elétrica
Dimensões: 3,966 m (c), 1,702 m (l), 1,472 m (a)
Entre-eixos: 2,541 m
Pneus: 195/60 R15
Porta malas: 283 litros
Tanque: 55 litros
Peso: 1.086 kg
0-100 km/h: 11s7 (g) e 10s9 (e)
Velocidade máxima: 177 km/h (g) e 181 km/h (e)
Consumo cidade: 11,6 km/l (g) e 8,0 km/l (e)
Consumo estrada: 14,3 km/l (g) e 9,6 km/l (e)
Emissão de CO2: 104 g/km
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: A (Compacto)

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