GM abre 27 mil carros de vantagem sobre a FCA e dispara na liderança

A troca do Palio pelo Argo prejudicou as vendas da Fiat, que tem um olho no mercado e outro no Inovar-Auto, enquanto as vendas da Chevrolet seguem em alta

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Palio: o ex-campeão caiu para 22º lugar no ranking e deixou de ser interessante para a Fiat nesse momento. (Foto: FCA)

Muito já se disse que o Brasil não é para amadores. Não mesmo. Com uma economia repleta de pegadinhas, Pindorama costuma pregar peças em executivos que aportam no berço esplêndido com fórmulas que deram certo na Europa, na Ásia ou nos Estados Unidos. Mas qualquer descuido, qualquer decisão em tempo errado, resulta em perda de participação no mercado. E nem empresas calejadas com o Brasil escapam dessa sina.

A “vítima” da vez é a FCA (Fiat Chrysler Automobiles), que vê o seu sonho de ser tricampeã de vendas no Brasil ficar mais distante. Em julho, o balanço acumulado da Anfavea apontou um aumento brutal na diferença da montadora ítalo-americana em relação à genuinamente norte-americana GM (General Motors). Por isso, a distância que era de mil e poucas unidades passou para 27.308 carros.

Com suas cinco marcas, a FCA vendeu nos primeiros sete meses deste ano um total de 140.791 carros (108.963 da Fiat, 31.099 da Jeep, 686 da Dodge/RAM e 42 da Chrysler). Só com a Chevrolet, sua única marca no Brasil, a GM emplacou 168.099 – assim, credencia-se não só ao tricampeonato por marcas, com a Chevrolet, mas também ao título por fabricantes, em sua disputa particular com a atual bicampeã FCA.

E a “culpa” dessa derrapada da FCA está na substituição das versões mais caras do Palio pelas mais baratas do novíssimo Argo. Quem diria que o Fiat Palio, o carro que quebrou a invencibilidade de 27 anos do Volkswagen Gol, iria aparecer no ranking de vendas mensal em 32º lugar! Mas foi o que aconteceu em julho, quando registrou apenas 1.468 emplacamentos. No acumulado do ano o Palio também vai mal: ocupa apenas o 22º lugar, com 15.270 vendas. Muito mais caro, o estreante Argo não tem o mesmo fôlego e, por enquanto, não passou do 15º lugar em julho, com 3.235 licenciamentos.

Mas isso não explica tudo. Na verdade, a Fiat tem necessidade de frear as vendas do carro devido à última rodada de medições do programa Inovar-Auto, que ocorre em setembro. Como se sabe, a montadora que não atingir a meta de eficiência energética estipulada pelo governo pode ter grandes prejuízos. Para além de ver alguns concorrentes tendo desconto nos impostos (só Audi, Ford e Nissan conseguiram até agora), ainda corre-se o risco de pagar multa.

Tanto pior quando o carro mal avaliado na eficiência energética é um campeão de vendas. Existe uma fórmula matemática feita pelo governo que praticamente obriga as montadoras a dotarem seus carros mais populares de motores eficientes. Por isso, todas as marcas renovaram a motorização dos carros de entrada ou trouxeram versões turbinadas, com cilindrada menor, para compor a gama (casos da Ford com o Fiesta EcoBoost e da Honda com o Civic Turbo).

Toda a linha Palio ainda é equipada com os motores Evo 1.0, 1.4 e 1.6, que foram bons num passado recente, mas hoje estão defasados perante os novos motores Firefly 1.0 e 1.3 que equipam o Argo, o Mobi e o Uno. Portanto, o mesmo Palio que derrubou o Gol, hoje é uma espécie de “patinho feio” na Fiat e ficará na geladeira do marketing até a chegada de sua nova geração.

Mas não é só a Fiat que tem um olho no mercado e outro na derradeira medição do Inovar-Auto. Segundo reportagem da jornalista Giovanna Riato no site Automotive Business, dos 551 carros listados no PBEV (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular), 60% ainda não atendem à redução mínima de 12% no consumo de combustível exigida pelo Inovar-Auto, em comparação com 2011.

A reportagem diz mais: “Enquanto a maior parte não atende ao Inovar-Auto, 12,7% destes veículos cumprem a exigência de melhoria mínima. Outros 27,1% superam este patamar de redução das emissões e, como resultados isolados, alcançam nível que garantiria descontos no IPI. São 100 carros que apresentam redução consumo acima de 15%, o que rende à montadora desoneração de 1 ponto porcentual no IPI caso este fosse o resultado médio de toda a frota vendida. Outros 149 carros alcançam a meta mais desafiadora do programa, com economia maior que 18,8% e média abaixo de 1,64 MJ/km”.

Como o Chevrolet Onix, carro-chefe da GM no Brasil, já conseguiu o selo Conpet de eficiência energética em oito de suas nove versões, seu tricampeonato está garantido, pois abriu 38.009 carros sobre o Hyundai HB20, o segundo modelo mais vendido do Brasil. E, dessa vez, além de ajudar a Chevrolet a garantir o título, o Onix deve levar à liderança também a GM, que poderá fazer barba, cabelo e bigode em 2017.

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