01/04/2026 - 16:00
Se fevereiro já tinha dado sinais de alerta, março veio para confirmar: abastecer ficou bem mais caro no Brasil. O diesel puxou a fila dos reajustes e registrou uma alta de até 13% no período, embalado por um cenário externo turbulento e decisões internas que mexeram diretamente no preço nas bombas.
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Diesel (bem) mais caro
Segundo levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), o diesel S-10 fechou março com média de R$ 7,10 por litro, alta de 13,60% frente a fevereiro. Já o diesel comum avançou 12,34%, chegando a R$ 7,01. No pano de fundo, dois fatores pesaram: a escalada das tensões no Oriente Médio, que impacta diretamente o preço do petróleo no mercado internacional, e o reajuste promovido pela Petrobras ao longo do mês.

Na prática, o impacto é imediato, principalmente para quem vive da estrada. O diesel mais caro encarece o frete, pressiona custos logísticos e, inevitavelmente, acaba respingando no preço de praticamente tudo que chega ao consumidor.
Gasolina e etanol

Gasolina e etanol também seguiram a tendência de alta, ainda que em ritmo mais moderado. A gasolina subiu 3,41%, com média nacional de R$ 6,67 por litro, enquanto o etanol avançou 1,26%, chegando a R$ 4,83. Mesmo com o aumento mais contido, o cenário geral reforça um mês de pressão generalizada nos combustíveis.
De acordo com a Edenred Mobilidade, o movimento de alta perdeu um pouco de força no fim de março, o que pode indicar uma desaceleração no ritmo dos reajustes. Ainda assim, o cenário segue instável e altamente sensível a fatores externos e decisões internas, o que mantém o consumidor em alerta para novas oscilações nas próximas semanas.

Por região
Regionalmente, o aumento foi praticamente unânime. No diesel comum, o Centro-Oeste liderou as altas, com avanço de 16,99% e preço médio de R$ 7,30. Já o Norte segue com o combustível mais caro do país, a R$ 7,34, enquanto o Sul apresentou o menor valor médio, de R$ 6,74.
O diesel S-10 repetiu o padrão: maior alta também no Centro-Oeste, com 14,78%, e o Norte novamente com o litro mais caro, a R$ 7,39. O Sul aparece como a região mais “amigável” ao bolso, com média de R$ 6,89.

Entre os estados, o destaque negativo ficou com Roraima, que registrou os maiores preços médios tanto para o diesel comum quanto para o S-10, ambos próximos dos R$ 8 por litro. Já o Rio Grande do Sul apresentou os menores valores médios para os dois tipos de diesel, ainda que também tenha acompanhado a tendência de alta.
No caso da gasolina, o Nordeste puxou o maior aumento regional, com alta de 6,43%, enquanto o Norte segue liderando o ranking de preço mais elevado. Já o Sudeste aparece com os valores mais baixos do país.

O etanol, por sua vez, teve comportamento mais contido. O Nordeste registrou a maior alta, enquanto o Centro-Oeste praticamente ficou estável. São Paulo manteve o título de etanol mais barato do Brasil, com média de R$ 4,63, enquanto o Rio Grande do Norte liderou no preço mais alto.
Etanol vs. Gasolina
Mesmo com os aumentos nos combustíveis fósseis, o etanol só foi economicamente mais vantajoso que a gasolina em oito estados durante março. Ainda assim, segue como alternativa relevante do ponto de vista ambiental, com menor emissão de poluentes.

No fim das contas, março termina com um recado claro: o custo de rodar aumentou, e o cenário ainda inspira cautela. Com o mercado internacional instável e ajustes domésticos ainda no radar, o combustível deve continuar sendo um dos principais vilões do orçamento nas próximas semanas.
