Renault Captur CVT: vale o que custa?

Avaliei um Captur Intense 1.6 com o recém-lançado câmbio automático CVT. E gostei bastante desse crossover

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Lançado no início deste ano, o Renault Captur brasileiro seguiu à risca o conceito do seu projeto original francês. Mas apesar de conceitualmente a proposta ser a mesma, o modelo nacional difere mecanicamente do seu irmão europeu por ser quase 21 cm mais longo — o que permitiu o aumento do porta-malas de 377 para 437 litros — tem posição de dirigir 10 cm mais alta e a distância entre-eixos é de 2,67 m do brasileiro (2,60 m no europeu). Resultado do uso da plataforma do Duster no lugar da base de Clio, empregada no Captur original.

Avaliei um Captur Intense 1.6 com o recém-lançado câmbio automático CVT, que oferece ar-condicionado automático, direção eletro-hidráulica, câmera de ré, sensores de chuva e crepuscular, além dos importantes controles de tração e estabilidade, quatro airbags e sistema Isofix (esses três últimos itens estão presentes desde a versão de entrada, Zen). Uma crítica fica por conta do ultrapassado sistema multimídia (os concorrentes já oferecem sistemas e recursos mais modernos em telas maiores). Mas mesmo não sendo a mais moderna, essa central funciona convenientemente bem. Outro ponto negativo é a utilização do obsoleto freio a tambor nas rodas traseiras. Não que tenhamos sentido qualquer ineficiência do sistema em frenagens, mas o disco traseiro deixaria o sistema mais leve e eficiente, principalmente em um carro desse preço.

E por falar em preço, o Captur não tem um valor dos mais atraentes nessa versão, aliás, bem semelhante ao de seus concorrentes (HR-V LX CVT por R$87.900; Creta Pulse 1.6 AT por R$86.740; Renegade Sport Automático por R$89.990 e Kicks SV CVT por R$85.600). O Captur avaliado tem preço inicial de R$88.900, sem os opcionais bancos em couro e pintura em dois tons, ambos presentes no carro que testei. A grande novidade da linha 2018 é o novo câmbio CVT de infinitas relações de marchas ou, se o motorista preferir, 6 marchas fixas que podem ser trocadas na alavanca de mudanças. Esse novo câmbio, em conjunto com o bom e moderno motor 1.6 de 120/118cv (etanol/gasolina), dão ao Captur um bom desempenho. Com acelerações de 0-100km/h ao redor dos 13 segundos e uma velocidade máxima na casa dos 170km/h. Segundo o Inmetro, os números do consumo urbano são de 7,3 km/l (etanol), 10,5 km/l (gasolina) e, no consumo rodoviário, são de 8,1 km/l (etanol) e  11,7 km/l (gasolina). Resultados satisfatórios para um veículo familiar desse porte.

Em que pese a força dos concorrentes, gostei bastante do Captur. Nessa versão, com a pintura em duas cores, o carro ficou bem bonito e atraente. As linhas do Captur são, sem sombra de dúvidas, muito estilosas e harmoniosas. O interior é bem aconchegante e confortável. Destaque para os bancos, forrados em couro macio ao toque, bem agradável e confortável. Outro ponto que chamou minha atenção foi o silêncio ao rodar. Bem agradável, principalmente nas longas viagens. Talvez, o interior ficasse ainda melhor se o fabricante não abusasse tanto dos plásticos rígidos, que com o passar do tempo, acabam gerando ruídos. Mas, no todo, o carro agradou bastante e fez sucesso junto ao público feminino. Se eu o compraria? Precisaria olhar com mais cuidado seus concorrentes. Mas, certamente o Captur estaria na minha lista de escolhas.

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