A Fórmula 1 nos EUA: Indianápolis de F1

“Sentar perto da Turn One e assistir àqueles monopostos passando debaixo do nariz a 400 km/h é bem diferente do que qualquer fã de F1 já viu.”

2005: o GP dos EUA acontece com só seis carros, maculando a imagem da categoria

Na coluna passada, acabei deixando o assunto Fórmula 1 de lado e falando sobre minha experiência com um Indycar em Indianápolis – circuito que nunca funcionou para a F1. Para quem conhece o Brickyard – como chamam os fãs – nem preciso dizer o porquê. Mas, se você nunca foi à Indy 500, aqui vai a minha explicação.

A Indy 500 é absolutamente sensacional. A sensação de se sentar na arquibancada bem perto da Turn One (curva um) e assistir àqueles monopostos enormes, pesados e extremamente potentes passando debaixo de seu nariz a 400 km/h é bem diferente do que qualquer fã de F1 já viu. A palavra “incrível” é exageradamente usada por fãs de esportes, mas sem dúvida a Indy 500 merece o adjetivo: é de fato incrível. Assim, os fãs americanos de automobilismo, que se acostumaram ao nível de emoção da Indy 500, acharam as corridas de F1 em Indianápolis bastante decepcionantes.

Eis o porquê: o primeiro GP dos EUA em Indianápolis foi no ano 2000. Antes disso, a última corrida de F1 nos EUA havia sido ainda em 1991, em Phoenix – vencida por Ayrton Senna, pela McLaren. Mas, como digo (e lembro vividamente), após nove anos fora de solo norte-americano, a F1 voltou justamente em Indianápolis – e fui para lá no primeiro dia, um espectador cheio de esperança. O evento atraiu uma verdadeira multidão – pouco mais de 200 mil espectadores viram Schumacher vencer o Grande Prêmio dos EUA de 2000 pela Ferrari no domingo, a maior audiência em da F1 na história. Mas a essa altura eu já tinha minhas dúvidas.

A seção interna, apesar de ser sinuosa, não era minha preocupação – você pode se surpreender, mas curvas lentas e de média velocidade podem ser espetaculares para os frequentadores de corridas. Pense na curva do Mergulho, em Interlagos, na curva do Casino, em Mônaco, ou mesmo no infame Muro dos Campeões de Montreal. Mas os carros de F1 corriam no sentido horário, e não anti-horário, e bem mais devagar que os brutais Indycar com motor Offy. Não impressionavam ninguém.

E aí, em 2005, veio aquele problema com os pneus Michelin, e apenas seis carros com os pneus Bridgestone puderam correr o GP dos EUA – foram duas Ferrari, duas Jordan e duas Minardi. Foi algo muito embaraçoso, vergonhoso e provavelmente irrecuperável para quem realmente pretendia atrair o entusiasmo e o respeito dos fãs de Indianápolis pela categoria.

Em 2007, enfim desistiram de Indianápolis, com a vitória de Lewis Hamilton pela McLaren marcando o fim de um desapontador capítulo de oito anos na terra da liberdade. Até 2011, não houve mais corridas lá. E aí veio Austin… Que funcionou muito bem até hoje.