Segredo: os Mega-SUVs da Audi e BMW

Os utilitários-esportivos “XL” mal chegam ao mercado brasileiro, mas nos Estados Unidos as vendas são impressionantes. E as marcas alemãs de luxo vão finalmente entrar nessa onda – mas de modos diferentes

Em comum, eles terão apenas o tamanho. Gigantescos para os padrões brasileiros, ficarão no topo das famílias de SUVs, superando os cinco metros de comprimento. Com diferenças contrastantes entre si, Audi Q8 e BMW X7 são duas interpretações opostas do tema “SUV sem limite de tamanho”. Esse é um mercado com enorme potencial de crescimento – especialmente nos Estados Unidos, onde as vendas de 2016 mostraram que o público continua a procurar esses modelos: nos últimos doze meses, os SUVs e as picapes juntos responderam por 60% das vendas.

E, mais significativamente, titãs como Audi Q7 (5,05 m de comprimento, 30.563 unidades vendidas) e Mercedes GLS (5,13 m, 30.442 unidades) ganharam do outro extremo da gama, dos SUVs compactos: nesse mesmo período foram vendidos lá apenas 27.812 BMW X1, 24.545 Mercedes GLA e 20.048 Audi Q3. É da força desses números – o oposto do que ocorre no Brasil e na Europa, que só têm olhos para os “jipinhos” e “crossoverzinhos” – que nascerão esses dois super-SUVs.

MAXI-COUPÉ, UM DESAFIO DE DESIGN:

Vendo esses números, a Audi decidiu reforçar sua presença no segmento com um SUV-cupê ousado no tamanho: com 5,02 m, o conceito Q8 ganha do BMW X6 e do Mercedes GLE Coupé por mais de dez centímetros. Cria, assim, um desafio para os designers: tirar de dimensões exageradas proporções sedutoras. A fórmula do designer Marc Lichte será não um cupê verdadeiro, mas um dois-volumes peculiar, com janela traseira inclinada e ombros largos.

Falando em ombros, as protuberâncias nas laterais do Q8 são um tributo ao “Ur-quattro” de 1980, o cupê que levou a marca quattro ao Olimpo do WRC (Mundial de Rali). O significado do Q8, é claro, não termina na mensagem de design, mas abrange outros aspectos. Pensemos nos motores: 3.0 TDI V6 na versão base e no SQ8 um 4.0 TDI V8 de 435 cv, como no Q7.

Possivelmente nos surpreenderemos com uma versão RS com um 4.0 V8 biturbo a gasolina. E, finalmente, teremos o primeiro híbrido plug-in a gasolina (o Q7 e-tron é a diesel), com 476 cv de potência total e 71,3 kgfm de torque. Assim, vai acelerar de 0-100 em 4,7 segundos e faz ótimos 14 km/l de média. No interior, o Q8 terá inovações na interface homem-máquina, com grandes superfícies touchscreen e head-up display com realidade aumentada.

FEITO NOS EUA, MAS NÃO POR CAUSA DO TRUMP

No caso da BMW, a fórmula é totalmente diferente: o X7 será muito mais parecido com modelos tradicionais como Mercedes-Benz GLS, Range Rover – e, por que não, Cadillac Escalade – nas intenções e no público-alvo. Com sete lugares e linhas típicas de SUVs full-size – entre-eixos bastante longo e poucas aspirações esportivas – o super-”X” vai mirar um público à procura de mais espaço e luxo, porém sem ostentação Seu posicionamento será o de um autêntico Série 7 “levantado”, com opção de cabine com quatro poltronas individuais, de luxo absoluto (flagship), ou com três fileiras de bancos.

Os motores serão a gasolina ou diesel, ambos com seis cilindros, e haverá uma versão híbrida plug-in. Além, é claro, das versões V8 e a incrível 6.6 V12 biturbo. Destinada desde 2014 à fábrica americana de Spartanburg (ao contrário do Audi, produz na Eslováquia), o X7 não é uma concessão à doutrina protecionista do Presidente Trump. Pelo contrário: a Audi disse que não vai mudar seus planos da nova fábrica no México.

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