A Alemanha agora é aqui

Roberto Assunção

Sedãs de luxo da Audi, da BMW e da Mercedes-Benz já foram sonhos de consumo distantes do brasileiro, mas estão cada dia mais próximos. Hoje feitos na Europa e importados para cá, muito em breve Audi A3 Sedan, BMW Série 3 e Mercedes-Benz CLA serão nacionalizados. O programa Inovar-Auto foi o empurrão que faltava para a BMW estrear sua produção aqui, já em outubro, e para Mercedes e Audi voltarem depois de experiências nos anos 1990 – com um monovolume e um hatch, respectivamente, mas nunca com sedãs ou SUVs, como agora. Nesse passado não muito distante, a Audi teve sucesso montando o A3 junto com o Golf, sua versão Volkswagen (que tinha a mesma plataforma; mesmo motivo que o traz de volta agora, mas na versão Sedan). Já a Mercedes se frustrou com o antigo Classe A – “O carro errado na hora errada”, me revelou anos depois Philipp Schiemer, comandante das operações nacionais da marca na época, hoje presidente da Mercedes-Benz do Brasil.


Dessa leva de futuros sedãs de luxo nacionais, a maior ausência aqui é a do novo Mercedes Classe C, que ficou de fora por não ter sido lançado no Brasil. Já o CLA não está confirmado para ser feito aqui, pois deve ser fabricado também no México – e viria isento do imposto de importação. Mas também não está descartado. Conversamos com representantes das marcas para chegar às respostas a seguir.

Que carros serão nacionalizados?
O primeiro a chegar, já em outubro, é o BMW 320i ActiveFlex. No ano que vem, a marca deve fazer o 316i, também com motor flex, além de dois SUVs (o novo X1 e o X3), um hatch (Série 1) e uma mistura das duas coisas (o Mini Countryman). Mais adiante, estreia um sedã de tração dianteira abaixo do Série 3. Já a Audi começa a produzir no segundo semestre de 2015 o A3 Sedan e o SUV Q3. Em 2016, estreia o Q1, um SUV menor. Já a Mercedes começa a fabricar o SUV GLA em 2016, o novo Classe C e, talvez, o CLA (é mais provável que desenvolva um novo sedã da mesma família, porém mais tradicional e com mais espaço no banco traseiro).

Eles ficarão mais baratos?
O que define o preço é o mercado. Se Toyota, Ford e cia. vendem sedãs por até R$ 90.000, por que esses modelos de luxo custariam menos de R$ 100.000? Essa barreira pode, sim, ser derrubada, mas por pouco. Já versões simplificadas deles, mesmo importadas, podem custar menos (leia mais na página 62). Nacionais, seriam ainda mais baratos, pois deixam de pagar, além dos 30 pontos percentuais extras do IPI, os 35% do Imposto de Importação. Chegariam, assim, a uns R$ 85.000 – mas não se anime, pois a redução não deve chegar a tanto: representantes das marcas falam em recuperar os investimentos nas fábricas. Além disso, não podem arriscar fazer carros demasiadamente simples ou fracos, que prejudiquem suas imagens. Em última instância, mercado e concorrência ditarão os preços. De modo geral, a médio prazo, as versões nacionais mais acessíveis deles devem partir da faixa dos R$ 100.000.

A manutenção será mais acessível?
É uma batalha que essas marcas vêm travando há anos. Conseguiram baixar os custos das revisões, mas as peças ainda são caras. Isso aumenta o valor do seguro e espanta a clientela que busca um carro que dê status, mas não quer pagar mais de R$ 6.000 em um jogo de amortecedores. Esse cliente acaba comprando Ford Fusion, Nissan Altima, Honda Accord e cia. Mas os fornecedores locais e o aumento nas vendas devem, sim, reduzir um pouco esses custos.

Serão todos flex?
É uma necessidade. Enquanto a BMW já vende o 320i ActiveFlex, a Mercedes apresenta seu motor flex ainda este ano. Já a Audi trabalha com a Volks na versão flex do 1.4 turbo de 140 cv do Golf – e que pode equipar o A3 Sedan, no lugar da configuração com 122 cv.

É uma boa hora para comprá-los?
Pode ficar melhor daqui a dois anos ou mais, com as inaugurações das fábricas da Audi e da Mercedes ou uma eventual queda do dólar, situações que possibilitariam redução de preços (embora pouco provável, repito). Comprando hoje, de qualquer forma, você sabe que adiante terá um carro igualzinho ao nacional, com vantagens na manutenção – como uma rede maior e alguns custos reduzidos.

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