A B C do Consórcio: entenda como funciona o sistema

Para tirar suas dúvidas, montamos um ABC com as palavras usadas pelos corretores. As explicações são de Rodolfo Montosa, diretor geral da BR Consórcios, empresa com mais de 70 mil clientes em todo o País

A de Assembleia
É a reunião mensal dos consorciados de um mesmo grupo para a realização de sorteios e oferta de lances. No boleto mensal do consorciado, constam data e horário da assembleia, que é transmitida online, e o cliente pode assistir de onde quiser.

B de Boleto
O primeiro pagamento pode ser feito por boleto ou cartão de credito, já os demais podem ser por boleto ou débito em conta.

C de Cota
É a parte que cabe ao consorciado. É o número que o identifica no grupo para concorrer ao sorteio e/ou lance.

D de Dívida
Logo que o cliente adere ao grupo, torna-se credor. Ele só passa a ter uma dívida quando da contemplação e aquisição do automóvel. A partir daí, torna-se devedor do grupo. Para gestão de seu relacionamento com a empresa, basta acessar o site da marca associada e clicar no Área do Cliente. Será necessário o uso de sua senha e a informação da cota e grupo para acompanhar pagamentos e sorteios, entre outros.

E de Empresa
Somente empresas administradoras autorizadas pelo Banco Central podem operar na área de consórcio. De acordo com a Lei nº 11.795/2008, de 6/2/2009, o Banco Central do Brasil é a autoridade competente para normatizar e fiscalizar os consórcios no País.

G de Grupo
É a reunião de pessoas físicas ou jurídicas, promovida exclusivamente por uma administradora para atuação neste segmento, com prazo de duração previamente estabelecido, com a finalidade de propiciar a seus integrantes a aquisição de um veículo, por meio de autofinanciamento.

I de Investimento
O sistema de consórcio exerce a função de um disciplinador financeiro, pois ao adquirir uma cota de automóvel, por exemplo, é uma forma de poupar todos os meses, com o objetivo de adquirir um determinado bem ou serviço para a construção do seu patrimônio.

L de Lance
O lance é um valor que o consorciado se dispõe a dar de entrada. Ele pode ser feito pessoalmente, por telefone ou por e-mail, dentro de seu grupo. O lance mais alto é contemplado na assembleia.

N de Negociação
Existe a possibilidade de negociação da dívida aos clientes não contemplados, reduzindo o crédito dentro dos limites previstos na formação do grupo. Para os consorciados contemplados, a negociação poderá envolver a diluição da dívida dentro do prazo de vida do grupo específico. Essa negociação é prerrogativa da administradora que avalia cada caso com olhar na saúde financeira do grupo.

P de Parcela
O prazo de um grupo de consórcio varia de 60 a 84 meses para automóveis. Geralmente, o consórcio possui vários grupos com características diferentes para atender o cliente de acordo com o seu fôlego de parcelamento.

R de Rapidez
Se quer rapidez, melhor financiar no banco. Os consórcios são sistemas de aquisição de bens em que pessoas como o mesmo interesse se reúnem para criar uma poupança conjunta, que servirá como forma de financiar os bens de cada um dos consorciados do grupo. Portanto, no caso é preciso esperar até 60 meses, conforme os sorteios realizados. O tempo para que você receba sua carta de crédito e possa comprar seu carro decorrerá através dos sorteios e lances.

S de Sorteio
Realizado durante as assembleias (para um ou diversos grupos no mesmo dia) e à vista dos consorciados que estejam presentes na data, o sorteio é feito por meio de globo de acionamento elétrico (tipo “pipoqueira”). No globo estão as bolas numeradas, correspondentes às cotas de todos os participantes ainda não contemplados do grupo. Depois de movimentadas no interior do globo, uma única bola é retirada, cujo número representará a cota sorteada. Se a cota do grupo correspondente à bola sorteada não estiver concorrendo à contemplação por sorteio, será considerada contemplada a cota imediatamente seguinte, procurada na ordem numérica alternadamente crescente e decrescente, na seguinte forma: primeiramente, na ordem crescente, soma-se um (+1) ao número da bola sorteada; se a cota correspondente a esse novo número não estiver concorrendo à contemplação por sorteio, volta-se à ordem decrescente, subtraindo-se um (-1) ao número da bola sorteada; e assim, sucessivamente, na ordem crescente e decrescente, até encontrar-se o número da cota que esteja concorrendo ao sorteio.

T de Taxas
Não tem juros, mas existem algumas taxas: a de administração (custo operacional para a administradora administrar os grupos, formação de assembleias e entrega dos carros), a do fundo de reserva (é um fundo que é utilizado para suprir a inadimplência do grupo) e a do seguro de vida (que cobre morte ou invalidez permanente do consorciado).

V de Venda
É possível fazer uma venda de sua cota. Essa transferência pode ser efetuada a qualquer momento, bastando apenas que o vendedor e o comprador dirijam-se à sede da administradora ou de uma filial, para assinar o documento de cessão e transferência de direitos, bem como preencher a ficha cadastral do adquirente, e efetuar o pagamento da taxa relativa à transferência.

Z de Zero km
Não só de carro zero-quilômetro vive o consórcio. Os consumidores também podem adquirir um veículo usado.


Quando vale a pena fazer um consórcio?

Segundo o diretor da BR Consórcios, Rodolfo Montosa (foto), o consórcio é mais acessível ao bolso do brasileiro pelo fato de não ter juros, apenas o pagamento de uma taxa (veja a letra T). Por outro lado, é preciso esperar o sorteio ou ter um valor para dar o lance e retirar a carta de crédito. Segundo Montosa, o consórcio é muito indicado para consumidores que tenham dificuldade de fazer uma poupança com disciplina. “Geralmente, as pessoas afirmam que tentam poupar mensalmente para adquirir um bem ou serviço. Porém, na prática, o que ocorre na maioria das vezes é que no decorrer dos meses surgem situações novas e esse recurso é destinado a outras finalidades”, afirma. “No consórcio, assim que for contemplado, e isso pode ocorrer a qualquer momento, o cliente poderá utilizar o recurso total desejado para a aquisição do carro, mesmo sem ainda ter pago integralmente o valor total.”