Acima de tudo, minivan

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GRAND SCÉNIC R$ 89.033

O jornalista automotivo inglês Jeremy Clarkson diz que minivans são carros para pessoas “mentalmente mortas”. Isso porque o prazer de dirigir não é o ponto forte delas: altas, são pouco estáveis e a posição de pilotagem, também alta, não é das melhores. Na antiga Scénic, ainda à venda, a posição do volante é desprivilegiada, quase horizontal, lembrando vagamente a velha Kombi. Na Grand Scénic, isso melhorou – mas ela ainda é uma minivan.

Eu gosto de dirigir e as minivans, em geral, também não me agradam. Não é diferente neste modelo: a suspensão é mole demais; os ventos laterais fazem o carro balançar. Mas antes de ofender os compradores de minivans, o jornalista inglês deveria considerar que nem todos compram carro pelo “prazer de dirigir”. Se pensarmos em funcionalidade, as minivans são, sim, escolhas interessantes. Algumas peruas e crossovers oferecem o mesmo, com dirigibilidade superior – mas isso não tira o mérito das minivans.


A posição do volante é mais vertical que na Scénic. O câmbio automático oferece trocas seqüenciais e a lista de itens é recheada, inclusive com ar digital

 

Há lugar para sete ocupantes, mas nos bancos extras somente crianças ficam bem acomodadas. O teto de vidro garante luminosidade ao interior. Com cinco poltronas, os bancos auxiliares são rebatidos sob o assoalho, liberando um espaço de 475 litros para as bagagens

A Grand Scénic tem um bom desempenho, consumo bom para seu porte, câmbio automático suave e com opção de trocas seqüenciais (embora de apenas quatro marchas) e uma boa lista de equipamentos de série (não tão completa quanto a de sua principal rival, a Citroën Grand C4 Picasso, que seria minha opção se fosse eventualmente comprar uma minivan desse porte). O teto de vidro é um charme à parte, com eficientes cortinas de tecido que bloqueiam a luz solar nos dias mais quentes.

Na verdade, não se pode dizer que ela tem sete lugares, mas sim 5+2. Na terceira fileira, só crianças se acomodam – como nas concorrentes. E a opção de motor flex seria bem-vinda, assim como retrovisores maiores, já que um carro deste porte fica com a visibilidade bastante prejudicada com os pequenos espelhos que o equipam. Nesse ponto, o sensor de estacionamento traseiro ajuda. A Grand Scénic é, portanto, apesar de alguns defeitos, um produto interessante – mas há opções melhores no mercado.

CONTRA PONTO

Devo confessar que quanto mais minivans eu avalio, menos vantagens eu vejo para quem as compra. Anos atrás, os monovolumes eram um verdadeiro “achado” pelo plus familiar que ofereciam. Hoje, o conceito desse tipo de veículo – teto alto, grande área envidraçada, bom aproveitamento interno, bancos que podem assumir diferentes configurações, inúmeros porta-objetos – já foi incorporado por outros carros, que conseguem oferecer a mesma praticidade de um monovolume, mas com mais prazer de dirigir e uma carroceria esteticamente bem resolvida. E, nesse ponto, discordo do Flávio, quando ele diz que isso não tira o mérito das minivans. Concordo que cada um tem o direito de comprar o carro que quiser sem ser julgado por isso, mas, para o meu uso, apesar de ter dois filhos e uma família grande, não compraria a Grand Scénic, nem a C4 Picasso por R$ 90 mil. De qualquer forma, ratifico as impressões do Flávio. É realmente um modelo eficiente para quem gosta da proposta. Pena não ter motor flex.

Ana Flávia Furlan | Chefe de Reportagem

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