Se fevereiro já tinha dado sinais de alerta, março veio para confirmar: abastecer ficou bem mais caro no Brasil. O diesel puxou a fila dos reajustes e registrou uma alta de até 13% no período, embalado por um cenário externo turbulento e decisões internas que mexeram diretamente no preço nas bombas.

+Combustível mais caro em 2026: etanol também sobe com a alta da gasolina?

+Combustível adulterado: veja 10 dicas para evitá-lo

Stellantis
Jeep Commander 2.0 turbodiesel – Foto: divulgação

Diesel (bem) mais caro

Segundo levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), o diesel S-10 fechou março com média de R$ 7,10 por litro, alta de 13,60% frente a fevereiro. Já o diesel comum avançou 12,34%, chegando a R$ 7,01. No pano de fundo, dois fatores pesaram: a escalada das tensões no Oriente Médio, que impacta diretamente o preço do petróleo no mercado internacional, e o reajuste promovido pela Petrobras ao longo do mês.

Abastecendo com diesel – Foto: Pixabay

Na prática, o impacto é imediato, principalmente para quem vive da estrada. O diesel mais caro encarece o frete, pressiona custos logísticos e, inevitavelmente, acaba respingando no preço de praticamente tudo que chega ao consumidor.

Gasolina e etanol

Abastecer com etanol ou gasolina?
Abastecer com etanol ou gasolina? – Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Gasolina e etanol também seguiram a tendência de alta, ainda que em ritmo mais moderado. A gasolina subiu 3,41%, com média nacional de R$ 6,67 por litro, enquanto o etanol avançou 1,26%, chegando a R$ 4,83. Mesmo com o aumento mais contido, o cenário geral reforça um mês de pressão generalizada nos combustíveis.

De acordo com a Edenred Mobilidade, o movimento de alta perdeu um pouco de força no fim de março, o que pode indicar uma desaceleração no ritmo dos reajustes. Ainda assim, o cenário segue instável e altamente sensível a fatores externos e decisões internas, o que mantém o consumidor em alerta para novas oscilações nas próximas semanas.

Posto de gasolina
Posto de gasolina – Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por região

Regionalmente, o aumento foi praticamente unânime. No diesel comum, o Centro-Oeste liderou as altas, com avanço de 16,99% e preço médio de R$ 7,30. Já o Norte segue com o combustível mais caro do país, a R$ 7,34, enquanto o Sul apresentou o menor valor médio, de R$ 6,74.

O diesel S-10 repetiu o padrão: maior alta também no Centro-Oeste, com 14,78%, e o Norte novamente com o litro mais caro, a R$ 7,39. O Sul aparece como a região mais “amigável” ao bolso, com média de R$ 6,89.

Posto de gasolina
Posto de gasolina – Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Entre os estados, o destaque negativo ficou com Roraima, que registrou os maiores preços médios tanto para o diesel comum quanto para o S-10, ambos próximos dos R$ 8 por litro. Já o Rio Grande do Sul apresentou os menores valores médios para os dois tipos de diesel, ainda que também tenha acompanhado a tendência de alta.

No caso da gasolina, o Nordeste puxou o maior aumento regional, com alta de 6,43%, enquanto o Norte segue liderando o ranking de preço mais elevado. Já o Sudeste aparece com os valores mais baixos do país.

Caminhão-tanque abastece posto de combustivel no Plano Piloto, região central da capital (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

O etanol, por sua vez, teve comportamento mais contido. O Nordeste registrou a maior alta, enquanto o Centro-Oeste praticamente ficou estável. São Paulo manteve o título de etanol mais barato do Brasil, com média de R$ 4,63, enquanto o Rio Grande do Norte liderou no preço mais alto.

Etanol vs. Gasolina

Mesmo com os aumentos nos combustíveis fósseis, o etanol só foi economicamente mais vantajoso que a gasolina em oito estados durante março. Ainda assim, segue como alternativa relevante do ponto de vista ambiental, com menor emissão de poluentes.

etanol
Etanol vs. gasolina – Foto: VW/divulgação

No fim das contas, março termina com um recado claro: o custo de rodar aumentou, e o cenário ainda inspira cautela. Com o mercado internacional instável e ajustes domésticos ainda no radar, o combustível deve continuar sendo um dos principais vilões do orçamento nas próximas semanas.