Um quarteto brasileiro

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Meu amigo José Carlos Pace também chegou à Formula 1, onde ele pilotou em equipes mais competitivas que meu irmão Wilson. Pace esteve na Surtees, Williams e Brabham. Ele só ganhou um GP. Mas, este GP foi em 1975, exatamente o Grande Prêmio do Brasil, quando ele triunfou pela Brabham. Eu terminei em segundo pela McLaren, exatos 5 segundos atrás de Pace. Nunca vou esquecer o olhar de pura felicidade dele quando subimos no pódio, para acenar para o público absolutamente deslumbrado por ver dois brasileiros em primeiro e segundo lugares. Dois anos depois, em março de 1977, Pace faleceu em um acidente com um pequeno avião. Em sua honra, Interlagos foi rebatizado de Autódromo José Carlos Pace. Eu sempre faço uma prece quando passo pela estátua de meu velho amigo, no meu caminho para o circuito, mesmo agora, quase quatro décadas depois.

Luiz Pereira Bueno era o quarto membro da nossa turma brasileira. Meu irmão Wilson, Pace e eu completávamos o quarteto. Mas, Luiz não teve as chances necessárias e competiu em um único GP, no Brasil, em 1973. Uma corrida que eu venci e na qual Luiz terminou em 12º lugar, com um Surtees. Ele era rápido, muito mais rápido que seus resultados mostravam. Mas, como eu disse, não teve boas chances de mostrar todo seu talento na Fórmula 1. Ele era um cara adorável e fiquei muito triste quando ele morreu de câncer em 2011.

Eu poderia citar tanta gente, muito mais ótimos amigos. Aqui vão apenas alguns mais: Jerry Cunningham, o anglo-brasileiro que acreditou em mim nas minhas primeiras corridas no Brasil e me deu confiança para tentar a sorte na Inglaterra. Jerry até foi comigo para lá. Vale falar de Chico Rosa, que tanto fez para ajudar quando cheguei naquela terra estrangeira e fria. Ele acabou sendo administrador do autódromo de Interlagos. Outro foi Dennis Rowland, que me deu trabalho em sua oficina em Wimbledon, no sul de Londres, para que eu acertasse motores do Ford Corina. Meu pagamento foi um ótimo motor para o meu carro na Fórmula Ford, um Merlyn, com o qual corri com sucesso em 1969.

Tem ainda o Ralph Firman, que era meu mecânico da Lotus, na minha estréia na Fórmula 3, no Guards Trophy em Brands Hatch. Ralph e eu nos entendemos imediatamente. Não me classifiquei na primeira bateria, mas venci a bateria seguinte e terminei em segundo na última bateria. Anos depois, consegui apresentar Ralph para o Ayrton, sendo fácil perceber o quanto ele ajudou o Senna. Amigos para toda a vida. Caras realmente fabulosos.

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