A despedida do campeão

Acima, Ingo Hoffmann a bordo de um Fórmula 3, em 1975. Abaixo, a primeira corrida de sua carreira, com um Fusca Divisão 1, em 1972, no Autódromo de Interlagos. Mais abaixo, já na F-1, ele pilota um Coopersucar seguido por seu companheiro de equipe, Emerson Fittipaldi


Alinhado no primeiro lugar do grid, em Interlagos, a poucos instantes da largada da etapa inicial do Campeonato de Stock Car 2008, Ingo Hoffmann surpreendeu a todos anunciando que aquela seria sua última temporada na categoria. Depois de 29 anos, 12 títulos e 76 vitórias, o maior vencedor da Stock Car resolveu abandonar o grid mais competitivo do Brasil. Apesar de ter sido uma surpresa no momento, até para aqueles que já sabiam, como a equipe e sua família, a decisão de Ingo já estava sendo amadurecida há pelo menos dois anos.

“Minha única preocupação era parar de maneira competitiva, ou melhor, tendo o respeito de meus concorrentes, por isso achei que na pole position seria uma boa ocasião”, conta o piloto, que decidiu tornar sua decisão pública quando já estava dentro do cockpit. Depois do anúncio, em rede nacional, chamou pelo rádio toda a equipe e agradeceu o apoio durante todos esses anos. “Foi um momento único, de muita emoção. Sou privilegiado por ter a oportunidade de estar me despedindo da Stock dessa maneira”, diz.

Mesmo com 55 anos de idade, o veterano ainda disputa de igual para a igual com a nova geração da categoria. Segundo ele, hoje muitos pilotos da velha guarda, que eram seus principais rivais nas pistas, estão sendo representados pelos filhos na Stock Car, como é o caso de Daniel Serra, filho de Chico Serra, Marcos Gomes e Pedro Gomes, filhos de Paulo Gomes, Thiago e Tarso Marques, filhos de Paulo de Tarso, e muitos outros. “De vez em quando, um ou outro vem comentar comigo alguma ultrapassagem ou manobra. Graças a Deus ninguém me chama de tio”, brinca.

Ingo iniciou sua carreira em 1972, aos 19 anos, em uma prova em Interlagos, correndo de Fusca Divisão 1 (sem preparação de motor). Por incrível que pareça, quatro anos depois ele já estava de novo no mesmo circuito, mas dessa vez a bordo de um Fórmula 1, o Coopersucar-Fittipaldi, equipe que pertencia aos irmãos Fittipaldi. Sua passagem pela Fórmula 1 foi curta e sem muitas oportunidades para mostrar seu talento. Mas ele obteve resultados mais expressivos mesmo na Fórmula 2, categoria em que, na época, os pilotos faziam tempos muito próximos aos da Fórmula 1. Lá, o piloto chegou a ganhar corridas na equipe oficial BMW, que tinha como chefe Ron Dennis, atual chefão da McLaren. Mas a carreira internacional não durou muito. Em 1979, Ingo voltou ao Brasil e, contratado pela GM, disputou o primeiro campeonato de Stock Car. “Em minha primeira corrida, tive eu mesmo que deitar com as costas no chão de terra para trocar os amortecedores do carro. Foi como começar minha carreira da estaca zero”, conta o piloto.

Na sua residência, em São Paulo, Ingo recebeu a MOTOR SHOW sem dispensar a presença de seus cães. Um deles chama Rally, nome escolhido depois que Ingo conquistou o segundo lugar no Rally dos Sertões, em 2004

Nos 29 anos de Stock Car, Ingo, juntamente com Paulo Gomes e o atual presidente da Vicar, Carlos Coll, foram os responsáveis pela profissionalização da modalidade. Em 1990, o campeonato se via à beira da falência. Até a GM, uma das fundadoras, estava prestes a abandoná-lo. Mas, com uma reformulação total do regulamento – e igualdade de equipamentos –, os três pilotos conseguiram levantar a categoria e fazer dela o que é atualmente: o mais importante e disputado campeonato do Brasil. “Toda essa moçada que anda na categoria hoje é fruto do nosso trabalho naquela época. Antes, os pilotos não tinham uma categoria profissional o suficiente aqui no Brasil”, explica.

Mesmo fora do grid da Stock Car, o veterano não pretende abandonar a carreira de piloto. Ele ainda disputará o campeonato de GT3 e o brasileiro de Rally, pela Mitsubishi. Aliás, desde 2003 ele costuma se arriscar correndo na terra. “É um esporte para quem não tem medo de aventura”, diz Ingo. Hoje, ele é o segundo piloto da equipe oficial Mitsubishi. E, mesmo com pouco tempo de experiência, já acumula títulos como o de vice-campeão do Rally dos Sertões e o de bicampeão de Rally Cross Country, na categoria Protótipo. Segundo o piloto, em ralis você está sujeito a diversos imprevistos. Ele conta que, em um dos ralis dos Sertões que participou, enfrentou uma quebra no meio do deserto. Nenhum dos celulares funcionava, mas na planilha do navegador constava um pequeno vilarejo, a oito quilômetros de onde eles estavam. Vendo um nativo passar de mula, Ingo não titubeou em pedir carona. “Foi a situação mais bizarra da minha carreira. Vesti o macacão e subi na garupa da mula sem pensar duas vezes”, conta. Depois de chegar ao vilarejo e informar a equipe, por telefone, sobre o problema e a localidade exata onde estava, o piloto voltou novamente de garupa, mas desta vez na de uma moto CG, que, segundo ele conta, não estava no melhor estado, mas era, sem dúvida, muito mais eficiente do que a mula que o tinha levado.

No alto, Ingo pilota um Super V. Acima, ele comemora o vice-campeonato do Rally dos Sertões, em 2004. À direita, posa com o carro e o troféu de seu primeiro título da Stock Car, em 1980. Abaixo, um vôo espetacular de Ingo em uma das especiais do Rally dos Sertões

Em 1993, Ingo já colecionava muitas vitórias na Stock Car e tinha 14 anos de experiência na categoria

“Foi um momento único, de muita emoção. Sou um privilegiado por ter a oportunidade de estar me despedindo da Stock Car desta maneira”, sobre o anúncio de sua aposentadoria da categoria, já no cockpit do carro

Este ano, Ingo finalmente se despede da competicão na qual conquistou nada menos que 12 títulos e 76 vitórias, em 29 anos de participação

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