Acima da média

Roberto Assunção

Às vezes um pouco de esforço extra pode trazer uma grande recompensa. Considerando que as versões topo de linha de muitos sedãs médios passam bem dos R$ 80.000, por que não gastar um pouco a mais e, por cerca de R$ 100.000, colocar na garagem um modelo não apenas maior, mas também mais potente, seguro e confortável? Nissan Altima, Ford Fusion e Peugeot 508 estão “um degrau acima” de Sentra, Focus e 408, respectivamente. E o melhor é que, além de proporcionarem dirigibilidade e status bem acima da média, eles têm custos de manutenção razoáveis – não muito mais elevados do que os dos irmãos menores.

A grande novidade do segmento de sedãs grandes em nosso mercado é o Nissan Altima. Para enfrentá-lo, escolhemos o líder de vendas da categoria, o Ford Fusion, e outro não tão bom de vendas, mas com qualidades de sobra – o Peugeot 508. Cada um desses três modelos representa um modo diferente de fazer carros, ligado à própria origem das marcas e aos mercados a que se destinam.

Vindo dos Estados Unidos, o Altima tem marca japonesa e a tradicional racionalidade nipônica, mas adaptada ao gosto norteamericano, já que lá é seu maior mercado – e ele nem é vendido na Europa. Uma fórmula bastante similiar às do Toyota Camry e do Honda Accord. Do outro lado do Atlântico, mais especificamente da França, vem o Peugeot 508, representando a sofisticação europeia, com uma receita parecida com as do VW Passat e do Citroën C5 – e ele nem é vendido no mercado norteamericano. Já o Ford Fusion, nessa geração do ano passado, nasceu com a missão de ser um modelo global. Diferentemente dos rivais, foi concebido para unir os mercados americano e europeu – o antigo Fusion, cheio de cromados e tipicamente americano, como o Mondeo antigo, bem mais sofisticado e tipicamente europeu (apesar da marca americana). Como resultado, temos um carro que ficou no meio do caminho, em um ponto intermediário entre o gosto dos ianques e o do consumidor do Velho Mundo.

Altima e 508 são oferecidos em versão única. O primeiro sai por R$ 99.800; o segundo, embora tenha preço oficial de R$ 109.900, tem sido vendido por pouco mais de R$ 100.000, segundo a Tabela Fipe/MOTOR SHOW. Já o Ford Fusion tem versões 2.5 flex – cuja potência de 175 cv é mais próxima da dos rivais que aparecem aqui –, com preço a partir de R$ 95.900 (R$ 99.900 com o teto solar opcional, que Altima e 508 trazem de série). Mas, como a versão que tem sido mais escolhida pelo consumidor é a mais potente Titanium EcoBoost, que parte de R$ 103.900 (R$ 107.900 com teto solar), foi ela que escalamos para esse comparativo.

Em comum, os três têm porta-malas grande e espaço de sobra no banco traseiro, graças às generosas carrocerias. Também têm custos de manutenção similares, que, pouco superiores aos dos sedãs médios, não intimidam a compra (nesse ponto, o Fusion leva desvantagem por exigir revisões semestrais). Para completar, apesar de bons na cidade, são carros perfeitos para quem pega estrada – onde a superioridade em relação aos médios fica mais evidenciada.

Construtivamente, os três também são similares, com motor e tração dianteiros e suspensões independentes. No conjunto motriz, porém, são distintos: o 2.0 turbo de injeção direta do Fusion oferece 240 cv e bons 34,7 kgfm de torque, mostrando superioridade em relação ao 2.5 aspirado do Altima (182 cv e 24,8 kgfm) e ao 1.6 também turbinado e com injeção direta do 508 (165 cv e 24,5 kgfm). Já na transmissão, Fusion e 508 apostam na automática tradicional de seis marchas, enquanto o Altima usa uma caixa continuamente variável (CVT), que prioriza o consumo, a suavidade e o conforto.

Ao volante, para quem gosta de esportividade, o Fusion é superior. O 508 só não fica tão atrás porque seu câmbio é exemplo de rapidez e boa calibração, enquanto o do Fusion é lento, mesmo no modo sequencial. Já o Altima foca na maioria dos consumidores desse tipo de sedã, para quem esportividade não é prioridade – e cumpre com louvor sua missão. Além de muito suave, a 100 km/h seu motor gira a 1.500 rpm e o computador de bordo marca incríveis 17,5 km/l. Assim, o Altima é imbatível no consumo: com nota A do Inmetro, gasta menos até que o irmão menor Sentra. Com a alavanca no modo “Ds”, simula seis marchas, dando a impressão de que não é um CVT, e pode ser colocado no modo Sport (que mantém o giro alto). A caixa ainda ativa automaticamente o freio motor em reduzidas, transmitindo mais segurança.

Já quando se fala em sofisticação, é o 508 que deixa clara sua vantagem. Tem interior com acabamento superior, nível de ruído extremamente baixo, mesmo quando se pisa fundo no acelerador (situação em que o som do motor dos dois rivais invade a cabine sem dó), suspensões mais macias e, de novo, bem mais silenciosas.

Não são só o bom acabamento e o baixo ruído, porém, que fazem com que os ocupantes do 508 se sintam melhor. Ele também tem bancos mais envolventes e uma lista de equipamentos mais generosa. Quando se analisam só itens de segurança, porém, o Altima é que ganha: além do que os rivais oferecem – vários airbags, controle de estabilidade etc. –, tem controle ativo de subesterço (que freia a roda interna da curva em situações de emergência), monitor de mudança involuntária de faixa e de ponto cego. O Altima só fica devendo os faróis de xenônio, aqui exclusivos do 508.

No fim das contas, o Peugeot 508, uma grata surpresa, é o vitorioso. A melhor opção para quem busca em um sedã grande, além de espaço mais amplo, conforto e sofisticação comparáveis aos de um Audi ou de um Mercedes. Do lado negativo, seu consumo é ruim e ele não tem o melhor desempenho – se isso é o que você procura, prefira o Fusion. Já o Altima é exemplo de racionalidade, com mais segurança, um consumo imbatível e uma suavidade de condução invejável.

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