A nova cara da Chevrolet

É público e notório que a GM passa por dificuldades financeiras nos EUA. As notícias divulgadas confirmam esse fato e os dirigentes da matriz americana não desmentem a situação. Agora, também é fato que o mesmo não ocorre com sua filial daqui: a GM brasileira vai muito bem, obrigada! Com uma gama de produtos precisando, em sua grande maioria, de reformulações técnicas e de design, a marca resiste muito bem e tem tirado ótimo proveito do aquecimento do mercado interno: está vendendo tudo que produz. Mas ela quer ir mais longe.

A partir de uma nova filosofia de operação, a GM do Brasil deverá estar presente nos principais segmentos de nosso mercado, dos R$ 25.000 aos R$ 150.000. Uma política agressiva de preços deverá ser uma das palavras de ordem da nova filosofia da marca. Não devemos nos esquecer que sua rede de concessionárias, de quase 560 revendas espalhadas por todo o País, tem muito a A nova cara da ver com esse sucesso nacional e será uma ferramenta importante nessa nova fase. É uma engrenagem que precisa estar muito bem azeitada para render satisfatoriamente. E os números mostram que a GM Brasil, com a Chevrolet, trilha o caminho dos bons resultados.

O que pouca gente sabe é que, na realidade, o lançamento da Captiva (veja matéria nas próximas páginas) marca o início de uma nova fase da Chevrolet no mercado latino-americano. Novos veículos que serão lançados nos próximos três anos permitirão que a marca substitua totalmente toda sua gama de produtos hoje disponíveis: “Até 2011, os carros hoje comercializados pela Chevrolet em nosso mercado serão totalmente substituídos. Não restará pedra sobre pedra”, nos confidenciou um dirigente da marca.


O primeiro grande produto da nova fase é a Captiva. Um veículo competitivo e que deverá abalar o mercado de SUVs por aqui, principalmente pelo preço surpreendente: a partir de pouco menos que R$ 93.000

Dentro dessa política de renovação, a Chevrolet apresentará ao mercado nacional no Salão do Automóvel seu modelo Malibu (veja reportagem a seguir), um confortável e espaçoso sedã eleito o carro do ano nos EUA pela associação dos jornalistas especializados de lá. O espaçoso sedã entrará em um segmento onde atualmente a GM não disputa a preferência do consumidor: aquele dos carros mais caros que o Vectra Elite e mais baratos que o Omega. O modelo aportará em nosso mercado inicialmente equipado com motor 2.4 de quatro cilindros (o V-6 pode vir depois) e transmissão automática de quatro marchas, terá como alvo principal o cliente que hoje compra Ford Fusion e Civic/Corolla tops de linha. Especula- se que o carrão americano seria comercializado por aqui com preço competitivo, ao redor dos R$ 78.000.

Outra surpresa será a chegada da Traverse (veja reportagem), um crossover que pode oferecer até oito lugares, lançado oficialmente em agosto deste ano no mercado norte-americano e que deverá estar em nossas concessionárias no final do primeiro semestre de 2009. Dentro da nova política de ocupar todos os espaços com produtos de qualidade e a preços competitivos, a Chevrolet terá no Traverse um familiar sofisticado e com design muito atraente para brigar, na faixa dos R$ 160.000, com o Ford Edge que chega no final do ano. Com relação ao crossover Ford, o Chevrolet tem o plus da modernidade, pois acabou de ser apresentado, e dos até oito lugares com conforto que pode oferecer.

A reformulação não pára aí. Para o lugar do Omega, que teve sua fama de carro confortável nos anos 90 e hoje já não convence mais por R$ 140 mil, a GM vai lançar um produto Cadillac. Ela trará até o segundo semestre do próximo ano, o CTS (veja reportagem), um sedã luxuosíssimo que a marca vende nos mercados americano e europeu. Um carro com grife (importante para esse tipo de cliente) , que deverá ter preço semelhante ao do Omega atual, com uma enorme vantagem: atender com mais competência o consumidor de carros de luxo.

CHEVROLET TRAVERSE R$ 160.000 (ESTIMADO)

A surpresa de 2008

O novo crossover da Chevrolet ganha as ruas americanas neste mês e, já no próximo semestre, chega ao Brasil

entro dessa nova filosofia que norteará o futuro da Chevrolet no Brasil, a marca não poderia ser mais feliz em sua escolha: lançar no final do primeiro semestre do próximo ano o novo Chevrolet Traverse.

