Ao gosto do freguês

Roberto Assunção

Se para você o desempenho é mais importante que o visual, saiba que faz partedeumaminoria – aomenosentre clientes do Punto. A Fiat perguntou a eles os motivos de compra de um carro, e enquanto só 15% falaram em “potência/ aceleração”, o item mais citado, por 58% deles, foi “aparência externa”, seguido de “aparência interna”, com 35%. Não adianta torcer o nariz, portanto, para essa série especial Blackmotion, que chega por R$ 49.900 trazendo exatamente o que os consumidores pediram.

Basicamente, o Punto Blackmotion é um misto do Sporting com o T-Jet – verdadeiro esportivo da linha. Desse último, empresta os marcantes para-choques com tomada de ar para os freios, “bocona” dianteira e enorme extrator traseiro. Já do Sporting tem o motor 1.8 flex, as suspensões e o tamanho das rodas.

Não se trata de um conjunto ruim. É verdade que o motor de até 132 cv, antes exclusivo do Sporting, garante desempenho pouco superior ao do 1.6. Mesmo assim, não dá para reclamar: o carro anda bem, gasta pouco e garante diversão ao volante, além de ter ótima posição de dirigir e suspensões robustas, com excelente combinação entre conforto, silêncio ao rodar, estabilidade e esportividade. Para completar, a direção hidráulica é direta e precisa, e um ronco invocado sai do escape de ponteira dupla.

No interior, o painel de bom acabamento tem textura que imita fibra de carbono e os bancos de tecido têm costuras aparentes e bordados alusivos à série. Os cintos de segurança são cinza e os instrumentos têm agulhas vermelhas. A versão avaliada tinha ainda o câmbio opcional Dualogic Plus, melhor que o Dualogic, mas ainda assim com problemas de um automatizado de embreagem simples. Pena que o sistema DNA – que permite escolher os modos Dinâmico, Normal ou Esportivo, alterando o comportamento do carro – esteja obrigatoriamente associado a ele. Na versão manual, não é nem oferecido.

Um carro interessante. Mas lembre-se que, se você é da minoria que gosta de esportivos de verdade, o Punto T-Jet, com motor 1.4 turbo de 152 cv a gasolina, sai por R$ 57.490. Além de ter rodas aro 17 e cores mais vibrantes (o Blackmotion só pode ser cinza, prata, preto ou branco), acelera mais (0-100 km/h em 8,3 segundos), corre mais (chega a 203 km/h), freia e faz curvas melhor (tem freios a disco nas quatro rodas e barra estabilizadora traseira) e ainda vem com o sistema DNA combinado ao câmbio manual.

Para completar, o T-Jet tem piloto automático, o Blue&Me e o som com subwoofer; no Blackmotion, os dois primeiros são opcionais, sendo que o segundo só pode ser adquirido com o teto panorâmico (R$ 4.200) e o terceiro não é oferecido. Essa série especial compensa, portanto, para quem não liga tanto para desempenho ou faz questão de motor flex e/ou câmbio automatizado. E cuidado para não exagerar nos opcionais: o modelo avaliado, com todos, sai por R$ 64.901.