Um jipinho de verdade

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Roberto Assunção

O fabricante do Renegade leva a sério suas origens e não decepciona quem busca um autêntico jipinho, termo que se popularizou em referência aos carros aventureiros. Com motor 2.0 a diesel, esse Jeep vale muito a pena! Seus 170 cv são suficientes para dar ao carro boa agilidade no trânsito, razoável desenvoltura na estrada e baixo consumo (consegui 11 km/l na cidade e 14 na estrada). Para mim, a versão Trailhawk seria exagerada, mas eu a compraria se precisasse fazer trilhas pesadas.


O Renegade Trailhawk tem um interior caprichado, com volante de couro multifuncional, mas o sistema multimídia e os bancos de couro são opcionais. O quadro de instrumentos (no alto, à dir.) remete à aventura. O seletor de terreno fica à frente da alavanca de câmbio

Afinal, ela custa só R$ 1.942 a mais que o Troller T4 3.2 e compensa a menor potência (30 cv) e o menor torque (12,2 kgfm) com um câmbio evoluído (automático de nove marchas contra manual de seis), um porta-malas bem maior (126 litros de diferença), uma carroceria mais segura (monobloco contra chassi) e suspensão de automóvel, que permite um rodar confortável na cidade. Completo, o Trailhawk custa R$ 145.050, mas ele fica mais em conta se você abrir mão do sistema multimídia (R$ 14.500), dos bancos de couro (R$ 2.000), dos airbags extras (R$ 4.000) ou do teto panorâmico (R$ 7.650).

Básico, o Renegade Trailhawk tem seletor para cinco tipos de terreno, pneus de uso misto, quatro protetores sob a carroceria (de cárter, tanque, câmbio e diferencial) e o interior todo pensado num estilo de vida aventureiro. Em relação às demais versões, ele também entrega suspensão off road elevada, ganchos de reboque e lanterna removível. O carro é bastante prático. Só não dá para entender por que o apito de travamento/abertura das portas é tão estridente e a insistência do sistema de alerta de proximidade de outros veículos em se manter ligado – você o desliga várias vezes e ele religa sozinho o tempo todo. É irritante.


O banco traseiro é confortável e nas versões a diesel as rodas aro 17 já vêm com pneus de uso misto. O selo “trail rated” é garantia de capacidade off road

Com esse motor a diesel, o Renegade ficou tão bom que até as versões de entrada valem a pena. Afinal, a Sport (R$ 99.900) já vem com seletor para quatro tipos de terreno, tração 4×4 com reduzida e controle de velocidade em descida (HDC), enquanto a Longitude (R$ 109.900) acrescenta navegador, computador de bordo, volante de couro e rack de teto. Portanto, eu não apenas compraria o Renegade a diesel, em qualquer versão, mas ainda o recomendaria como um dos poucos jipinhos de verdade dessa nova safra de crossovers!

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Ficha técnica:

Jeep Renegade 2.0 Trailhawk

Motor: 4 cilindros em linha, 16V, turbo, inter-cooler
Cilindrada: 1956 cm3
Combustível: diesel
Potência: 170 cv a 3.750 rpm
Torque: 35,7 kgfm a 1.750 rpm
Câmbio: automático, nove marchas, sequencial
Tração: integral, seletor de terreno, reduzida eletrônica
Direção: elétrica
Dimensões: 4,242 m (c), 1,798 m (l), 1,688 m (a)
Entre-eixos: 2,570 m
Pneus: 215/60 R17 (uso misto)
Porta malas: 260 litros
Tanque: 60 litros
Peso: 1.744 kg 0-100 km/h: 9s9
Velocidade máxima: 190 km/h
Consumo cidade: 12,3 km/l
Consumo estrada: 15,9 km/l
Nota do Inmetro: não participa (programa vetado a motores a diesel)

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Contraponto

Por Rafael Poci Déa

A personalidade do Jeep Renegade é inegável. Poucos carros atualmente têm uma presença tão forte. Acho que só o Fiat 500 – sempre ele – pode seduzir tanto. Adorei a quantidade de detalhes no exterior e no interior do modelo, como o jipinho estampado no canto do vidro dianteiro ou o porta-copo dianteiro com o formato das lanternas. Aprovei o desempenho do motor a diesel, mas tenho ressalvas em relação ao câmbio automático de nove marchas. Essa caixa pode ser uma obra da engenharia, mas, dependendo da situação, as trocas são acompanhadas de leves trancos. Essa versão Trailhawk não se encaixa às minhas necessidades, pois não sou uma pessoa aventureira nem preciso de um seletor de terreno junto de um visual parrudo. Para quê? Já o tamanho do porta-malas quase me impediu de acomodar minhas bagagens junto das compras do supermercado. Bom, pelos mesmos R$ 145.050 cobrados, eu desfilo por aí a bordo de um modelo alemão, por exemplo. Claro, são propostas completamente diferentes, mas é o meu gosto pessoal e o meu dinheiro em questão. Por isso, peço desculpa aos fãs.

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