Antecipando o futuro: testamos o BMW i8

É difícil de imaginar um carro como o BMW i8. É difícil até aceitar que exista. Mas existe, sim, e já está à venda, no Brasil, inclusive, por R$ 799.850. Não é fácil se convencer de que um carro pode ser ao mesmo tempo híbrido e esportivo, potente e frugal, ecologicamente correto e exclusivo, revolucionário e fiel às tradições. Para quem conhece automóveis e tecnologias, são combinações inusitadas. E o fato de ele ter um motor turbo de 3 cilindros e 1,5 litro só adiciona mais estranheza. 

O design agressivo, esportivo, esplêndido, faz imaginar um V8 de 500 cv sob o capô (ou tampa traseira, no caso). Mas não, definitivamente não: imaginar o i8 como um esportivo comum seria um insulto a sua visionária inovação. Goste ou não, para nos convencermos de que não estamos diante de um simples experimento, de um carro-conceito, basta levantar a porta tipo tesoura, pular o avantajado “peitoril” e se sentar ao volante. No interior, os designers tiveram uma mão mais leve: toda a cabine, na verdade, não é radicalmente diferente do estilo geral da marca. Um conjunto luxoso e vagamente austero, que pode ser considerado como uma antecipação de como devem ser os interiores dos próximos BMW.

Abraçado pelo cockpit, você fica sentado em uma posição entre a de um esportivo e a de um granturismo. Além de proporcionar uma sensação de leveza, o painel baixo garante uma excelente visibilidade da estrada. A única questão que fica é em relação às colunas, inclinadas demais: para os mais altos, significa tê-las próximas demais da cabeça; para os mais baixos, podem prejudicar a visão na região ao redor dos retrovisores. Já em relação à visibilidade traseira, não há do que reclamar: nenhum carro de  motor central-traseiro é tão bom nesse quesito. Mérito do pequeno 3 cilindros,que, compacto, ainda deixa espaço para um par de assentos extras. São pequenos, mas não os subestime: são perfeitos para uma cadeirinha de bebê, para levar crianças ou para dar carona a um amigo (melhor se ele não tiver mais que 1,70 m). Seguindo a moda lançada há meio século pelo Porsche 911, podem virar uma extensão do portamalas – que é muito pequeno (mas esse é o preço a pagar por ter, em um único carro, dois trens de força). 

Ainda no interior, os elementos mais futuristas estão na instrumentação: não tanto por usar uma tela de LCD, mas pelos gráficos de nave espacial. Cairiam muito bem na Enterprise, mas em um carro esportivo faria mais sentido algo com melhor legibilidade. O i8, na verdade, não tem o desempenho assustador que suas linhas fazem muitos imaginar, mas ainda é capaz de um desempenho que não permite que se perca muito tempo interpretando o painel. 

O motor 3 cilindros, que graças à ajuda eletrônica lembra um ronco do rival 911, rende ótimos 231 cv, e conta com a ajuda dos 131 cv adicionais do motor elétrico dianteiro. Junto, proporcionam prontidão fora comum, especialmente no modo Sport – quando o motor traseiro a combustão se mantém permanentemente ligado, com a ajuda elétrica preenchendo o tradicional retardo de resposta da turbina. Esse é o modo menos “verde”, mas basta retornar a alavanca de câmbio para a posição D (Drive) que o i8 passa para o modo Comfort: sua natureza híbrida torna-se protagonista, os dois motores passam a atuar em conjunto (ou se intercalam, dependendo da situação) e você pode dirigir com toda a paz de espírito que desejar. 

Este BMW, em todo caso, é mais veloz do que emocionante: nada há do que reclamar quando se afunda o acelerador em linha reta – mas, quando chegam as curvas, aqueles que procuram a sensação de um esportivo desejam algo mais. É preciso compreender o i8: ele não é um carro que nasceu para esse tipo de coisa. É ágil, divertido, eficaz, mas não tem toda aquela aderência, a dinâmica que caracteriza os esportivos clássicos.  A direção é sempre bastante leve e, o que é mais importante, relata com fidelidade o que acontece no asfalto– mas os pneus finos (para reduzir o consumo) não garantem a precisão que se poderia desejar. Mais ou menos como o câmbio, que nem sempre sobe as marchas com perfeição, mesmo no modo Sport. Mas pode ficar tranquilo: o i8 tem toda a masculinidade que se espera em um carro desse calibre, além de outras qualidades que nem se sonha ver em um esportivo: baixo consumo e facilidade de uso. E não subestime o modo eDrive: ele funciona apenas por poucas dezenas de quilômetros, mas andar por aí com o i8 em absoluto silêncio proporciona uma sensação bem gratificante.

No fim, o i8 não tem toda a dirigibilidade e a dinâmica que normalmente se espera de um BMW, mas como primeira tentativa de reinventar o carro esportivo do século 21 é um feito verdadeiramente notável. Além disso, além das formas maravilhosamente futuristas, o i8 é um dos carros mais complexos já colocados em produção. Em suma, um verdadeiro objeto de desejo para os amantes da tecnologia (automobilística ou não) que ameaça abandonar seu nicho e se tornar um verdadeiro concorrente de grandes clássicos como o Porsche 911 ou o Audi R8 – apesar de todas as diferenças. Porque a beleza dele é ser estranho, ser diferente, ser tudo o que ele quiser, mas sem forçar qualquer tipo de compromisso. E isso não é pouco: no fim, é a mesma receita que, por meio século, garantiu o sucesso do 911. Será o BMW i8 realmente o carro esportivo do terceiro milênio? 

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