Uma nova espécie de Lamborghini

A esportividade da marca do touro se transforma: o Urus não é apenas o primeiro SUV da Lamborghini, mas também o primeiro modelo para a família, o primeiro turbinado e o primeiro híbrido. E chega no fim do ano

Qualquer referência à evolução da espécie humana é mera coincidência. Não queremos de forma alguma dizer que o primeiro Lamborghini, o 350 GT de 1964, seja um primata. Ou insinuar que outros modelos famosos, como o Countach de 1974 ou o Gallardo de 2003 não representavam a máxima evolução automotiva de sua época. Mas parece que do primeiro Lambo ao SUV que será revelado em dezembro se passaram milhões de anos. Essa mudança de paradigma do remonta a 2012, quando apareceu no Salão de Pequim o conceito do Urus, primeiro SUV da Lambo – a LM 002 de 1986 (veja quadro) não era um SUV, mas um fora-de-estrada “roots”. A versão final do Urus será vendida só em 2018, mas será revelada em 5 de dezembro deste ano em um evento épico em Sant’Agata Bolognese, lar da marca.

E o modelo não é só o primeiro utilitário-esportivo da marca: é também o primeiro Lambo para o uso diário, o primeiro para levar a família, o primeiro com motor turbo (descontando o protótipo Countach LP Turbo S de 1984) e o primeiro híbrido na linha do fabricante de Aventador e Huracán. Como diriam os americanos, um game changer, um modelo que desperta enormes expectativas – e ainda quer dobrar as vendas da marca (como Cayenne fez na Porsche). Devem ser produzidos de 3.000 a 3.500 Urus por ano. E não na fábrica da Volks em Bratislava, onde são feitos outros SUVs com os quais compartilhará a plataforma, mas na própria Sant’Agata Bolognese.

Com dimensões similares às do conceito, o SUV terá cerca de cinco metros de comprimento, dois de largura e 1,65 de altura. O design da versão final, entretanto, sofreu mudanças desde 2012, não só pelo passar do tempo, mas também pela mudança na chefia do design da Lamborghini – agora nas mãos de Mitja Borkert, ex-Porsche. Comparado ao conceito, o Urus terá linhas suaves, menos “carro de corrida”. Para agradar às famílias, terá cinco lugares, mas opcionalmente pode ter quatro assentos individuais como no concept car. O mais “normal” dos Lamborghini não renuncia, porém, à alma marcadamente esportiva. Para garantir um desempenho à altura da imagem da marca, ele terá um motor V8 turbo 4.0 com mais de 600 cv de potência e superalimentação para garantir muito torque desde as mais baixas rotações, como exigem peso e tamanho de um SUV desse porte.

A tração é integral, mas claramente sem pretensões off-road – afinal, SUVs com sinônimo de aventura fora do asfalto já é coisa do século passado. Agora quase todos eles são, na verdade, o que chamamos de crossovers. Em vez disso, o Urus quer se destacar como o SUV com melhor handling do mundo – e para isso terá suspensões a ar, freios de carbono-cerâmica, barra estabilizadora ativa e rodas traseiras esterçantes.

Outra grande novidade do Lambo SUV será a versão híbrida plug-in, que chega apenas em 2019. Entretanto, em vez de garantir alguma autonomia com emissões zero ou reduzir o consumo, como fazem muitos de seus rivais, como Porsche Cayenne Hybrid e Volvo XC90 T8, motor elétrico e baterias aqui servirão para melhorar acelerações e retomadas, como na Fórmula 1. Porsche Cayenne Turbo S e Bentley Bentayga que se cuidem.


Memórias do Lambo-Rambo

Criado em meados dos anos 1970 em uma concorrência para uso militar, a LM002 foi produzida entre 1986 e 1992 e se tornou o Countach para as estradas inadequadas ao Countach (do qual herda o motor V12 de 455 cv) e encontra uma boa clientela entre os xeques do Golfo Pérsico. Com cerca de 300 unidades fabricadas, esse antepassado do Hummer fez algum sucesso nos EUA.

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