A evolução da combustão

Roberto Assunção

Com um novíssimo motor 1.8 no lugar do antigo 2.0, a linha 2015 do Audi A5 Sportback ganhou no consumo sem perder desempenho. Seguindo a tendência mundial de downsizing (adoção de motores mais compactos) a marca usou da tecnologia para fazer desse novo 1.8 um dos melhores motores do mundo hoje. Derivado do que já equipa a linha A3 (família EA888), seu segredo está no duplo sistema de injeção de combustível. A direta nos cilindros é usada em situações em que se exige mais motor, como acelerações fortes e retomadas – e pode realizar duas injeções a cada ciclo. Já a indireta, que tem sido abandonada pela concorrência, é justamente o pulo do gato desse motor: ela é usada em situações de pouca carga no acelerador, quando é mais vantajosa, ajudando a garantir o consumo contido. 

Apesar da queda na potência em relação  ao antigo 2.0 (de 180 para 170 cv), o torque é igual (32,6 kgfm) e aceleração de 0-100 km/h e velocidade máxima fi caram quase inalteradas (8,4 segundos e 220 km/h, contra 8,6 segundos e 222 km/h do antigo 2.0). Mas a grande vantagem está mesmo no consumo: segundo as normas europeias, a redução chega a 21%. Já nos padrões brasileiros, algo estranho: esse A5 rodou 8,5 km/l na cidade e parcos 9,2 km/l na estrada (sugerimos refazerem a medição, pois o número rodoviário está longe da realidade; em nossa avaliação, marcamos 15 km/l).

O câmbio CVT ajuda o motorista a manter o pé direito leve. No modo normal, permite que uma condução tranquila sem passar das 2.000 rpm (para quem busca esportividade, porém, o modo S simula oito marchas e ainda permite intervenções por  borboletas no volante). No mais, a direção não é especialmente direta, mas tem peso correto e boas respostas; o espaço é bom para quatro adultos; o porta-malas garante versatilidade (não exatamente a de uma perua ou crossover, por conta do caimento do teto); e as suspensões são mais fi rmes que no A4, para dar mais sensação de esportividade. Com esse motor, o cupê tem duas versões: Attraction (R$ 155.990) e Ambiente (R$ 167.990). A primeira já tem faróis bixenônio, ar-condicionado automático e controle de estabilidade, entre outros itens – mas fi ca devendo equipamentos “básicos“ em um carro desse valor, como bluetooth e sensores de estacionamento, faróis e chuva. Para tê-los, é preciso optar pela mais cara, que ainda ganha teto-solar,  retrovisor eletrocrômico, bancos elétricos e som com DVD e GPS (que vira hotspot e outras funções com o uso de um SIM de celular).

Se nos A3 Sedan e Sportback e A4 esse novo 1.8 é excelente, aqui decepciona um pouco. Entrega o que precisa, mas combina mais com o conservadorismo do A4 do que com a esportividade desse A5. Falando nisso, o sedã, cuja avaliação você vê em nosso site, é R$ 20.000 mais barato. Se é para levar o A5, que tal o 2.0 de 211 cv com câmbio de dupla embreagem? Aí sim a esportividade faz jus ao design – mas o preço vai a R$ 222.990.