Entenda por que o Mobi já vende mais que o Up

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Up Run: a série especial é mais cara que a antiga versão intermediária e uma das 15 configurações do Volks. (Foto: VW)

Quando o Mobi foi lançado, muitos duvidaram que o carro da Fiat poderia vender mais que o Up, da Volkswagen. Mas uma boa campanha de marketing, como sabemos, é capaz de enaltecer certas virtudes. Quanto mais fazer um carro vender mais que o seu concorrente quando seus pontos fortes são mais visíveis (caso do atrevido Mobi perante o Up, que é mais refinado tecnicamente, porém tem design e acabamento que não empolgam).

E aconteceu. O Mobi não apenas passou a vender mais do que o Up em julho (3.601 emplacamentos contra 3.406) como também passou a tirar vendas do concorrente a partir de agosto (3.840 contra 3.003). Em junho, para se ter uma idéia, a vitória ainda era do Up (3.488 contra 2.822).

O Mobi estreou na segunda quinzena de março. Que fez a Fiat desde seu lançamento? Não muito além do que fez ao lançá-lo. Manteve no ar, em todas as mídias possíveis, aquela musiquinha-chiclete (“I like to Mobi-Mobi, I like to Mobi-Mobi”) e, ao perceber que o carro não emplacava, reduziu o preço da versão de entrada de R$ 31.900 para R$ 29.990 (um desconto de R$ 1.910) e passou a oferecer um financiamento com entrada de R$ 8.997 mais 48x de R$ 673.

E a Volks, que fez de sua parte? Reposicionou o Up, mas criou uma verdadeira salada envolvendo versões, motores e câmbio. Ao contrário do Mobi, o Up tem dois motores flex 1.0: o normal (75/82 cv) e o turbo (101/105 cv). O motor das versões turbinadas é chamado de TSI. A versão que tinha o melhor custo/benefício (Move) ficou restrita ao motor TSI e em seu lugar entrou a série especial Run, baseada na Move com algo a mais. O preço, claro, subiu: foi de R$ 42.950 (antiga Move) para R$ 44.950 (Run) e R$ 48.470 (Move TSI).

O motor aspirado está na versão de entrada, mas não na intermediária, só em uma nova série especial, porém volta na completa, desaparece na esportivada, retorna na aventureira e sumiu da topo de linha. Já o câmbio automatizado (I-Motion) está só na série especial, mas não na intermediária, continua na completa e na aventureira, porém não está nem na topo de linha nem na esportivada. Se é difícil entender isso, imagine acrescentando os motores.

Para combater a chegada do Mobi, a Volkswagen fez uma grande redução no preço da versão de entrada (Take), que passou de R$ 37.690 para R$ 34.430 com duas portas e de R$ 39.990 para R$ 36.750 com quatro portas. Foram quedas expressivas, superiores a R$ 3.200.

Mas todos os Mobi têm quatro portas, portanto é com o Up dessa configuração que ele deve ser comparado. E a diferença é grande: R$ 6.760. Para completar, a Volkswagen deixou o Up praticamente na geladeira nesse período: quase não se viu publicidade do carro na grande mídia. Enquanto a música-chiclete do Mobi e seu preço abaixo da barreira psicológica dos R$ 30 mil vai entrando na cabeça dos consumidores.

Tecnicamente, em termos de motor, consumo e segurança, o Up é considerado superior ao Mobi pelos jornalistas especializados em automóvel. Porém, o desenho do Mobi agrada à maioria das pessoas, sua suspensão é mais macia e ele não tem a “lataria” das portas exposta no habitáculo, como o Volks. Além disso, não basta ter o melhor carro. É preciso cuidar dele também.

O Up tem tantas versões, com tantos nomes e tantos preços e motores diferentes que acaba confundindo o consumidor. São 15 versões. Mas três são exatamente iguais. E uma quarta é igual a essas outras três, só que não. Às vezes, o excesso de opções acaba assustando o comprador, que fica na dúvida se está fazendo realmente a melhor compra. Sem contar que o andar das carruagens comprova a máxima que, de tão antiga, deve ter sido dita pelo Confúcio: a propaganda é a alma do negócio.

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