O carro foi apresentado ao público no salão de Chicago em fevereiro deste ano e oferecido ao consumidor norte-americano neste mês. Ou seja, teremos o utilitário disponível no mercado brasileiro menos de um ano depois de seu lançamento nos EUA. Prova de que, a partir de agora, o consumidor brasileiro terá acesso a produtos de ponta, que estão sendo ofertados no primeiro mundo. A maturidade do consumidor brasileiro influenciou diretamente nessa decisão da General Motors.

O crossover da Chevrolet tem tecnologia apurada na elaboração do seu conjunto motor/câmbio, boa aerodinâmica da carroceria (Cx de 0,30, valor surpreendente para um crossover), segurança de última geração para os ocupantes do veículo (além da resistência a impactos da carroceria, o modelo é equipado com seis airbags), conforto exemplar para motorista e passageiros, além de oferecer a opção da terceira fileira de bancos, elevando a capacidade para até oito pessoas.

Controle eletrônico de estabilidade, tração e até de pressão dos pneus são itens de série no Traverse. As rodas cromadas de 20 polegadas dão o ar esportivo de que o crossover precisa para não ficar com “cara de tiozão”.

O motor V6 de 3,6 litros traz a tecnologia da injeção direta que, além de permitir melhor performance (o motor gera 286 cv com o escape de saída dupla e torque máximo de 35,2 kgfm), consome menos combustível que a versão com injeção indireta (utilizado pelo Captiva) e, fator de orgulho do modelo, emite muito menos poluentes na atmosfera. Um exemplo tecnológico a ser seguido.

O câmbio é o mesmo automático de seis marchas do Captiva e a tração integral é disponível nas versões mais sofisticadas, como essa que virá para o Brasil. Primordialmente a tração é dianteira, mas à medida que for necessário, o sistema eletrônico vai deslocando torque para as rodas traseiras. Dentro da política da nova Chevrolet, mesmo com toda essa tecnologia, esse familiar deverá ser comercializado por um preço ao redor dos R$ 160.000.

Além das linhas modernas e aerodinâmicas da carroceria, o Traverse tem interior requintado e, na versão top de linha, oferece lugar para oito ocupantes, controles eletrônicos de estabilidade e tração, seis airbags e, de quebra, propulsor V6 e um câmbio automático de seis marchas

O sedã, que nos EUA está ajudando a Chevrolet a enfrentar os concorrentes japoneses, chega ao Brasil para concorrer com Fusion e Accord. Seus grandes trunfos são o acabamento de primeira e uma lista de itens de série bem recheada

AVALIAMOS o Malibu!

por Ricardo Caruso dos EUA

A GM confirmou que o Chevrolet Malibu será trazido para o Brasil e fomos para os EUA avaliar o modelo, que conseguimos em uma locadora de Miami. O carro tem preços que variam entre US$ 20 mil e US$ 26 mil e motores 3.6 V6; quatro cilindros 2.4 e 2.4 híbrido (avaliado nesta edição na reportagem EcoMotor). Para o Brasil, teremos inicialmente a versão 2.4 de quatro marchas automático, com preço que deverá ficar entre R$ 85 e R$ 90 mil para concorrer com o Fusion.

Rodando pelas estradas da Flórida, ficou a sensação de um carro de construção simples, mas cuidada. Fácil de guiar, com bom espaço interno, bem acabado e com um nível de equipamento para agradar ao mais exigente dos consumidores.

Com motor 2.4 16V de 169 cv (o que avaliamos), o Malibu não é nenhum fenômeno de desempenho, mas agrada. O sistema de freios utiliza discos ventilados na dianteira e simples na traseira, com ABS e são eficientes para o porte do carro. A suspensão dianteira é tipo McPherson e a traseira é multilink. Nos EUA, onde o piso é perfeito, funcionam de maneira confortável. Abusamos um pouco em algumas curvas, e não tivemos surpresa desagradável.

Um carro que aqui não terá um volume grande de vendas (cerca de 300 carros/mês), mas que dará trabalho para Ford Fusion e Honda Accord.

