500 km a bordo do 500

Depois de smart e Mini Cooper, eis que chega o Fiat 500. Apesar de a Fiat insistir em chamá-lo de “Cinquecento” (quinhentos em italiano), os curiosos que me abordaram questionando sobre o carro torciam o nariz para meu italiano e, por mais que gostassem dele, não conseguiam repetir o nome. Quando sabiam do preço – a partir de R$ 62.880 –, então, levavam um susto.

A versão que eu trouxe do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, até a avenida Paulista, em São Paulo, é mais cara. Além do câmbio Dualogic, que eleva seu preço em cerca de R$ 4 mil, ainda veio na versão mais completa, Lounge, com o único pacote de opcionais, oferecido por R$ 7.262 (bancos de couro, rodas aro 16, retrovisor eletrocrômico e teto solar panorâmico). No total, o carrinho sai por salgados R$ 76.232.

Um ponto irritante do modelo: usando meu pen drive na entrada USB, os controles do rádio não servem para nada – minha esposa, que costuma cuidar das músicas enquanto dirijo, não podia controlá-lo: apenas eu, usando os comandos de voz e os botões no volante, podia fazê-lo. Nada prático.

Nos 500 km rodados, incluindo alguns desvios pelo Rio de Janeiro, o Cinquecento mostrou que vai bem na estrada. É bom de curva (mesmo com a suspensão mais macia que a da Europa, adaptada para as ruas brasileiras) e roda com facilidade aos 120 km/h, mas muito do ruído do motor 1.4 passa para a cabine. Com 100 cv e torque de 13,4 kgfm, tem aceleração e retomadas boas (0 a 100 km/h em 10s5), mas com 16V e torque máximo às 4.250 rpm, é preciso manter o motor cheio para ter desempenho. A segurança é garantida pelos sete airbags (de série em todas as versões).

Na cidade, o 500 me agradou mais, apesar do câmbio automatizado. Embora na teoria esse câmbio seja melhor no uso urbano, permitindo que se descanse o pé esquerdo, eu não me adaptei a ele. Até consegui descansar o pé esquerdo, mas com os dedos trabalhando constantemente as borboletas no volante para realizar as trocas sequenciais e o pé direito aliviando o acelerador na hora das mudanças para evitar os trancos – constantes quando o deixava no modo automático. Eu ainda acho melhor economizar R$ 4 mil e comprar o modelo com câmbio manual de seis marchas.

O design retrô, que marca fortemente o interior, é um dos grandes atrativos do carro. A posição elevada da alavanca de câmbio agrada, apesar de ela ser pouco usada. Para garantir agilidade ao sistema Dualogic, os motoristas acabam se acostumando a fazer as trocas só pelas borboletas no volante

Os bancos oferecem conforto para o motorista e o passageiro. Usando a entrada USB, só o motorista controla o rádio

O conjunto com roda aro 16 e pneus 195/45 é opcional em todas as versões

Apesar da curva acentuada a partir da coluna B, o carrinho oferece um espaço razoável para os dois ocupantes do banco traseiro

CONTRAPONTO

● Quando soube que passaria alguns dias com o 500, fiquei empolgado. É sempre uma experiência agradável rodar com um carro que foge dos padrões e ainda é charmoso e simpático. Para ser sincero, o que mais me agradou foi o design retrô, muito bem resolvido. Por dentro surpreende o espaço para os passageiros traseiros. Se forem apenas dois, viajam relativamente confortáveis. Quanto ao desempenho, esperava mais agilidade. Concordo com o Flávio: é preciso manter o motor cheio para obter respostas rápidas. Em parte, atribuo isso ao câmbio Dualogic que, no anda e para da cidade, fica um pouco “confuso”. Realmente não pagaria R$ 4 mil a mais pelo equipamento. Aliás, apesar da abundância de equipamentos e da minúcia nos detalhes, não pagaria cerca de R$ 70 mil para ter esse carro na garagem. Mas isso é apenas uma questão de estilo, e o meu é bem mais modesto…

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