Apetite por Sedãs

A versão sedã do Audi A3 utilizará a nova plataforma modular (MQB) da Volkswagen, que deve compartilhar com o Golf VII

Enquanto no Brasil o segmento de sedãs médios está entre os mais prósperos do mercado, na Europa ele já foi mais bem servido. Em 2005, os três volumes com comprimento em torno de 4,60 metros venderam 833 mil unidades no continente. Em 2010, foram pouco mais de 431 mil unidades comercializadas, quase a metade. Segundo o analista Davide Di Domenico, da consultoria Booz&Co., esses foram os modelos mais afetados durante a crise econômica de 2009. “Enquanto o mercado europeu teve uma queda média de 20%, os sedãs médios caíram 40%”, relembra.

Ainda assim, as marcas alemãs estão investindo nesse segmento, inclusive com mais de um modelo, com preços diferenciados. A explicação é simples. Muitos dos grandes mercados consumidores de carros estão fora da Europa e têm necessidades e prioridades distintas. É o caso de China, EUA, Brasil, Rússia e Índia. E, nesses mercados, os sedãs médios ainda são símbolos de status e sonho de consumo das famílias em ascensão.

O novo A3 sedã terá diversas opções de motor, de um econômico três cilindros diesel a uma poderosa unidade a gasolina de 350 cv

Entre os novos sedãs, o Audi A3 é a maior novidade. Ele virá primeiramente na versão hatch duas e quatro portas, como os modelos Sport e Sportback vendidos hoje. Depois, chegará a inédita versão três volumes. Ele será o primeiro modelo do grupo Volkswagen com a nova plataforma modular MQB, que possibilita um maior intercâmbio entre os modelos e, ainda, a alteração de comprimento, altura, largura, entre-eixos, bitola e conjunto motriz. Com certa facilidade e baixo custo, pode-se adaptá-la para diferentes usos, seja em compactos, seja em sedãs top de linha – e com uma infinidade de tipos de propulsão, inclusive híbrida e elétrica. No futuro, servirá de base para outros 60 modelos, incluindo a nova geração do Golf. O plano da empresa é que cada unidade industrial do grupo, em qualquer parte do mundo, possa produzir todos os modelos das marcas Audi e VW.

Acima, projeções de como ficará o novo sedã do A3 em versão quatro portas (Sportback). Abaixo, o mesmo modelo em uma confi guração mais esportiva, com apenas duas portas

Por dentro, o novo A3 lembrará o pequeno A1. As saídas de ar em estilo aeronáutico, os apliques em alumínio no painel e o sistema multimídia. Tudo como no irmãozinho.

Esse inédito A3 enfrentará, em 2012, o BMW Série 3 e o Mercedes Classe C reestilizados, mostrados em nossas projeções. Como já é praxe, os dois novos modelos fi carão maiores. Suas carrocerias ganharão linhas musculosas e dinâmicas, o que lhes fará subir um degrau dentro da gama das marcas. “Os carros de uma maneira geral têm diminuído seus motores e aumentado suas dimensões externas de uma geração para outra”, explica Ian Fletcher, analista sênior da IHS Global Insight. “Um carro que era do segmento B passa a ser do C, e assim por diante. Isso faz com que surjam sempre lacunas nas ofertas de base”, completa. Mas BMW e Mercedes já têm planos para preencher esse espaço em seus portfólios e atrair novos consumidores.

De olho no enriquecimento dos consumidores de países emergentes como o Brasil, a primeira desenvolve uma versão sedã do novo Série 1. Em cerca de três anos, oferecerá um legítimo três volumes de seu menor carro. Atualmente, suas versões hatch, cupê e cabriolet são vendidas no Brasil. Já a Mercedes prepara um sedã com design semelhante ao desse novo Classe C, mas menor e mais barato, desenvolvido sobre a plataforma do Classe A (leia mais detalhes nesta edição).

No Brasil, os renovados Classe C e Série 3 deverão manter os preços atuais, de cerca de R$ 115 mil. O primeiro deve chegar com um motor 2.0 da nova família Twin Turbo, com 240 cv, enquanto o Classe C deve continuar com seus CGI de 156 cv a 204 cv. O novato A3 Sedan terá preço na casa dos R$ 130 mil – acima do Sportback, abaixo do A4.

No segmento de entrada, tanto o sedã do Classe A quanto o do Série 1 devem fi car na faixa dos R$ 100 mil. O BMW poderá ser equipado com um três cilindros da mesma família Twin Turbo do irmão maior e o Mercedes poderá receber um propulsor 1.6 com injeção direta que está sendo desenvolvido em parceria com a francesa Renault. O sonho alemão fi ca cada vez mais próximo. Será que a Audi se animará a fazer um Audi A1 Sedan?

Acima, uma projeção do novo BMW Série 3 que chega no ano que vem. Abaixo, a novidade mais esperada da mesma marca – o mais acessível Série 1 Sedan

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