Tudo sobre o novo motor da Fiat que estreia no Uno

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Divulgação

A Fiat encara o Uno reestilizado, que chega às lojas em outubro, praticamente como um novo carro. Também pudera: o modelo terá quase 200 alterações em seu projeto original. O objetivo foi fazer com que o pequeno Fiat galgasse um degrau em seu posicionamento de mercado e, agora, esse novo Uno 2017 estará disputando mercado com carros mais caros.

Assim, como a Volkswagen tem o Up de entrada e o Gol como segundo degrau em termos de preço e tamanho, na Fiat, o Mobi ocupará a posição de carro de entrada enquanto o novo Uno estará brigando diretamente com o Gol. Esta deverá ser a nova estratégia da Fiat.

Mas as boas surpresas não param por aí. O tal novo motor de três cilindros que a Fiat desenvolve há anos, finalmente sairá das pranchetas para baixo dos capôs de seus carros. E olha que o novo motor, apesar de sua simplicidade construtiva, possui tecnologias inéditas que, ao que tudo indica, farão dessa nova família que está chegando uma verdadeira joia. O nome será GSE, que significa Global Smal Engine, que em bom português quer dizer Motor Pequeno Global. Foi um propulsor desenvolvido conjuntamente entre a engenharia de motores do Brasil e a engenharia de motores da Itália. E, é claro, a família que nasce servirá para todo o mundo.

Essa nova família será composta por motores 1.0 de 3 cilindros, como já fazem aqui Volkswagen, Hyundai, Nissan, Ford, Peugeot e Citroen (confira aqui mais detalhes sobre as vantagens técnicas dos propulsores tricilíndricos). Além disso, existirá uma versão de 4 cilindros e 1.332 cm³, utilizando exatamente a mesma tecnologia do 3 cilindros e os mesmos componentes. Ou seja, será o mesmo motor de 3 cilindros, apenas com um cilindro a mais. Em escala industrial, uma tremenda economia, pois teremos dois motores distintos que compartilham suas principais peças.

Vamos aos números: a nova família GSE terá um único comando de válvulas no cabeçote com variador de fase. Serão duas válvulas por cilindro, pois os engenheiros almejaram mais o torque do que a potencia máxima. No virabrequim teremos defasagem de alguns graus entre as manivelas, para que se reduza o atrito ao rolamento e se aproveite melhor a queima do combustível nas câmaras gerando um impulso maior no virabrequim.

Além disso, em algumas situações de funcionamento, como pouca carga no acelerador e rotação constante, ou quando o motorista não está exigindo torque ou potencia e o motor está sendo utilizado apenas para manter velocidades médias e moderadas, o motor funciona quase que no Ciclo Miller, tecnologia até então usada nos propulsores dos carros híbridos: o sistema eletrônico chega a atrasar o comando de válvula em até 40 graus para que recircule uma parte dos gases de escapamento e, dessa forma, a emissão de poluente diminua drasticamente e o consumo de combustível chegue a melhorar quase 7%. Uma tecnologia inovadora.

As bielas são longas e leves, os pistões compostos de uma liga de alumínio e grafite para reduzir o atrito e a taxa de compressão nominal está na casa dos 13:1. Claro que todos eles, tanto 1.0 quanto 1.3, serão flex e beneficiados com a alta taxa de compressão que melhorará o desempenho, dando força nas baixas rotações, quanto permitirá um baixo consumo de combustível pela melhora do rendimento térmico da maquina.

Os números preliminares são: 77 cv com torque de 11kgfm para o 1.0 de três cilindros, quando abastecido com etanol, enquanto que o motor 1.3 de 4 cilindros produzirá 106 cv e um torque máximo ao redor dos 14,7kgfm. Se a potencia não impressiona, é o torque que essa nova família produz que dará resultados mais brilhantes ao comando do pedal do acelerador.Os novos motores serão torcudos, como se costuma dizer no jargão dos carros.

Um passarinho me contou também, que já estão previstas versões sobrealimentadas desses novos motores. Como nesse caso o objetivo é o desempenho, esses novos propulsores turbo teriam cabeçotes de 4 válvulas por cilindro e substituiriam motores maiores hoje em produção. Só para que se tenha uma ideia, esses novos motores teriam cerca de 120 cv, na versão 1.0 3 cilindros, e entre 150 e 160 cv, na versão 1.3.

Eles poderiam ser tranquilamente utilizados em carros maiores da Fiat e até da Jeep. Os novos motores serão lançados inicialmente no novo Uno depois o 3 cilindros passará para o Mobi e, aos poucos, substituirá os motores mais antigos de toda a linha Fiat. Esses novos propulsores, frutos de um trabalho Brasil- Itália, nortearam toda nova gama de motores que estão por nascer em todo o grupo Fiat.