As novas caras da F1

A Ferrari (acima) foi a primeira a apresentar seu novo modelo, o F60. A equipe tentou adiar a entrada do Kers (sistema de recuperação de energia) mas não conseguiu e tratou de adaptar seu bólido. Se saiu bem.

A temporada 2009 da Fórmula 1 começa este mês com o GP da Austrália. Como acontece todos os anos, os bólidos são novos, têm novas cores e acertos diferenciados. Mas, neste ano, a coisa não para por aí. A expectativa para a hora da estreia está ainda maior devido às mudanças feitas no regulamento da categoria. Foram duas as causas que levaram a estas alterações. A primeira, o incentivo ao aumento das disputas e ultrapassagens, e a outra – que talvez seja a mais influente – os custos. Como a modalidade exige muito investimento, nem todos aguentam bancar uma equipe. A Honda já saiu da categoria, e, até o fechamento desta edição, estavam confirmados apenas 18 carros no grid, pois a estrutura da escuderia japonesa ainda não havia sido vendida.

A McLaren (acima), outra que foi a favor do adiamento, ainda não se pronunciou se vai usar o aparato

Diferentemente de anos anteriores, em que a apresentação dos novos carros de F1 era um grande acontecimento para as equipes, a temporada 2009 começou tímida. Algumas empresas fizeram eventos discretos (quase acanhados) para revelar suas máquinas. Outras, como a Toyota, apenas mandaram fotos à imprensa

Para reduzir os gastos, a partir deste ano não serão permitidos testes durante a temporada, somente às sextas-feiras anteriores aos GPs, e cada piloto só poderá utilizar oito motores de corrida e mais dois de teste, totalizando 20 por equipe. Quanto à duração dos propulsores, continua a mesma regra: três corridas.

O fato é que em 2009 novas medidas foram tomadas para que a Fórmula 1 volte a ter o máximo de competitividade, até mais do que em 2008, quando praticamente três equipes brigaram pelo título: McLaren, Ferrari e BMW. E isso claro, com o menor custo possível. Confira as principais mudanças e o que elas vão proporcionar às corridas.

As principais alterações dizem respeito à parte aerodinâmica. Todos os aparatos utilizados para proporcionar mais arrasto aerodinâmico foram proibidos. O spoiler traseiro não poderá ter medida maior do que 800 milímetros de largura, e o aerofólio dianteiro ficou maior, e agora conta com uma regulagem feita pelo próprio piloto de dentro do carro, durante as voltas. Essa redução de pressão aerodinâmica irá permitir que os carros andem mais próximos uns dos outros sem sofrer tanto desequilíbrio.

Outra novidade que está chamando bastante atenção, é a implantação de um sistema de recuperação de energia. Batizado de Kers, que em português quer dizer sistema de recuperação de energia cinética, o equipamento tem a função de armazenar a energia coletada nas freadas, rendendo ao bólido cerca de 80 cv a mais de potência. Sua implantação estará a cargo de cada equipe, segundo seus interesses, pois o uso do dispositivo é opcional.

1. O aerofólio traseiro ficou mais alto e mais curto. O cofre do motor agora esconde também o Kers, um sistema de recuperação de energia. Sobre o propulsor, aliás, há uma limitação: apenas oito para cada piloto (e mais dois de teste)

2. As asas laterais foram suprimidas, o que deixou o monoposto com linhas mais limpas. Na dianteira, a largura continua a mesma, mas a traseira ficou mais estreita e alta que em 2008

3. A volta do pneu slick, sem as canaletas, que havia sido abolido nos anos 90, proporcionará maior velocidade em curvas e mais aderência nas frenagens. Isso pode suprir a falta dos itens de controle aerodinâmico

4. A asa dianteira ficou 40 cm mais larga este ano e cobre a frente do bólido completamente, pegando de uma roda à outra

A volta do pneu slick (liso) completa o pacote das mudanças mais importantes. Depois de dez anos ausente da categoria, os compostos lisos retornam substituindo os de ranhuras. De acordo com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), a volta dos pneus lisos tende a aumentar a aderência dos carros. Em tese, isso compensará a redução de cerca de 40% na pressão aerodinâmica. A Bridgestone, fornecedora oficial da categoria, anunciou que os diferentes compostos utilizados nos últimos anos (duros, macios e supermacios) continuam existindo.

Com o objetivo de reduzir ao máximo os custos da Fórmula 1, foram tomadas atitudes que, a princípio, deixaram as equipes em condições técnicas mais próximas. “Na minha opinião, a redução de pressão aerodinâmica vai proporcionar menos ultrapassagens. Pela experiência que tenho na Indy, quanto mais pressão, maiores são as possibilidades de ultrapassagem. Por outro lado, esta mudança pode equilibrar mais as condições dos equipamentos”, pondera o piloto Felipe Giaffone, da Fórmula Truck, com atuações em diversas categorias de monopostos.

Já para Luciano Burti, ex-piloto de teste da Ferrari, um dos pontos positivos do novo regulamento foi a volta do pneu slick. “O composto liso é o verdadeiro pneu de corrida. Nunca deveria ter saído da Fórmula 1”, afirma. Quanto a menor influência aerodinâmica, Burti tem a mesma opinião de Giaffone. “As ultrapassagens continuarão sendo complicadas, ainda mais agora que o carro estará mais difícil de guiar”, diz. Será que o tiro vai sair pela culatra e teremos GPs ainda menos emocionantes?

Felipe Massa

O ano de 2008 começou muito mal para Felipe. Depois de muitas críticas pelos erros cometidos por conta da ausência do controle de tração, o brasileiro virou o jogo e disputou o título mundial até os últimos metros do GP Brasil. Vítima de algumas trapalhadas da equipe, Felipe viu o campeonato ir embora por apenas um ponto de diferença para o campeão, Lewis Hamilton. Há quem diga que 2009 será o ano de Massa. Mais experiente, o brasileiro conta com a força da Ferrari para ir em busca do seu primeiro título na categoria.

Nelson Piquet

Em seu primeiro ano na F1, Nelsinho Piquet (à esq.) já dividiu opiniões. Afinal, seu desempenho foi de altos e baixos. Mas na hora da renovação de contrato, atuações como a do GP da Alemanha – em que conquistou a segunda posição depois de ter largado em 17º – falaram mais alto do que os acidentes em que o piloto se envolveu.

No posto de companheiro de equipe de Fernando Alonso (à dir.), bicampeão mundial, Nelsinho pretende mostrar mais em 2009. O desafio, porém, será conseguir espaço na equipe, já que a prioridade é para o espanhol.

Veja também

+ A biblioteca básica do motociclista cool

+ Tomografia revela que múmias egípcias não são humanas

+ Homem compra Lamborghini após fraude em auxílio emergencial

+ Restaurar um carro: quanto custa e quanto ele pode valorizar