Suzuki S-Cross é alternativa aos SUVs tradicionais

Murilo Mattos (divulgação)

Diferentemente das outras japonesas, no Brasil a Suzuki é uma marca alternativa, de nicho – o que, em linguagem de marketing, significa atender a grupos de consumidores bastante específicos. Seu Jimny, um jipinho valente e sem igual no mercado, é um carro de nicho. Seu Swift Sport, um esportivo compacto divertidíssimo de guiar, é um carro de nicho. Seu SX4, um crossover menor que a média e com tração 4×4 – e também divertidíssimo de dirigir –, é um carro de nicho. Ou melhor, era. Porque agora ele sai de linha para dar lugar a seu sucessor, esse S-Cross que você vê aqui. Que não é um carro de nicho!


No detalhe central abaixo, o seletor de terreno e bloqueio do diferencial. O ar de duas zonas vêm em todas as versões automáticas, mas a central multimídia só na GLS

Como o Grand Vitara, outra exceção na linha a essa busca por nichos, o S-Cross é um modelo mainstream – que atende ao gosto da maioria, segue as tendências. Enquanto o SX4 era “o único sportcross do Brasil”, o S-Cross é maior e mais comportado, mais um crossover nessa onda do mercado. Ele vem brigar com Honda HR-V, Peugeot 2008, Jeep Renegade & cia. E essa concorrência direta com eles pode ser seu maior problema. Não que lhe falte atributos para desafiar os rivais. São duas opções de tração dianteira (GL manual por R$ 74.900 e GLX automática CVT por R$ 88.900) e duas com tração integral e CVT (GLX por R$ 95.900 e a GLS das fotos por R$ 105.900).

A GL é básica, mas a partir da GLS há controle de estabilidade, assistente de subidas, ar-condicionado bizone, sensores de estacionamento e sete airbags. As versões 4WD ainda trazem bancos de couro – e a GLX tem teto panorâmico, retrovisor eletrocrômico, faróis de xenônio, sensor de chuva e central multimídia com navegador (conectando celular, dá pra usar o Waze). Faltou só um freio de estacionamento elétrico. O porte é similar ao do Honda HR-V, como o porta-malas. Atrás, há bom espaço para pernas, mas, na versão com teto panorâmico, passageiros de mais de 1,70 m raspam a cabeça no teto. O acabamento é bom, com plásticos emborrachados e texturas que imitam fibra de carbono, mas o ajuste do volante é um pouco limitado e os bancos têm assentos curtos.


O espaço interno é bom e o porta-malas tem capacidade similar à do Honda HR-V. O teto-solar panorâmico é exclusivo da versão GLS. As rodas aro 17 têm pneus mistos

Na mecânica, o 1.6 não é flex e tem 120 cv. Aliado ao câmbio CVT, garante o menor consumo do segmento, com marca urbana de 11,9 km/l (melhor que muito 1.0). Mesmo sendo um carro leve, porém, o desempenho é tímido. O CVT tem sete marchas simuladas no modo manual e o modo esportivo mantém os giros altos, mas ainda assim o crossover demora a responder em arrancadas e retomadas. Ainda de negativo, a direção elétrica é leve demais na estrada e o ruído poderia ser menor. Já as versões 4WD são mais valentes que os rivais de tração dianteira.

O sistema de tração inteligente varia entre propulsão dianteira e 4×4 automaticamente, tem bloqueio do diferencial e seletor de terreno – neve/lama, automático ou esportivo. No fim, o S-Cross é mesmo um crossover como os outros, embora vendido por uma marca de nicho. Mas a Suzuki tem tradição de organizar eventos de aventura com os donos de carros da marca e seu atendimento pós-venda “busca sempre surpreender o cliente”, como diz o presidente, Luiz Rosenfeld. É nisso que aposta para emplacar 250 carros/mês. Se o modelo “pegar”, pode deixar de ser importado da Hungria e passar a ser feito no Brasil, junto como o Jimny.

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Ficha técnica:

Suzuki S-Cross GLX 2WD/GLS 4WD

Motor: 4 cilindros em linha, 16V, DOHC, duplo comando variável
Cilindrada: 1586 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 120 cv a 6.000 rpm
Torque: 15,5 kgfm a 4.400 rpm
Câmbio: automático continuamente variável (CVT), modos Sport e manual com sete marchas simuladas
Tração: dianteira/integral com seletor de terreno
Direção: elétrica
Dimensões: 4,300 m (c), 1,765 m (l), 1,585 m (a)
Entre-eixos: 2,600 m
Pneus: 205/50 R17
Porta-malas: 440 litros
Tanque: 47 litros
Peso: 1.125/1.190 kg 0-100 km/h: 12s4/13s5*
Vel. máxima: 170/165 km/h*
Consumo cidade: 11,9 km/l**
Consumo estrada: 13,2 km/l**
Nota do Inmetro: A (categoria SUV compacto) *Europa **versão CVT 2WD