A Indy faz 100 anos

Na fotomontagem, o primeiro vencedor da Indy 500, Ray Harroun, lado a lado com o ganhador do ano passado, Dario Franchitti

Quando no ano de 1909 Fischer, Allison, Newby e Wheeler se reuniram e decidiram fundar uma sociedade para construir um circuito oval de alta velocidade na cidade de Indianápolis, nos Estados Unidos, certamente não imaginavam que lá passaria a ser disputada uma das competições automobilísticas mais famosas e milionárias do mundo: as 500 Milhas de Indianápolis.

A prova premia o vencedor com mais de US$ 1,5 milhão em dinheiro. No total, são distribuídos mais de US$ 10 milhões em prêmios, para o vencedor, para o pole-position e até para as posições intermediárias. Esses incentivos financeiros tornam as disputas que ocorrem lá ainda mais ferrenhas do ponto de vista da competitividade.

A reunião de modelos históricos de diferentes gerações que competiram na Fórmula Indy

Tem sido assim ao longo da história nesses 100 anos de disputa. Inicialmente, a pista foi construída com cascalho e piche, o que causava uma série de acidentes graves. Por isso, logo seu piso foi substituído por tijolos: foram utilizados cerca de 3,2 milhões de tijolos para forrar toda a pista, inclusive as famosas curvas inclinadas. Uma obra quase faraônica. Nessa mesma época, seus proprietários resolveram também concentrar em uma única prova anual o principal evento da pista em vez de várias provas pequenas, sem importância. Assim nasceu a 500 Milhas (805 km) de Indianápolis, em 1911. Uma prova que, logo em sua primeira edição reuniu cerca de 80 mil pessoas. Hoje estima-se que mais de 500 mil pessoas assistam à prova no complexo esportivo de Indianápolis: a maior plateia em um competição automobilística no mundo.

O objetivo dos visionários norteamericanos no início do século 20 que construíram a pista era claro: levar para o estado de Indiana a indústria automobilística americana, que naquele momento florescia.

Além disso, pensavam que o complexo esportivo também pudesse gerar lucros adicionais sendo utilizado como campo de provas pelas montadoras para o desenvolvimento de novos veículos.

De Chicago, a cidade mais importante da região, até o circuito Indianápolis Motor Speedway são duas horas e meia de carro e, curiosamente, uma hora de fuso horário. No percurso, excelentes rodovias margeadas por infindáveis plantações de milho, uma atividade econômica do estado que responde por cerca de 50% da produção do país e um quinto da produção mundial do grão.

Todo piloto sonha vencer em Indianápolis. Não só pelo dinheiro, mas pelo prestígio. “Se você perguntar a um piloto norte-americano, qualquer um, se prefere vencer em Indianápolis ou levar o título da categoria que compete, mesmo que seja mundial, 99% deles responderá sem titubear que prefiro vencer em Indianápolis!”, afirmou Mario Andretti, tido como o grande piloto americano do século passado e campeão de Fórmula 1 em 1978. Essa preferência esmagadora entre os pilotos mostra a importância da prova no cenário mundial e, principalmente, no norte-americano. Sem sombra de dúvidas, a 500 Milhas está entre as provas mais importantes do calendário automobilístico mundial.

O profissionalismo das corridas se reflete no trabalho preciso feito pelos mecânicos no boxe

Danica já venceu uma prova da Indy, mas, nas 500 Milhas, ficou com a quarta colocação depois de liderar a corrida

Uma competição perigosíssima, com as médias horárias mais altas do mundo. Nos treinos classificatórios, os pilotos completam uma volta, nos pouco mais de quatro quilômetros de comprimento da pista, a uma média horária na casa dos 360 km/h. No final das retas do circuito, os carros beiram os 400 km/h! Nessa velocidade, qualquer erro ou falha mecânica pode ser fatal, pois praticamente não há chance alguma para a reação do piloto.

Desde 1911, 35 pilotos já morreram em treinos e corridas da 500 Milhas, fora espectadores e mecânicos envolvidos nos acidentes. Esse é o aspecto triste do espetáculo. Mas o show não pode parar. No cenário da Indy 500, como é informalmente chamada, o piloto brasileiro Hélio Castroneves é o que mostra os resultados mais positivos: foram três vitórias e quatro pole-positions que lhe renderam US$ 9,2 milhões.

Na história da prova, nenhum piloto conseguiu vencê-la mais do que quatro vezes e o piloto brasileiro está a uma vitória de se igualar aos grandes campeões norte-americanos. Até o fechamento desta edição, a centésima prova ainda não havia sido realizada. Marcada para o final de maio, previa 33 carros alinhados no grid de largada e uma seção de autógrafos com quase 270 pilotos que já participaram da prova. Mais uma vez, o mundo pararia para ouvir as palavras clássicas do início da 500 Milhas de Indianápolis: “Ladies and gentlemen, start your engines, please” (Senhoras e senhores, liguem seus motores, por favor).

COMPARTILHAR
Notícia anteriorO espaço que sua família merece
Próxima notíciaMotor News