CHEVROLET CAPTIVA R$ 92.990

Vale mais do que custa

Com motor V6 e câmbio automático de seis marchas, a Captiva custa o mesmo que seus rivais de quatro cilindros

Com o surpreendente preço que começa em R$ 92.990 (modelo FWD Sport 3.6 V6), a Chevrolet iniciou a comercialização nacional da Captiva, lançada para o mercado mundial em janeiro de 2007. A versão vendida aqui virá do México e, apesar de seu motor V6 de 3.6 litros que produz 261 cv e transmissão automática de seis marchas (itens de série), o novo Chevrolet será vendido ao preço dos similares do mercado nacional equipados com motor de quatro cilindros e câmbio automático de cinco marchas. Mesmo o Tucson, comercializado em volume considerável principalmente por seu preço interessante, é vendido por cerca de R$ 100 mil na versão V6.

Dinamicamente o carro impressiona. A melhor posição de dirigir é fácil de ser encontrada: com comandos elétricos regulam-se a altura e a distância do banco ao volante, que permite também regulagem em sua altura. Uma curiosidade: é possível dar a partida no motor da Captiva mesmo de longe, sem entrar no carro. A vantagem é poder, por exemplo, acionar o ar com o carro no sol mesmo antes de entrar no utilitário. Uma comodidade.

Seu motor impressiona pelo silêncio de funcionamento. Moderno, é todo confeccionado em alumínio, com duplo comando variável nos cabeçotes (quatro válvulas por cilindro) e coletor de admissão de comprimento também variável em dois estágios. Esses recursos dão docilidade ao motor em toda a gama útil de rotações, além de aumentar o torque nos baixos regimes, o que garante condução suave e baixos índices de consumo.

A utilização do bom câmbio automático de seis marchas que oferece opção seqüencial traz melhora no desempenho e na redução do consumo, lembrando que consumo baixo é indício de menor poluição. Com freios bem dimensionados (discos de quase 300 mm de diâmetro) para a boa performance da Captiva (faz de 0 a 100 km/ h em 8s4), sistema de direção preciso e com firmeza correta nas altas velocidades, a Captiva passa segurança.

Confortável e com um porta-malas de 821 litros, a Captiva será oferecida em duas versões: FWD (front wheel drive) de tração dianteira e AWD (all wheel drive) de tração integral, esse último com bancos forrados em couro por R$ 99.990. Um produto com sucesso garantido no mercado nacional.

O modelo top de linha não chega a R$ 100 mil e oferece muito: bancos de couro e tração integral estão entre os itens de série. O motor V6 de 261 cv, aliado à transmissão automática de seis marchas com trocas seqüenciais, garante ao mesmo tempo excelente desempenho com baixo consumo de combustível, a receita perfeita

O CTS não é um sedã tão grande (tem 4,76 m de comprimento), mas por dentro oferece muito espaço e extrema comodidade

Andamos no CADILLAC CTS que chega ao Brasil!

por Ricardo Caruso dos EUA

Um dos carros que a GM planeja importar para o Brasil é o Cadillac CTS. Por isso, fomos aos Estados Unidos avaliar o modelo que impressiona de imediato pelo desenho elegante, agressivo e sofisticado. O carro é muito bonito e único, chama atenção em qualquer lugar. Por fora, não dá para imaginar que ele acomoda cinco passageiros com tanto conforto. Por dentro, o acabamento é impressionante. O ambiente é claro, iluminado e sofisticado. No centro do painel, uma ampla tela de LCD (que pode ser recolhida) concentra as informações do GPS, do som e do ar, entre outras. Alguns minutos bastaram para que nos familiarizássemos com os comandos. O volante em couro (cortado e costurado à mão, como o que vai nos bancos) tem a parte superior em madeira, material que está presente no painel, no console, nas laterais de porta e na alavanca de câmbio.

O motor que avaliamos foi o V6 3.6 de 300 cv e 36 kgfm. Silencioso, suave e econômico, ele tem desempenho de V8 com consumo de quatro cilindros. Uma obra de arte mecânica. Pela primeira vez, o CTS está disponível com tração traseira ou integral e o câmbio do “nosso” carro será o automático de seis velocidades. Com tanto luxo e sofisticação, quando você descobre o preço do carro nos EUA, resta sentar e chorar: US$ 35 mil ou cerca de R$ 56 mil! Isso mesmo, a baixa carga tributária faz com que, lá, ele custe menos da metade do preço do Omega vendido no Brasil.

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