A reinvenção do KA

Roberto Assunção

Houve uma época em que os motores 3 cilindros eram familiares dos brasileiros. Os modelos da DKW, do final dos anos 1950, o Daihatsu Cuore e o Suzuki Swift, do início dos anos 1990, são alguns deles. Hoje, os tricilíndricos ressurgiram no mercado e passaram a equipar o Kia Picanto, o Hyundai HB20, o Mini Cooper, o VW Up e Fox Bluemotion além do Chery QQ. Os benefícios desse motor estão no peso, nas dimensões menores, no menor atrito e na economia de produção. Seguindo tal tendência, essa nova geração do Ford Ka, entre outras novidades, ganhou um bloco desse tipo – e parece ter dado um bom casamento. O carro é o segundo veículo global da Ford desenvolvido no Brasil e produzido no Complexo Industrial Ford Nordeste, em Camaçari, na Bahia. O Ka amadureceu e está evoluído. Nada restou das gerações antecessoras. O bloco 1.0 3C Flex Fuel com duplo comando variável na admissão e no escape tem tecnologia Easy Start (que dispensou o tanquinho de gasolina da partida a frio), coletor de escape integrado ao cabeçote e correia primária embebida em óleo – a troca desse componente acontece com 240.000 quilômetros. 

Bem verdade que esse 3 cilindros equipa o Focus lá fora, mas com injeção direta de combustível e turbo (com duas potências: 100 cv ou 125 cv). Contudo, por aqui, a Ford abdicou desses recursos. O Ka oferece potência de 80 cv (gasolina) e de 85 cv (etanol). O funcionamento do bloco é suave e com pouca vibração. Ao volante, o desempenho aparece desde os giros mais baixos, fazendo o carro andar com desenvoltura. Só nas retomadas sente-se uma ligeira falta de fôlego. O câmbio é manual de cinco marchas com engates leves e a embreagem tem acionamento hidráulico. Segundo a Ford, no futuro poderá haver uma opção de transmissão automatizada de dupla embreagem Power Shift de seis marchas. Esse conjunto motriz faz o Ka rodar a 100 km/h com a agulha do conta-giros apontando 3.350 rpm e a 120 km/h a 3.750 rpm, contribuindo para o baixo índice de ruído e de consumo. Abastecido com etanol, foi possível obter, segundo o computador de bordo, médias de 8 km/l na cidade e de 11 km/l na estrada. Para fi car econômico, a Ford instalou pneus “verdes” (menos resistentes ao atrito), indicador de troca de marchas (que ensina o motorista a dirigir economicamente) e direção com assistência elétrica (que oferece respostas diretas e é extremamente leve ao esterço, além de atenuar as vibrações e ter compensação de deriva). A calibração das suspensões não é demasiadamente macia e, portanto, proporciona mais estabilidade. O Ka ficou bom de andar e também de conviver. Ele compartilha a plataforma com o New Fiesta e aumentou suas dimensões. Agora, só existe versão quatro portas e o carro cresceu 5,0 cm no comprimento, 5,4 cm na largura, 10,4 cm na altura e 3,9 cm na distância entre-eixos. O porta-malas é de 257 litros e tem abertura elétrica pela chave ou pelo botão interno, ganchos laterais e tratamento acústico. As novas medidas também resultaram em uma cabine maior e mais aconchegante. O interior deixou de ter parte da lataria exposta, como acontecia nos Ka de antigamente. “Buscamos dar um ar de requinte”, explica João Marcos Ramos, chefe de design da Ford América Latina.

O volante vem do New Fiesta, e traz integrados os comandos de áudio e de voz. A boa área envidraçada ajuda na visibilidade. A boa ergonomia da cabine também aparece nos 21 porta-objetos. A Ford até criou um útil espaço na lateral do painel, que só pode ser acessado com a porta aberta. A Dock Station é outro compartimento para prender o telefone celular e utilizar os aplicativos, como o Waze, com mais segurança. Para ficar perfeito só precisaria trazer a coluna de direção também ajustável em profundidade. O novo Ka terá três versões: SE (R$ 35.390), SE Plus (R$ 37.390) e SEL (R$ 39.990). Desde a básica, o carro vem equipado com ar-condicionado, direção elétrica, bluetooth, vidros e travas elétricas, entre outros itens. Esta SEL (avaliada) adiciona ainda os controles de estabilidade e de tração, assistente de partida em rampa, faróis de neblina, rodas liga leve aro 15, computador de bordo, ajuste de altura do banco do motorista, alarme, grade dianteira com aplique cromado e lanternas escurecidas. 

Quando equipado com sistema Sync (a partir da SE Plus), oferece um recurso antes só encontrado em carros de luxo: o assistente de emergência, que funciona pareado por bluetooth com o telefone celular. Em caso de acidente, desde que os airbags sejam acionados e haja corte de combustível, o sistema disca automaticamente para o 192 do Samu, informando sobre o oc orrido. A Ford diz que no prazo de um ano todos os carros de sua linha terão esse recurso instalado. O Ka ficou bonito e com boa dirigibilidade. Quem quiser ainda poderá optar por uma gama de acessórios. O mix de vendas do Ka será de 70% a 80% das versões SE e SE Plus, ficando o restante com a topo de linha SEL. Com o preço básico de R$ 39.990 para a versão SEL, o Ka fica bem próximo do Ford New Fiesta Hatch S 1.5, que sai a partir de R$ 42.890. Daí é uma questão a se pensar – ou optar por um mais barato. Por enquanto, só nos resta aguardar pelo sedã, que se chamará Ka+.

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