Toda categoria precisa de um controle técnico para que a ordem e o nível de competição sejam mantidos dentro da pista. Para isso, existe o regulamento. Este documento, que é feito pela organização e aprovado pela CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), contém tudo o que é permitido e também o que é condenado na competição. Mas, assim como acontece em qualquer esporte, no automobilismo as regras podem ser fraudadas e a vigilância precisa ser constante para que todos disputem as provas com a devida igualdade.

Para fazer o regulamento valer, os promotores da prova, em parceria com um comitê técnico da CBA ou da federação de cada município, usam diversos artifícios para garantir que nenhuma equipe infrinja as regras. No caso da Stock Car, por exemplo, a equipe responsável pelo controle técnico é a Comissão Técnica Desportiva Nacional. De acordo com o comissário Gustavo Calheiros, o trabalho da equipe começa na quinta-feira, quando todos os carros são submetidos a uma vistoria técnica de segurança. Além disso, todos os pneus que serão utilizados no m de semana são lacrados, porque a categoria restringe a quantidade. “Para ter esse controle garantido instalamos um chip em cada pneu”, revela Calheiros.

NO TROFEO LINEA, O COMBUSTÍVEL É TESTADO NA HORA

Amostras do etanol são retiradas dos primeiros colocados e levadas a um minilaboratório. Um reagente adicionado ao frasco revela o DNA da Shell

Um aparelho certifica o DNA do combustível, mede o pH e o teor alcoólico. Os resultados são conferidos em uma lista com os parâmetros dos componentes

Mesmo sem trapacear, o piloto da categoria 600 SS, do Racing Festival, Fábio Peasson, foi penalizado em 2010

O lubri cante é testado em um laboratório da Shell do Rio. É o “exame de sangue” do carro

Acima, o equipamento digital mede a condutividade elétrica. É veri cada, ainda, a massa específica do combustível

Mas quando o assunto é controle, o Racing Festival (criado em 2010 e que engloba as categorias Trofeo Linea, Formula Future Fiat e 600 SS) é uma referência. Segundo o coordenador da divisão de competição da FTP (Fiat Powertrain Tecnology), Ricardo Dilser, a Trofeo Linea pode ser considerada “a categoria mais segura do automobilismo Brasil”, quando o assunto é violação de regulamento.

O técnico explica que os motores são sorteados no começo da temporada e que suas centralinas são monitoradas a cada corrida. Além de gerenciar o propulsor, essa central eletrônica possui uma memória de 8 MB que arquiva tudo o que acontece sob o capô, como dados de pressão do turbo e da temperatura do ar.

Essas informações são transferidas para um computador onde são analisadas. “Eu nem preciso sujar a mão de graxa para saber se alguma equipe fez alguma coisa errada”, diz Dilser. Ele ainda acrescenta que, ao nal de cada prova, o motor dos três primeiros colocados é retido, testado em dinamômetro e desmontado para que os técnicos façam uma revisão completa dos componentes.

Além disso, uma amostra do combustível e do lubri cante dos seis melhores colocados é retirada para que passe por testes na Shell, hoje, a fornecedora o cial dos carros da categoria. Mesmo sem ter tentado burlar o regulamento, o piloto Fábio Peasson sentiu o peso da vigilância. Em uma das etapas da categoria 600 SS de 2010, ele fez o segundo melhor tempo no treino, mas perdeu 10 posições porque não tinha sobra de gasolina em seu tanque em quantidade suficiente para que a análise fosse feita.

Com um minilaboratório montado em todas as etapas da Trofeo Linea, a companhia faz análises para saber se o produto foi manipulado. “É o mesmo teste feito por nossas unidades móveis nos postos”, conta Gilberto Pose, engenheiro de combustíveis da Shell. Já as amostras dos lubri cantes são encaminhadas para o laboratório da Shell, no Rio de Janeiro, onde passam por um exame mais apurado de todas as substâncias encontradas nos motores. “É como se fosse um exame de sangue, no qual é possível identificar substâncias estranhas que atuam no motor”, conta o engenheiro de lubri cantes Eduardo Azevedo. O relatório com o resultado do teste volta para Ricardo Dilser, coordenador da FPT: uma sequência de veri cação praticamente a prova de fraudes.