A volta da Fórmula Vee

Na década de 60, a Fórmula Vee (na época chamada Fórmula Vê) ajudou a revelar muitos talentos do automobilismo brasileiro. Chico Lameirão, Ingo Hoffman, Nelson Piquet e os irmãos Wilson e Emerson Fittipaldi são alguns deles. Os últimos, aliás, chegaram a projetar um bólido que ficou conhecido como Fitti-Vê. A modalidade ainda é realizada em países como Irlanda, Austrália (na foto de abertura), EUA e Inglaterra e sua receita é sempre a mesma: mecânica simples, baixo custo e um nível de disputa bastante interessante.

A ausência de uma competição nesse formato no Brasil costuma gerar acaloradas discussões, principalmente em blogs e fóruns sobre automobilismo. Em um desses debates, no blog do entusiasta Joaquim Lopes (www.mestrejoca.blogspot.com), nasceu a ideia de ressuscitar a categoria no Brasil. “Recebemos colaborações de muitos profissionais que agarraram a causa”, conta. Mas foi com o apoio dos amigos Roberto Zulino e Eduardo Monis que ele deu vida ao projeto. Para construir o primeiro protótipo, eles procuraram os piracicabanos Francisco Zurk e Chico Crivellari. “O Chico fez o chassi praticamente de maneira artesanal e ficou excelente”, conta Joaquim. Como nos outros países, o carro recebeu mecânica VW 1.600. “Nossa prioridade é custo. Com motor Volks a ar qualquer um mexe”, diz Lopes.

A Fórmula Vee foi pensada para que o piloto possa montar seu carro por conta própria. O monoposto está sendo comercializado em duas configurações. Uma é a mais básica (R$ 3.800) e conta apenas com o chassi, caixa de direção e os apoios de motor e câmbio. Nessa condição, o piloto pode adquirir toda a parte mecânica separadamente e mandar fazer peças específi- cas como, por exemplo, banco, carenagem e pedais.

Já a outra opção é um kit com 80% do carro pronto, restando apenas a colocação de motor, câmbio, suspensão dianteira, amortecedores, molas traseiras, rodas, pneus, cinto e instrumentos, que deverão ser analógicos. Esse conjunto sai por R$ 8.800. Se o cliente quiser fazer a carenagem por conta própria, ele sai por R$ 6.100 (a carenagem fica em R$ 2.700).

Os motores terão que ser 1.600 a álcool com dupla carburação (de 32 polegadas) e terão apenas taxa de compressão e comandos liberados desde que esse seja nacional. O carro usará rodas aro 15 com pneus radiais, que deverão ter, no mínimo, 4 mm de sulcos. Com isso, de acordo com Lopes, um pneu durará mais de uma temporada inteira, assim como o motor, que, além de ter bastante durabilidade, poderá ser reparado por qualquer mecânico. “As únicas peças que fogem da mecânica Volkswagen são: caixa de direção – desenvolvida especialmente para o monoposto – e molas traseiras da moto Honda Twister”, conta Lopes.

Ao topo, toda a equipe que trabalhou no projeto do carro, incluindo Joaquim Lopes, que aparece apoiado no chassi

Ào meio, o chassi feito de forma praticamente artesanal. Abaixo, o modelo, já em teste, na pista de Piracicaba

E uma simulação virtual de como ficará o Fórmula com a carenagem de fibra de vidro

A ideia inicial era fazer uma categoria para participar apenas do Campeonato Paulista, mas, devido ao baixo custo e à proposta atraente da modalidade, os horizontes se ampliaram e começaram a surgir pedidos de outros Estados. Até o fechamento desta edição, havia 32 pilotos interessados de várias partes do Brasil. O valor das inscrições ainda está em negociação, mas a estimativa é que fique em torno dos R$ 800. Por permitir pilotos novatos, não será necessário fazer curso de pilotagem, mas, assim como em qualquer outra competição, o piloto deve ser filiado à Fasp (Federação Paulista de Automobilismo).

O retorno da Fórmula Vee no Brasil promete muito. Segundo Lopes, uma cineasta se interessou pelo ressurgimento da modalidade e já está fazendo um documentário sobre o assunto. Outro que não perdeu tempo foi Paulo Trevisan, dono do Museu do Automobilismo Brasileiro, que fica em Passo Fundo (RS). O empresário já comprou o carro 001 para compor seu acervo. Para acompanhar o desenvolvimento, tirar dúvidas e até encomendar um carro acesse www.formulaveebrasil.blogspot.com.

Em 1967, José Carlos Pace, Emerson Fittipaldi, Mariovaldo Fernandes e Wilson Fittipaldi de Fitti-Vê em Interlagos

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